SBF diz que FTX era solvente e pagou até 143%

A corretora FTX voltou ao centro das discussões após novas declarações de Sam Bankman-Fried (SBF). O ex-CEO afirmou no X em 20 de fevereiro que a empresa não estava insolvente no momento do colapso e ressaltou que os credores recebem entre 119 por cento e 143 por cento em reembolsos. Segundo ele, esses valores reforçam que a corretora tinha condições financeiras de honrar suas obrigações.

SBF cumpre pena de 25 anos em uma prisão federal enquanto tenta reduzir a condenação. No entanto, seus pedidos de clemência não avançaram, diferentemente de casos que envolveram nomes conhecidos do setor cripto, como Changpeng Zhao (CZ), da Binance, e Ross Ulbricht.

Em sua publicação, SBF alegou que a corretora teria devolvido integralmente os ativos caso não tivesse sido conduzida ao processo de falência. Além disso, criticou duramente a equipe jurídica responsável pela recuperação judicial, afirmando que os profissionais receberam US$ 1 bilhão em honorários ao mesmo tempo em que, segundo ele, desmontaram rapidamente a estrutura corporativa, atrasando o pagamento aos clientes e distorcendo a percepção sobre a real situação financeira da empresa.

Debate sobre a situação financeira no colapso

O executivo voltou a questionar a narrativa do famoso buraco de US$ 8 bilhões divulgado no auge da crise. Ele afirmou que esse número não representava com precisão a contabilidade da FTX. Para justificar sua visão, argumentou que a valorização dos ativos nos anos seguintes teria ampliado a capacidade da corretora de cumprir suas obrigações sem dificuldades, caso ela tivesse continuado ativa.

A ideia do déficit ganhou força após o congelamento dos saques em novembro de 2022. Naquele momento, imprensa, promotores e administradores reforçaram que os fundos dos clientes haviam desaparecido, o que consolidou a percepção de insolvência. No entanto, os créditos dos clientes foram convertidos em dólares usando valores de mercado próximos dos menores preços de ativos como Bitcoin, Ethereum e Solana.

Com a forte recuperação do mercado entre 2023 e 2025, a valorização passou a beneficiar exclusivamente a massa falida. Portanto, criou-se a impressão de sobra de capital, mesmo que a corretora estivesse em situação crítica durante o colapso.

Imagem FTX

Fonte: SBF FTX no X

O processo apontou também que mais de US$ 15 bilhões foram recuperados por meio de participações societárias, tokens e operações de clawback. No entanto, os custos jurídicos de aproximadamente US$ 1 bilhão reduziram os montantes destinados aos credores. Os pagamentos foram feitos exclusivamente em dinheiro e seguiram as regras tradicionais de falência, que priorizam a igualdade em dólares e desconsideram o valor original dos ativos em cripto.

Novos desdobramentos e impacto para SBF

As declarações recentes de SBF reacenderam discussões sobre sua estratégia de defesa. Parte da comunidade cripto questiona se essas afirmações podem influenciar eventuais recursos ou até impulsionar futuras tentativas de perdão presidencial.

Figuras conhecidas do setor, como Vijay Boyapati, posicionaram-se contra essa possibilidade. Além disso, o colapso da FTX segue sendo lembrado como um dos principais fatores para a queda da adoção de cripto entre investidores de varejo nos anos seguintes.

Embora alguns credores tenham recebido percentuais entre 119 por cento e 143 por cento, ainda existem casos pendentes, incluindo clientes afetados por restrições geopolíticas. Também persiste a crítica sobre o método de pagamento, que considerou apenas valores depositados em dólares e ignorou ganhos de valorização de ativos como Solana.

A defesa do ex-CEO segue ativa. A mãe de SBF, Barbara Fried, solicitou um novo julgamento alegando a existência de novos elementos capazes de influenciar a análise do caso. Assim, as declarações do ex-executivo e o avanço dos processos continuam moldando a percepção pública sobre a FTX e os fatores que contribuíram para sua falência.