Sharpe Ratio do Bitcoin despenca e acende alerta no mercado
A queda recente do Bitcoin para a região de US$ 81.000 reforçou reforçou a percepção de forte pressão vendedora no mercado. O movimento ocorreu em um cenário marcado por tensões geopolíticas, resultados corporativos fracos e liquidações sucessivas, fatores que mantêm o sentimento negativo.
Deterioração acelerada do Sharpe Ratio aponta risco crescente
Segundo o fundador da Alphractal, Joao Wedson, o Sharpe Ratio do Bitcoin está caindo mais rápido que o próprio preço. A métrica mede o retorno ajustado ao risco e considera a volatilidade para indicar se o desempenho compensa a exposição ao mercado.
Valores altos refletem equilíbrio saudável entre risco e retorno. No entanto, números negativos sugerem que o risco assumido deixa de compensar o desempenho. Wedson destacou esse comportamento de forma direta:
Simplesmente, o mercado está assumindo mais risco para obter menos retorno.
Fonte: @joao_wedson no X
O Sharpe Ratio entrou em território negativo poucos dias após o início do ano. Naquele momento, o preço ainda avançava até a região de US$ 97.000, o que reduziu a relevância imediata da métrica. Além disso, a divergência entre indicador e preço sugeria comportamento atípico. No entanto, a queda forte observada no fim de janeiro recolocou o Sharpe Ratio no centro das atenções.
Wedson explicou que a deterioração atual avança mais rapidamente do que a própria desvalorização do BTC. Historicamente, esse padrão costuma aparecer em períodos prolongados de perda de força e lateralização. Assim, para que o preço volte a reagir, o retorno ajustado ao risco teria de mostrar recuperação antes.
Suporte crítico volta ao foco após forte queda
Wedson também alertou, em análise anterior no X, que o nível de US$ 81.000 não poderia ser perdido. Segundo ele, um rompimento claro desse suporte poderia abrir espaço para uma fase de capitulação semelhante à observada em 2022. Com base no Fibonacci-Adjusted Market Mean Price, ele reforçou que o suporte mais relevante abaixo dessa faixa estaria em torno de US$ 65.500.
Durante a queda de 29 de janeiro, o preço voltou a testar a região de US$ 81.000. A aproximação elevou o alerta entre analistas. Desde então, o Bitcoin ensaia reação acima de US$ 83.000, embora ainda registre recuo semanal próximo de 8%.
Gráfico diário do BTC. Fonte: TradingView
No curto prazo, a combinação de Sharpe Ratio deteriorado, perda de força técnica e aproximação de zonas críticas mantém o mercado em alerta. Além disso, o comportamento mais fraco das métricas de risco-retorno influencia o sentimento dos investidores. Portanto, caso o Sharpe Ratio continue em queda, o preço pode enfrentar maior dificuldade para reagir de forma consistente.
Assim, enquanto o BTC tenta se manter acima de níveis decisivos, analistas observam a métrica de risco-retorno como fator central para antecipar movimentos futuros. A possível retomada dependerá, em grande parte, da recuperação do Sharpe Ratio.