Senador alerta sobre apostas militares na Polymarket

O senador Chris Murphy reacendeu o debate nacional ao apontar possíveis riscos de corrupção ligados às apostas militares feitas na Polymarket. A discussão ganhou força após negociações anteciparem com precisão ataques dos EUA ao Irã poucas horas antes das explosões registradas em Teerã. Além disso, o volume das apostas levantou dúvidas sobre acesso prévio a informações sigilosas.

Dados da empresa de análises de blockchain Bubblemaps indicam que seis contas apostaram grandes valores prevendo um ataque norte-americano antes de 28 de fevereiro de 2026. Essas contas surgiram pouco antes da ofensiva e adquiriram milhares de ações do tipo “Sim”. No entanto, as compras ocorreram em um período suspeito e chamaram atenção devido ao lucro imediato após a confirmação do ataque.

Uma carteira se destacou por adquirir mais de 560 mil ações a cerca de US$ 0,108 cada. Assim, quando o mercado foi liquidado a US$ 1, a posição rendeu quase US$ 560 mil. A maioria das carteiras havia sido criada menos de 24 horas antes do episódio, o que ampliou as suspeitas sobre a obtenção de dados estratégicos antes de sua divulgação oficial.

Em declarações públicas, Murphy afirmou que o padrão das apostas sugere possível uso de informações sigilosas para lucrar com decisões militares. Além disso, alertou que esses mercados criam incentivos perigosos, pois indivíduos influentes em decisões estratégicas poderiam manipular eventos visando lucro.

Aumento das apostas geopolíticas intensifica o debate

O crescimento das tensões entre EUA e Irã elevou o volume negociado nos mercados geopolíticos da Polymarket. Conforme dados reunidos no Dune Analytics, US$ 425,4 milhões foram movimentados na semana encerrada em 1º de março. O valor mais que dobrou em comparação aos US$ 163,9 milhões registrados na semana anterior.

Mais de 150 contas apostaram pelo menos US$ 1 mil prevendo que os EUA realizariam um ataque até sábado da mesma semana. Portanto, essas operações somaram cerca de US$ 855 mil. Pelo menos 16 apostadores lucraram mais de US$ 100 mil após a confirmação da ofensiva.

Segundo Murphy, o problema ultrapassa os ganhos individuais. Ele destacou que mercados atrelados a decisões militares podem distorcer processos políticos. Além disso, indivíduos presentes em reuniões confidenciais podem influenciar resultados estratégicos enquanto mantêm posições financeiras beneficiadas por esses desfechos.

Riscos políticos e sociais geram pressão regulatória

Murphy também lembrou que tensões internacionais impactam diretamente a população, elevando custos de combustível e alimentos. Assim, permitir lucros privados derivados de ações militares aumentaria desigualdades sociais e criaria um ambiente ainda mais delicado.

Diante do avanço das suspeitas, o senador anunciou que prepara um projeto de lei para proibir mercados de previsão ligados a decisões governamentais ou operações militares. Ele já havia classificado essas plataformas como desestabilizadoras, afirmando que informações privilegiadas podem oferecer vantagens injustas.

A discussão ganhou força após o Senado dos EUA votar por 53 a 47 contra uma resolução bipartidária que buscava limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump em ações relacionadas ao Irã sem aprovação do Congresso. Portanto, o episódio reacendeu o escrutínio sobre o setor de prediction markets.

Os dados recentes envolvendo a Polymarket, somados ao timing e ao volume das apostas, ampliaram a pressão política por regulamentação. Assim, Murphy reforçou que a combinação entre eventos militares e mercados de apostas gera riscos imediatos tanto para a segurança quanto para a integridade institucional.