Schiff compara tesouraria de Bitcoin da Strategy a dominós
A Strategy, antiga MicroStrategy, afirmou que pode honrar sua dívida e os dividendos das ações preferenciais mesmo se o Bitcoin cair para US$ 8.000. Esse nível fica muito abaixo da faixa atual de US$ 73.000. Ainda assim, a declaração ganhou peso porque Peter Schiff, defensor do ouro e crítico antigo do ativo digital, intensificou seus alertas sobre o modelo de tesouraria da empresa.
Segundo a companhia, sua estrutura segue funcional mesmo em cenários muito mais adversos para o Bitcoin. Além disso, a Strategy sustenta que seu modelo permanece lucrativo se o ativo registrar crescimento anual mínimo de 1,25%.
Estrutura financeira da Strategy entra no foco
Peter Schiff apresentou o argumento em um vídeo de cerca de uma hora publicado em 28 de maio. Ele afirmou que a prática da Strategy de usar recursos tomados por empréstimo para comprar Bitcoin compõe um conjunto de três fatores financeiros interligados. Para Schiff, esses fatores podem ruir em sequência.
Os outros dois pontos citados por ele foram a dívida nacional dos Estados Unidos, estimada em US$ 39 trilhões, e uma bolha crescente de investimentos em inteligência artificial. Nesse sentido, Schiff associa as três frentes ao mesmo pano de fundo macroeconômico.
De acordo com Schiff, esse cenário começou a se formar em um período de juros baixos. O crédito barato incentivou apostas em larga escala. Assim, a Strategy ampliou sua exposição ao Bitcoin, enquanto o governo federal manteve gastos acima da arrecadação tributária. Ao mesmo tempo, investidores direcionaram volumes cada vez maiores de capital para empresas e projetos ligados à inteligência artificial.
Para sustentar sua crítica, Schiff destacou a decisão recente da Strategy de usar aproximadamente 60% de suas reservas em caixa. A empresa quitou, com três anos de antecedência, notas conversíveis com juros zero. Na leitura dele, a medida sugere uma tentativa de proteger liquidez sem reduzir de forma relevante a exposição da companhia ao Bitcoin.
Recompra antecipada divide leituras do mercado
Entretanto, nem todos os analistas concordam com essa interpretação. Parte dos observadores tradicionais considerou a recompra antecipada uma decisão eficiente de gestão de capital, já que a empresa readquiriu os papéis com desconto. Além disso, a operação também teria eliminado um risco relevante de diluição futura para os acionistas.
Outra leitura destacada no mercado aponta que a troca de dívida conversível por capital preferencial reduz a pressão sobre a empresa caso o Bitcoin enfrente um período prolongado de queda. Dessa forma, um balanço reestruturado poderia abrir espaço para que a Strategy assuma novas dívidas e continue financiando compras adicionais do ativo.
Por outro lado, críticos observam que esse tipo de estratégia depende não apenas da trajetória do Bitcoin, mas também das condições de crédito e do ambiente macroeconômico. Portanto, qualquer deterioração nessas variáveis pode alterar a percepção de risco sobre a companhia.
Juros altos ampliam debate sobre alavancagem
Peter Schiff argumenta que o risco mais sério apareceria se os juros subirem de forma acentuada. Segundo ele, taxas maiores poderiam estourar a bolha de inteligência artificial, pressionar estruturas de investimento excessivamente alavancadas e atingir empresas como a Strategy em cadeia.
Por isso, sua recomendação segue na direção oposta ao modelo defendido pela companhia. Schiff sugere reduzir exposição a ações de tecnologia, criptomoedas e estruturas financeiras altamente endividadas. Em contrapartida, ele prioriza ouro e ativos físicos.
Nas redes sociais, a repercussão ao vídeo foi dividida. Enquanto parte dos usuários concordou com as preocupações sobre política monetária e riscos sistêmicos, outros criticaram a postura persistentemente pessimista de Schiff em relação ao Bitcoin.
Debate opõe resiliência e risco sistêmico
No centro da discussão, permanecem os mesmos dados apresentados pelas duas visões. De um lado, a Strategy diz que consegue sustentar dívida e dividendos mesmo com o Bitcoin em US$ 8.000. De outro, Peter Schiff aponta a alavancagem, a dívida dos Estados Unidos de US$ 39 trilhões e a bolha de inteligência artificial como fatores que podem pressionar o modelo da empresa ao mesmo tempo.
Em suma, o debate gira menos em torno do preço atual do Bitcoin e mais sobre a capacidade da Strategy de atravessar um choque macroeconômico severo. Se o ambiente de juros altos persistir e o apetite por risco diminuir, a tese crítica de Schiff tende a ganhar espaço. Contudo, se a empresa continuar ajustando seu passivo e preservando acesso a capital, sua defesa pode se mostrar mais resistente do que os céticos projetam.