SK Hynix, Micron, AMD e outras ações caem no pré-mercado
As ações ligadas à infraestrutura de inteligência artificial começaram a semana sob pressão no pré-mercado dos Estados Unidos. A SK Hynix ficou no centro da correção, embora o movimento tenha alcançado outros nomes da cadeia global de semicondutores. Assim, investidores passaram a avaliar com mais cautela até quando as grandes empresas de tecnologia conseguirão sustentar gastos elevados com data centers, memória avançada e chips para IA.
A fabricante de memória da Coreia do Sul caiu até 10% no pré-mercado de segunda-feira, poucos dias após sua estreia recorde de ADRs na Nasdaq, avaliada em US$ 26,5 bilhões. Ainda assim, na bolsa sul-coreana, os papéis encerraram o pregão com queda de 15%. O recuo marcou uma realização de lucros depois de uma valorização de cerca de 500% nos últimos 12 meses.
Origem: Knockout Stocks
Correção aumenta cautela no setor de memória
O recuo veio logo depois de uma alta de 12,8% no primeiro dia de negociações da empresa nos Estados Unidos. Analistas citaram preocupações com o calendário de embarques da memória HBM4 e com os resultados do segundo trimestre. Em outras palavras, o mercado passou a questionar se a valorização recente já havia antecipado parte relevante das expectativas positivas.
A SK Hynix havia divulgado um primeiro trimestre robusto, com receita de 52,6 trilhões de wons, equivalente a US$ 34,5 bilhões, e lucro líquido de 40,3 trilhões de wons. Além disso, a companhia detém 58% da participação global de receita no mercado de memória de alta largura de banda. Esse segmento ganhou papel central na expansão da inteligência artificial.
Ainda assim, analistas observaram que a forte exposição a esse nicho pode limitar a captura da recuperação recente dos preços da DRAM convencional. Dessa forma, o mercado começa a separar crescimento estrutural de expectativa excessiva, mesmo com números operacionais fortes. Nesse sentido, a reação negativa reflete menos uma deterioração imediata dos fundamentos e mais uma reavaliação de múltiplos.
Ao mesmo tempo, o interesse por empresas de inteligência artificial continua elevado. No entanto, o humor dos investidores ficou mais seletivo. A cautela pesa principalmente sobre companhias que já acumulam fortes altas e dependem da continuidade do ciclo de investimentos bilionários em infraestrutura.
Micron, AMD, Intel e Nvidia acompanham a venda
O movimento vendedor se espalhou rapidamente pelo setor. A rival Micron caiu 4,9% no pré-mercado. Ademais, a fornecedora de memória flash Sandisk perdeu 6%, enquanto a Western Digital recuou outros 6%. As quedas acompanharam uma liquidação mais ampla entre fabricantes e fornecedoras de armazenamento.
A fraqueza também atingiu outras áreas da cadeia de semicondutores. AMD, Intel, Lumentum, Marvell, Nvidia e Seagate operaram em baixa nas negociações iniciais de segunda-feira. Assim, o padrão do pregão indicou uma realização setorial, e não apenas uma resposta isolada a fundamentos de uma única companhia.
No centro da correção está a dúvida sobre o retorno dos investimentos bilionários em IA. As grandes empresas de tecnologia seguem comprometendo volumes expressivos de capital em infraestrutura. Contudo, o mercado passou a exigir sinais mais visíveis de monetização e de conversão desses gastos em resultados financeiros. Por conseguinte, qualquer dúvida sobre demanda, cronograma de entregas ou margens futuras tende a provocar ajustes rápidos nas ações mais expostas ao tema.
TSMC resiste após receita mensal recorde
A Taiwan Semiconductor Manufacturing, conhecida como TSMC, ficou praticamente estável, apesar de ter informado seu melhor mês de vendas da história. A fabricante reportou receita de 442,68 bilhões de novos dólares taiwaneses em junho, cerca de US$ 13,8 bilhões. Ainda assim, o desempenho operacional não bastou para impulsionar o papel em um ambiente de maior aversão ao risco no segmento.
O dado reforçou a força da companhia, que ocupa posição estratégica na produção global de chips avançados. Entretanto, investidores aguardam o resultado completo do segundo trimestre, previsto para quinta-feira, com atenção redobrada. A TSMC pode oferecer um termômetro importante sobre a demanda efetiva por semicondutores voltados à inteligência artificial. Portanto, a leitura do mercado depende não apenas da receita passada, mas também de projeções sobre capacidade, pedidos e ritmo de expansão.
Fora do grupo de semicondutores, algumas ações escaparam das perdas. A MGM Resorts avançou 2,7% após o The Wall Street Journal informar que a People Inc., de Barry Diller, esteve em conversas sobre um possível acordo com a operadora de cassinos. Segundo o relato, nem a MGM nem a People responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Além disso, a Stellantis subiu 0,9% depois de reportar aumento de 10% nos embarques de veículos no segundo trimestre. A dona da marca Jeep atribuiu o desempenho à demanda forte por novos modelos na América do Norte. No quadro geral, porém, os futuros das bolsas operaram em leve baixa antes da abertura. Investidores monitoravam a temporada de balanços corporativos e uma nova escalada das tensões no Oriente Médio.
Investidores cobram retorno do ciclo de IA
As perdas desta segunda-feira ocorreram após uma semana em que a estreia da SK Hynix nos Estados Unidos atraiu grande atenção. Depois de subir 12,8% no primeiro dia de negociação, a ação virou com força. Ao mesmo tempo, Micron caiu 4,9%, Sandisk e Western Digital recuaram 6%, enquanto a TSMC permaneceu estável mesmo após reportar receita mensal recorde de US$ 13,8 bilhões.
O mercado não abandonou a tese de crescimento da inteligência artificial. Porém, investidores agora cobram evidências mais concretas de retorno sobre capital, cronogramas de entrega mais previsíveis e manutenção de margens. Desse modo, a queda da SK Hynix funciona como alerta para todo o setor: resultados fortes continuam importantes, mas já não bastam sozinhos para sustentar valorizações extremas.