SpaceX entra no Nasdaq-100 15 dias após IPO
A SpaceX (SPCX) passou a integrar o índice Nasdaq-100 apenas 15 dias depois de sua estreia na bolsa, em 12 de junho. Assim, a empresa registrou um dos processos de inclusão mais rápidos entre companhias recém-listadas. Com isso, a companhia agora aparece ao lado de Apple, Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta e Broadcom.
Na manhã de terça-feira, as ações caíam cerca de 1,5% no pré-mercado, para US$ 158,37. Ainda assim, desde o IPO, o papel oscilou entre a máxima de US$ 225,64 e a mínima de US$ 147,11. Dessa forma, o mercado segue refletindo a forte volatilidade da ação nas primeiras semanas de negociação.
Fonte: Knockout Stocks
Inclusão rápida reforça peso da empresa no mercado
Para viabilizar a entrada da SpaceX no Nasdaq-100 em prazo tão curto, a Nasdaq usou critérios de elegibilidade para companhias recém-chegadas ao mercado. Desse modo, a empresa conseguiu cumprir as exigências, mesmo com histórico público de negociação ainda limitado.
O Nasdaq-100 reúne as maiores empresas não financeiras listadas na Nasdaq. As companhias do índice somam perto de US$ 40 trilhões em valor de mercado agregado. A SpaceX, por sua vez, aparece com valuation de US$ 2,1 trilhões. Esse patamar a colocaria como a sexta empresa mais valiosa dos Estados Unidos.
A oferta pública inicial levantou US$ 86 bilhões, valor descrito como recorde. No entanto, esse montante representava apenas uma fração da avaliação de US$ 1,8 trilhão no IPO. Atualmente, cerca de 638 milhões de ações estão disponíveis para negociação pública. Esse volume equivale a aproximadamente US$ 102 bilhões em valor de mercado negociável.
Como a quantidade de ações em circulação ainda segue relativamente restrita, a Nasdaq aplicará uma metodologia de ponderação específica. Assim, a SpaceX receberá peso equivalente a três vezes seu valor de mercado livremente negociável. Na prática, isso eleva sua representação para cerca de US$ 300 bilhões dentro do índice, ou aproximadamente 0,75% do valor total do Nasdaq-100.
ETFs e fundos passivos podem acelerar a demanda
A inclusão da SpaceX no índice deve gerar uma nova rodada de compras passivas. Afinal, mais de US$ 587 bilhões acompanham o desempenho do Nasdaq-100, incluindo os ETFs QQQ e QQQM, da Invesco. Por consequência, esses veículos precisam adquirir ações da SPCX para manter alinhamento com a nova composição do benchmark.
Analistas do J.P. Morgan estimaram, no mês passado, que a entrada da empresa no índice poderia provocar cerca de US$ 4,3 bilhões em fluxos passivos. Além disso, outra análise citada no texto aponta que esse número pode se aproximar de US$ 6 bilhões. Em outras palavras, isso equivaleria a cerca de 6% das ações atualmente disponíveis para negociação.
Parte desse movimento, porém, pode já ter sido antecipada pelo mercado. As ações da SpaceX subiram cerca de 10% a partir das mínimas recentes antes da inclusão oficial no Nasdaq-100. Portanto, investidores podem ter se posicionado previamente para capturar a demanda gerada pelos fundos indexados.
Outra variável importante envolve a futura ampliação da oferta de papéis. Cerca de 20% adicionais das ações da empresa deixarão de estar restritas após a divulgação do primeiro resultado trimestral, esperada nas próximas semanas. Com efeito, esse evento tende a reduzir parte do desequilíbrio entre oferta e demanda observado desde o IPO.
Bancos iniciam cobertura e elevam projeções para a ação
A terça-feira também marcou o fim do período de silêncio regulatório para os bancos que participaram da oferta. A lista inclui Goldman Sachs, Morgan Stanley, BofA Securities, Citigroup e J.P. Morgan. A partir disso, começaram a surgir os primeiros relatórios formais de cobertura da ação.
O Morgan Stanley iniciou a cobertura com sua recomendação mais alta e descreveu a SpaceX como a “fronteira final da IA”. Do mesmo modo, o Goldman Sachs também passou a cobrir o papel com sua classificação máxima. Segundo o banco, cada um dos principais segmentos de negócios da companhia pode evoluir para mercados de escala multitrilionária em um horizonte superior a cinco anos.
Outras instituições, como RBC, Bernstein e Stifel, também iniciaram cobertura com avaliações de topo. No caso da RBC, o destaque ficou para a Starship, veículo de lançamento reutilizável de nova geração da empresa. Segundo a instituição, esse projeto impulsiona as ambições estratégicas da SpaceX.
A Oppenheimer já havia atribuído recomendação de outperform em junho. Contudo, nem todas as avaliações seguem a mesma linha. A Morningstar estimou um valor de mercado mais próximo de US$ 780 bilhões para a companhia. Além disso, destacou incertezas ligadas às iniciativas de inteligência artificial, incluindo a xAI e a plataforma social X.
Entrada no S&P 500 ainda deve demorar
Em outra frente, a S&P Global rejeitou em junho a criação de um caminho acelerado para a entrada da empresa no S&P 500. Assim sendo, a SpaceX pode precisar esperar pelo menos 12 meses antes de ser incluída nesse índice. Por outro lado, a FTSE Russell adicionou a companhia aos seus índices de mercado dos Estados Unidos no mês passado. Já o ETF iShares Russell 1000 oferece exposição ao papel.
Em suma, a entrada da SpaceX no Nasdaq-100 ocorreu 15 dias após o IPO de 12 de junho, com peso estimado em 0,75% no índice. Além disso, a inclusão pode gerar demanda passiva entre US$ 4,3 bilhões e US$ 6 bilhões. Nesse meio tempo, cerca de 20% adicionais das ações devem ser liberadas após o primeiro balanço trimestral. Por fim, bancos como Goldman Sachs e Morgan Stanley iniciaram cobertura com suas recomendações mais altas, reforçando o interesse do mercado pela SPCX.