SEC envia propostas cripto à Casa Branca para revisão

A SEC (Securities and Exchange Commission) encaminhou duas propostas regulatórias ao governo dos Estados Unidos, ampliando a discussão sobre regras para ativos digitais. Os documentos seguem agora para análise do Office of Management and Budget (OMB), órgão responsável por avaliar impactos econômicos antes de eventual implementação.

Nesse contexto, a iniciativa sinaliza uma tentativa mais estruturada de equilibrar inovação e supervisão. Assim, o movimento pode influenciar empresas do setor cripto que operam no país.

Proposta cria espaço regulatório para inovação

A primeira proposta prevê uma “isenção de inovação” voltada a empresas de ativos digitais. Com isso, essas companhias poderiam operar temporariamente sem registro imediato como corretoras ou bolsas.

No entanto, a flexibilidade não elimina obrigações. As empresas ainda precisariam demonstrar caráter inovador, respeitar limites de transações e enviar relatórios periódicos à SEC. Dessa forma, o regulador manteria algum nível de supervisão.

Segundo o plano, a isenção teria duração entre 18 e 24 meses. Assim, a medida busca incentivar o desenvolvimento tecnológico sem abrir mão da proteção ao investidor.

Após esse período, as empresas teriam que avançar para o registro completo. Além disso, a proposta dialoga com discussões recentes da SEC sobre a classificação de tokens, tema que segue em debate no mercado.

Impactos para empresas cripto

Com isso, startups e plataformas de finanças descentralizadas podem ganhar um ambiente mais previsível. Além disso, exchanges e emissores de tokens passariam a ter um caminho mais claro para operar dentro das regras.

Por outro lado, ainda existem dúvidas sobre como os critérios de inovação seriam aplicados na prática. Portanto, o período de análise pode ser decisivo para ajustes antes de qualquer adoção definitiva.

Revisão de regras para fundos também avança

A segunda proposta trata das exigências do Form PF, documento utilizado por hedge funds e fundos de private equity. Nesse sentido, a SEC avalia revisar obrigações de divulgação e adiar parte das exigências atuais.

Algumas dessas obrigações foram postergadas até 1º de outubro. Enquanto isso, reguladores analisam se as regras impõem custos excessivos às instituições financeiras. Além disso, a revisão busca reduzir burocracia sem comprometer a transparência.

Essas exigências foram reforçadas após o colapso da Archegos, em 2021. Assim, qualquer mudança tende a exigir equilíbrio entre eficiência regulatória e controle de riscos sistêmicos.

Análise do OMB define próximos passos

O OMB iniciou a avaliação das propostas, processo que pode durar até 90 dias. Durante esse período, o órgão examina impactos econômicos e regulatórios. Em seguida, as medidas podem avançar para consulta pública.

Se aprovadas, as mudanças podem trazer maior clareza para o mercado cripto nos Estados Unidos. Além disso, empresas ganhariam diretrizes mais objetivas para conformidade regulatória.

Ao mesmo tempo, a possível revisão do Form PF pode aliviar a carga sobre grandes fundos. Ainda assim, o desafio será preservar níveis adequados de transparência no sistema financeiro.

O desfecho desse processo pode influenciar tanto o setor de ativos digitais quanto a forma como instituições financeiras reportam riscos.

Em síntese, a decisão final do governo norte-americano tende a repercutir além do mercado local, podendo servir de referência para discussões regulatórias em outras jurisdições.