Singapura revoga licença cripto da Bsquared
A Autoridade Monetária de Singapura (MAS) revogou a licença de Instituição de Pagamento Principal da Bsquared Technology Pte. Ltd., impedindo a empresa de oferecer serviços com tokens de pagamento digital. A decisão, anunciada em 14 de maio de 2026, reforça a postura rigorosa do país em relação ao setor de criptomoedas.
Segundo a MAS, a medida ocorreu após uma inspeção presencial que identificou falhas relevantes de conformidade. Com isso, a Bsquared perdeu o direito de operar sob a Lei de Serviços de Pagamento, em vigor desde janeiro de 2020.
Falhas de conformidade motivaram a decisão
O relatório do regulador apontou fragilidades em áreas críticas. Em primeiro lugar, a empresa apresentou deficiências nas práticas de gestão de risco. Além disso, foram identificadas inconsistências nas políticas relacionadas a conflitos de interesse.
Da mesma forma, a fiscalização destacou falhas no cumprimento das diretrizes sobre terceirização de serviços. Em instituições financeiras, esse tipo de irregularidade compromete a segurança operacional e a confiança do sistema.
Informações enganosas agravaram o caso
O ponto mais grave envolveu o fornecimento de informações falsas ou enganosas pela Bsquared em diferentes ocasiões. Conforme a MAS, essa conduta representa uma violação séria das exigências regulatórias.
Em outras palavras, a integridade das informações fornecidas ao regulador é um pilar essencial. Portanto, qualquer distorção compromete a credibilidade da instituição e, por consequência, do mercado.
Assim, embora outras falhas tenham sido relevantes, esse fator teve peso decisivo na revogação da licença, evidenciando tolerância zero com práticas que possam induzir erro ou ocultar riscos.
Licença durou menos de 18 meses
Outro ponto que chama atenção é o curto intervalo entre a concessão e a revogação da licença. A Bsquared havia obtido autorização há menos de 18 meses, o que indica possíveis problemas estruturais.
Por um lado, isso sugere que as falhas já existiam desde o início das operações. Por outro, também é possível que tenham surgido rapidamente após a aprovação. Em ambos os cenários, a supervisão contínua mostrou eficácia.
Encerramento exige auditoria independente
Apesar das irregularidades, a MAS informou que as operações da Bsquared eram limitadas. Além disso, não havia ativos ou valores de clientes pendentes no momento da revogação.
Ainda assim, a empresa deverá apresentar um certificado de encerramento emitido por auditores independentes. O documento deve comprovar que todos os recursos de clientes foram devidamente tratados.
Esse procedimento reforça a prioridade do regulador com a proteção do consumidor. Mesmo em casos de baixo impacto direto, a exigência de transparência permanece elevada.
Regulação rigorosa marca o mercado em Singapura
Singapura se consolidou como um dos principais centros financeiros com regras específicas para ativos digitais. Desde a implementação da Lei de Serviços de Pagamento, o país busca equilibrar inovação e segurança.
Contudo, após eventos globais como o colapso da FTX, a fiscalização se intensificou. Nesse sentido, a MAS passou a exigir padrões mais elevados de governança e transparência.
A decisão envolvendo a Bsquared reforça essa estratégia. Além disso, envia um sinal claro ao setor: empresas que desejam operar com criptomoedas em Singapura precisam manter padrões rigorosos desde o início.
Como resultado, companhias que não atendem às exigências regulatórias tendem a perder autorização para operar. A Bsquared, por sua vez, deverá concluir formalmente o encerramento de suas atividades no país, conforme determina a legislação vigente.