SEC mira Regra 611 e ações tokenizadas, diz Galaxy
A Securities and Exchange Commission (SEC), regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, propôs eliminar a Regra 611 e a Regra 610(e) do Regulation NMS. A mudança pode reduzir uma das principais barreiras para a negociação de ações tokenizadas em redes de finanças descentralizadas.
A leitura da Galaxy indica que a revisão regulatória pode abrir espaço para ações dos Estados Unidos avançarem em ambientes on-chain com menos fricção operacional. Além disso, a proposta sinaliza uma tentativa de adaptar regras históricas a novos modelos de liquidação e negociação baseados em blockchain.
Para o mercado de ativos digitais, o ponto central envolve a Regra 611. Desde 2005, ela sustenta parte relevante da lógica de execução das ações americanas. No entanto, essa mesma estrutura impõe exigências difíceis para protocolos descentralizados, sobretudo quando contratos inteligentes e pools automatizados executam as ordens. Nesse contexto, o debate também afeta o desenvolvimento de ações tokenizadas e de infraestrutura compatível com o mercado cripto.
SEC mira regra central da execução de ordens
A Regra 611 proíbe os chamados trade-throughs. Em outras palavras, ela impede que uma ordem de compra ou venda seja executada em uma bolsa por preço inferior ao melhor disponível em outra. Já a Regra 610(e) veta que bolsas exibam uma oferta de compra no mesmo preço, ou em preço superior, ao que já aparece em outro local de negociação.
Segundo Alex Thorn, diretor de pesquisa da Galaxy, a proposta representa “um dos maiores desbloqueios até agora para ações tokenizadas”. Para ele, a medida remove “uma das maiores barreiras estruturais para a negociação de ações tokenizadas dos EUA em DeFi”. Ele publicou a avaliação no X em 11 de junho de 2026.
“A proposta da SEC para rescindir a Regra 611, base da estrutura do mercado acionário dos Estados Unidos desde 2005, também pode ser vista como um dos movimentos mais importantes até agora para viabilizar ações tokenizadas.”
Alex Thorn no X
Conforme o entendimento apresentado por Thorn, o atual mecanismo de prevenção a trade-throughs cria gargalos severos de conformidade para protocolos que liquidam negociações em registros distribuídos públicos. Isso ocorre porque plataformas on-chain operam com uma lógica diferente dos mercados centralizados tradicionais. Assim, elas enfrentam dificuldade para observar, em tempo real, exigências rígidas de melhor preço em todos os ambientes simultaneamente.
Se a SEC remover essa limitação, venues on-chain poderão oferecer negociações de ações sem acionar automaticamente penalidades regulatórias ligadas a esse ponto específico. Dessa forma, a indústria de ativos digitais ganharia um passo relevante na aproximação entre finanças tradicionais e infraestrutura descentralizada.
Galaxy vê efeito direto sobre negociações em DeFi
A Galaxy avalia que a proposta não representa apenas um ajuste técnico. Na prática, ela pode alterar a forma como reguladores enxergam a execução de ordens em sistemas sem livro de ofertas convencional. Ainda assim, o avanço dependerá da redação final e da implementação regulatória.
Por isso, o movimento da SEC chama atenção no mercado. Afinal, ações tokenizadas vinham esbarrando em regras desenhadas para bolsas centralizadas, com mecanismos de roteamento e formação de preço muito diferentes daqueles usados em blockchain pública.
AMMs podem ganhar espaço com nova abordagem
Um dos temas centrais da discussão envolve os AMMs, ou formadores de mercado automatizados. Esses protocolos não se adaptam facilmente às regras legadas de trade-through. Isso acontece porque eles não usam livro de ordens tradicional. Em vez disso, executam negociações com fórmulas matemáticas determinísticas e reservas de liquidez separadas na blockchain.
Nesse modelo, os preços variam continuamente conforme as condições locais de oferta e demanda dentro de cada pool. Portanto, plataformas descentralizadas tendem a esbarrar com frequência nos mandatos rígidos de melhor preço da Regra 611. Em uma interpretação mais restritiva, isso poderia tornar pools nativos on-chain incompatíveis com a negociação regular de ações tokenizadas.
Contudo, a mudança sugerida pela SEC aponta para uma abordagem mais flexível baseada em best execution, ou melhor execução. Em vez de impor uma vedação estrutural absoluta, o foco passaria para a qualidade da execução da ordem dentro de parâmetros regulatórios mais adaptáveis ao funcionamento de contratos inteligentes e mercados automatizados.
Se esse enquadramento avançar, a negociação secundária de ativos compatíveis em contratos inteligentes em conformidade poderá ganhar um caminho regulatório mais claro. Além disso, a nova leitura tende a reduzir o atrito entre a infraestrutura tradicional de ações e a lógica operacional das finanças descentralizadas.
Consulta pública de 60 dias pode definir próximos passos
O movimento também se alinha ao Project Crypto, iniciativa interna da agência iniciada em meados de 2025 com o objetivo de aproximar a tecnologia de registros distribuídos do sistema financeiro dos Estados Unidos. Nesse sentido, a retirada das duas regras aparece como parte de um esforço mais amplo de modernização da infraestrutura de mercado.
Historicamente, preocupações de grandes bolsas tradicionais ajudaram a frear iniciativas iniciais de ações on-chain. Agora, porém, a abertura de uma janela de 60 dias para comentários públicos permitirá que participantes do mercado debatam detalhes técnicos da implementação e tentem ajustar a execução prática do novo modelo.
Como resultado, a proposta da SEC reúne três pontos centrais: eliminação da Regra 611 e da Regra 610(e), adoção de uma abordagem mais flexível de melhor execução e consulta pública por 60 dias. Para a Galaxy e Alex Thorn, esse conjunto pode remover uma barreira relevante para o avanço das ações tokenizadas dos Estados Unidos em mercados on-chain.