SpaceX pode cair abaixo de US$ 100 antes do balanço
Após uma arrancada inicial que levou as ações da SpaceX (NASDAQ: SPCX) à máxima histórica de US$ 225,64, o papel perdeu força rapidamente. Em seguida, a ação caiu abaixo do preço da oferta pública inicial, fixado em US$ 135, e fechou mais recentemente em US$ 115,26.

No acumulado desse movimento, a companhia perdeu cerca de US$ 250 bilhões em valor de mercado em relação à avaliação do IPO. Assim, a pressão vendedora passou a sustentar um cenário em que o ativo pode cair abaixo de US$ 100 no curto prazo.
Além disso, esse comportamento se aproxima de uma avaliação divulgada pela Morningstar pouco antes do início das negociações. Segundo a análise, o valor justo da ação estaria mais perto de US$ 70.
Valuation da SpaceX entra em choque com fundamentos
A correção recente reforça o alerta de analistas e comentaristas sobre a diferença entre a capitalização de mercado de US$ 1,77 trilhão no IPO e os números reportados no primeiro trimestre de 2026. Afinal, esse patamar colocou a SpaceX ao lado de Broadcom e Saudi Aramco em valor de mercado.
Enquanto a Broadcom informou receita superior a US$ 19 bilhões no primeiro trimestre, a SpaceX ficou abaixo de US$ 5 bilhões no mesmo período. Em contrapartida, a comparação com a Saudi Aramco é ainda mais dura.
A gigante internacional do petróleo registrou lucro líquido acima de US$ 33 bilhões em apenas três meses. Ao mesmo tempo, a nova empresa aberta de Elon Musk reportou prejuízo operacional de quase US$ 2 bilhões.
Esse contraste ajuda a explicar por que parte do mercado questiona a sustentação do valuation atual. Além disso, a diferença entre expectativa e execução ainda pesa na leitura de curto prazo.
SPCX enfrenta risco de perder o nível de US$ 100
O cenário imediato sugere poucos gatilhos capazes de interromper a queda da SPCX. Em primeiro lugar, o free float segue excepcionalmente baixo para o padrão de um IPO tradicional. Além disso, os insiders continuam impedidos de vender suas participações.
Até mesmo a entrada da companhia no índice Nasdaq-100, em 7 de julho, aparentemente não gerou pressão compradora relevante. Esse ponto chama atenção porque a inclusão acelerada no índice era vista, a princípio, como possível motor de compras automáticas por fundos indexados.
No entanto, a ausência de reação mais forte fortaleceu a leitura de que as ações da SpaceX podem testar níveis abaixo de US$ 100. Por outro lado, a trajetória da Palantir após entrar em um índice importante mostra um comportamento oposto.
A ação da Palantir subiu cerca de 30% no primeiro mês dentro do S&P 500. Posteriormente, acumulou valorização de aproximadamente 400% no primeiro ano. Dessa forma, a comparação amplia a percepção de que a SPCX não conseguiu capturar o mesmo efeito técnico.
Balanço de 4 de agosto pode alterar a leitura do mercado
Ainda assim, existe uma janela potencial para reversão com a divulgação do balanço em 4 de agosto. Caso os resultados superem de forma convincente as projeções dos analistas, o mercado pode revisar a tese de curto prazo.
Essa possibilidade ganhou força após a transformação recente dos negócios da empresa e os acordos de computação firmados com Google (NASDAQ: GOOGL) e Anthropic. Ao mesmo tempo, os investidores precisam analisar o relatório com cautela.
Apesar do contrato mensal de US$ 1,25 bilhão ligado a uma das empresas de inteligência artificial mais reconhecidas do mundo, a receita trimestral tende a ficar limitada por um desconto aplicado no período inicial. Essa informação foi divulgada simultaneamente à parceria.
Assim, o balanço de 4 de agosto pode funcionar como divisor de águas. Se os números surpreenderem positivamente, a ação pode recuperar parte das perdas. Contudo, se a expansão não aparecer de forma clara, a pressão sobre o papel pode continuar.
Projeções de longo prazo ainda sustentam parte do otimismo
No horizonte mais longo, projetar o comportamento das ações da SpaceX continua sendo uma tarefa complexa. De um lado, a relação entre receita, lucratividade e valuation segue como preocupação central. Nesse sentido, a visão mais pessimista da Morningstar encontra respaldo nos dados atuais.
De outro, grande parte do preço inicial da ação e da capitalização de mercado teve como base projeções futuras de expansão. Em algumas estimativas, a companhia poderia superar US$ 1 trilhão em receita até 2030. Isso representaria um salto de mais de 200 vezes em relação ao primeiro trimestre de 2026.
Além disso, a empresa indicou em seu documento S-1 um mercado endereçável total acima de US$ 20 trilhões. Ao mesmo tempo, Wall Street ainda parece comprar essa tese de crescimento.
O consenso para o papel segue em Strong Buy, com preço-alvo médio de 12 meses em US$ 243,81. Portanto, isso implicaria potencial de alta de 111,53% em relação ao último fechamento.

Dados obtidos em 23 de julho na plataforma TipRanks mostram que, mesmo após a correção acentuada, a ação SPCX ainda reúne 23 recomendações de compra, 5 neutras e apenas 1 de venda. Ainda assim, o papel segue muito abaixo da máxima de US$ 225,64, abaixo do preço do IPO de US$ 135 e com fechamento recente em US$ 115,26. Agora, o mercado monitora se o balanço de 4 de agosto será capaz de alterar essa dinâmica.