Senador dos EUA reforça pedido de veto permanente à CBDC

O debate sobre CBDC voltou a ganhar força nos Estados Unidos após o senador Ted Cruz intensificar a pressão contra a criação de um dólar digital emitido pelo Federal Reserve. A discussão foi retomada quando o parlamentar apresentou uma emenda ao 21st Century ROAD to Housing Act para transformar a atual proibição temporária em um veto definitivo.

Ted Cruz amplia ofensiva contra moeda digital do Fed

A movimentação foi revelada em um post da jornalista Eleanor Terrett. Segundo ela, Cruz inseriu uma emenda para remover a cláusula que limita a proibição de uma CBDC até 31 de dezembro de 2030. A proposta original, criada como parte de um esforço bipartidário para ampliar o acesso à moradia, recebeu um adendo dos senadores Tim Scott e Elizabeth Warren, mas o texto mantinha apenas um veto temporário.

O objetivo de Cruz é impedir que qualquer instituição avance no desenvolvimento de um dólar digital oficial. Além disso, a iniciativa reforça o Anti-CBDC Surveillance State Act, apresentado por ele em 2025. Que argumenta que esse tipo de moeda ampliaria a capacidade de vigilância do governo sobre as transações dos cidadãos.

Fontes citadas por Terrett afirmam que o senador busca acelerar a votação da emenda ainda na próxima semana.

No entanto, Cruz não está sozinho nessa disputa. A congressista Anna Paulina Luna também se posicionou contra a proibição temporária. Em publicação recente, ela afirmou que um veto limitado criaria tensões quando o projeto chegasse à Câmara dos Representantes. E reforçou que um modelo de dólar digital poderia concentrar poder excessivo nas mãos do Estado.

Luna declarou que até mesmo versões experimentais de uma CBDC abririam caminho para mecanismos de coerção financeira e monitoramento constante.

Divisão no Congresso e impacto no debate financeiro

A Câmara dos EUA já aprovou uma versão complementar ao Anti-CBDC Surveillance State Act, com uma votação apertada de 219 a 210. Assim, ficou evidente que o tema divide intensamente o Congresso. Enquanto críticos como Cruz e Luna afirmam que a moeda digital traria riscos à privacidade, defensores destacam pontos como agilidade em pagamentos e redução de custos operacionais.

As CBDCs são versões digitais da moeda fiduciária de um país e são emitidas diretamente pelos bancos centrais. Atualmente, mais de 100 bancos centrais estudam o tema. No entanto, apenas 11 países lançaram modelos funcionais. O que mostra que a adoção global ainda ocorre de forma cautelosa.

O debate também ganha força devido ao momento do setor cripto, que movimenta US$ 2,33 trilhões em valor total de mercado e cerca de US$ 91,26 bilhões em volume diário. Portanto, a discussão sobre moedas digitais estatais permanece relevante em um ambiente de forte atividade e crescente atenção pública.

CBDC

Total do mercado cripto em US$ 2,3 trilhões no gráfico diário | Fonte: TOTAL chart on Tradingview.com

Assim, a ofensiva de Cruz e o apoio de Luna mostram que a pauta deve permanecer no centro das discussões legislativas. À medida que o projeto habitacional avançar no Senado, a disputa sobre privacidade, regulação e o futuro do dólar digital tende a ganhar ainda mais intensidade.