SpaceX recebe compra da TD Cowen com foco em IA
A SpaceX voltou ao radar de Wall Street nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, após a TD Cowen iniciar cobertura da ação SPCX com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 200. A tese do banco combina inteligência artificial, Starlink e serviços de lançamento, segundo notas de mercado publicadas pela The Fly e pela Seeking Alpha.
A chamada ganhou tração depois de uma publicação do perfil de notícias de mercado @DeItaone, no X. O post resume a visão da TD Cowen de que o aluguel de capacidade computacional para IA pode se tornar o maior negócio da SpaceX já no primeiro trimestre de 2027.
Segundo a The Fly, a TD Cowen estima que o leasing de computação para IA represente cerca de 60% da receita da SpaceX em 2027. Além disso, a casa projeta crescimento anual composto de receita de 62% entre 2026 e 2031 e quase 1.000 lançamentos em órbita baixa por ano até 2031.
IA entra no centro da tese
A recomendação desloca parte da leitura sobre a SpaceX. Em vez de avaliar a companhia apenas como operadora de foguetes e de internet via satélite, a TD Cowen coloca a infraestrutura de IA como um possível eixo de crescimento nos próximos anos.
A Seeking Alpha informou que a corretora vê a computação terrestre para IA como a maior oportunidade de receita de curto prazo da empresa. No entanto, a própria leitura depende de forte execução em três frentes: expansão de capacidade computacional, crescimento da Starlink e aumento da cadência de lançamentos.
Esse ponto interessa ao mercado de finanças digitais porque a infraestrutura de IA virou um tema transversal. Empresas de nuvem, fabricantes de chips, redes descentralizadas de computação e negócios ligados à inteligência artificial disputam capital institucional. Nesse contexto, a SpaceX aparece como uma companhia que combina escala física, acesso a capital e demanda por computação avançada.
Ainda assim, as projeções da TD Cowen devem ser tratadas como estimativas, não como resultado garantido. O crescimento previsto exige investimentos elevados, fornecimento contínuo de GPUs, energia disponível e contratos capazes de virar receita recorrente.
Contratos de computação sustentam o argumento
Documentos registrados na SEC ajudam a explicar a ênfase em IA. Em material relacionado à oferta pública, a SpaceX descreveu acordos com a Anthropic para acesso à capacidade de computação nos centros COLOSSUS e COLOSSUS II. A capacidade citada inclui aproximadamente 325 mil GPUs da Nvidia, além de CPUs, armazenamento em escala elevada e redes de alta velocidade.
Segundo o documento, a Anthropic concordou em pagar US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, com rampa inicial em maio e junho de 2026. Depois dos três primeiros meses, as partes podem encerrar os acordos mediante aviso prévio de 90 dias. SEC
Além disso, outro documento mostra que a SpaceX assinou, em 5 de junho de 2026, um acordo de serviços em nuvem com o Google. O contrato envolve acesso a cerca de 110 mil GPUs da Nvidia, além de CPUs, memória e componentes relacionados. O pagamento previsto é de US$ 920 milhões por mês entre outubro de 2026 e junho de 2029, com fase de rampa até setembro. SEC
Os números do segundo trimestre também reforçam a tese. A SpaceX reportou receita de US$ 2,56 bilhões no segmento de IA, alta de 213% sobre o trimestre anterior. A companhia informou capacidade computacional instalada de 1,4 gigawatt e US$ 14,1 bilhões em vendas contratadas por acordos de serviços em nuvem. SEC
Starlink e lançamentos continuam relevantes
A Starlink segue no centro da avaliação. No relatório do segundo trimestre, a SpaceX informou 12 milhões de assinantes ao fim de junho de 2026, o dobro do registrado um ano antes. A receita de conectividade somou US$ 4,29 bilhões no trimestre, com crescimento de 32% ante o trimestre anterior e 66% na comparação anual.
Em paralelo, a empresa alcançou um marco operacional em 28 de setembro de 2026. A Starship chegou à órbita pela primeira vez e levou 26 satélites Starlink mais avançados, segundo a Associated Press. A missão terminou antes do plano original por cautela, após problema em um motor durante a subida. Associated Press
Assim, a recomendação da TD Cowen reúne três narrativas em uma avaliação: crescimento de IA, expansão da Starlink e maior ritmo de lançamentos. Portanto, para investidores, o ponto central será acompanhar se a SpaceX conseguirá transformar contratos bilionários de computação em receita sustentável sem comprometer margens, caixa e execução operacional.
No entanto, o post de @DeItaone não antecipa resultado financeiro. De fato, ele resume uma nova leitura de mercado sobre a empresa. Nesse sentindo, a partir das notas de analistas e dos documentos regulatórios, a tese de compra depende menos de um único produto e mais da capacidade da SpaceX de integrar infraestrutura física, conectividade global e demanda crescente por IA.
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