S&P 500 pode ter forte rali, avalia Tom Lee
O S&P 500 pode estar perto de uma forte recuperação, segundo Tom Lee, chefe de pesquisa da Fundstrat Global Advisors. O analista mantém uma perspectiva otimista para as ações dos Estados Unidos. Apesar da recente fraqueza, Lee avalia que a correção abriu espaço para um movimento abrupto de alta.
O índice acumulou quatro sessões consecutivas de perdas e ficou cerca de 2,7% abaixo de sua máxima histórica recente. Enquanto isso, a alta dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo aumentou a cautela entre os investidores. Com o mercado em posição defensiva, Lee acredita que as ações podem iniciar uma recuperação intensa.
O estrategista classificou o possível avanço como um “face-ripper rally”, expressão que descreve uma alta rápida e surpreendente. Esse movimento costuma contrariar investidores pessimistas e vendedores a descoberto. Assim, uma retomada das ações pode surpreender quem manteve posições defensivas após a queda recente.
Inflação influencia projeção para as ações
Um dos pilares da projeção de Lee envolve o dado mais recente de inflação nos Estados Unidos. Os preços ao consumidor subiram 0,4% em agosto, na comparação com o mês anterior. Além disso, a inflação anual permaneceu em 3,4%, mantendo a pressão sobre as autoridades monetárias antes da reunião de setembro.
Os mercados esperam amplamente que o Federal Reserve eleve os juros em 25 pontos-base. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos Treasuries continuam próximos das máximas registradas em vários anos. Portanto, investidores consideram a possibilidade de custos de financiamento elevados por um período mais longo.
Na avaliação de Lee, um eventual ajuste dos juros em setembro não mudaria a direção mais ampla da política monetária. O estrategista acredita que esse cenário continuará apoiando os ativos de risco até o fim do ano. Dessa forma, uma mensagem especialmente dura seria incompatível com a trajetória geral esperada para a política do banco central.
Pessimismo pode favorecer reação do S&P 500
Lee considera que o mercado está preparado para uma reação positiva, pois as expectativas se inclinaram fortemente para a cautela. Nesse cenário, o sentimento dos investidores representa outro fator de suporte para sua projeção. Os participantes permaneceram amplamente pessimistas durante 2026, embora as ações tenham avançado em grande parte do ano.
Historicamente, grandes picos do mercado costumam ocorrer quando o otimismo dos investidores atinge níveis excessivos. No entanto, a persistência da cautela sugere que as ações ainda podem subir antes de formar um topo relevante. Essa configuração contrasta com períodos nos quais o entusiasmo domina o posicionamento dos participantes.
A recente fraqueza, associada ao petróleo e aos rendimentos dos títulos, levou muitos investidores a adotar uma postura defensiva. Também pesaram sobre o sentimento as preocupações com o desempenho historicamente fraco das ações em setembro. Para Lee, as cotações talvez já incorporem grande parte dessas notícias negativas.
Como resultado, o período posterior ao relatório de inflação pode representar um ponto de virada para as ações dos Estados Unidos. A recuperação ganharia força caso o mercado reduzisse suas expectativas negativas e retomasse o apetite por risco. Com isso, a tese de Lee depende de uma reversão do pessimismo que dominou recentemente o posicionamento dos investidores.