SQD leva dados validados ao BigQuery do Google
A SQD passou a fornecer dados onchain validados de 10 redes blockchain ao BigQuery, plataforma de análise do Google Cloud. Com isso, desenvolvedores e empresas podem consultar históricos completos das redes desde seus blocos de gênese.
Antes da publicação, a SQD submete os registros de cada bloco a seis verificações criptográficas. O processo busca identificar informações ausentes, incorretas ou inconsistentes nos conjuntos de dados.
Integração adiciona históricos completos ao BigQuery
Em anúncio publicado em 24 de agosto, a SQD informou que a contribuição inicial abrange 10 redes. Dessa forma, os analistas podem examinar todo o histórico disponível, em vez de consultar apenas registros posteriores à integração.
A empresa não identificou todas as blockchains incluídas na primeira etapa. Também não apresentou um cronograma para adicionar o próximo grupo de redes ao serviço.
A iniciativa usa a infraestrutura da SQD 360, divisão empresarial da companhia. Ela fornece sistemas de indexação e pipelines ao Google Cloud Web3 Blockchain Analytics. Assim, os dados chegam ao mesmo ambiente usado para inteligência de negócios, aprendizado de máquina e análises em grande escala.
Seis verificações analisam cada bloco
O processo compara informações obtidas de múltiplas fontes e confere as raízes de transações e de estado. Esses valores criptográficos mostram se os registros correspondem ao estado subjacente da blockchain.
Os novos blocos também precisam passar pela validação durante as atualizações dos conjuntos. Portanto, as empresas podem analisar atividades sem criar indexadores, armazenar históricos completos ou manter uma infraestrutura separada para cada rede.
“A parceria com o Google Cloud Web3 para levar nosso padrão de dados validados ao BigQuery é um passo decisivo para a SQD e um forte sinal de que os dados blockchain de nível empresarial chegaram.” Wanja Oberhof, CEO da SQD, fez a declaração.
As empresas não divulgaram termos financeiros ou eventuais acordos de divisão de receita. Além disso, não apresentaram compromissos específicos de nível de serviço relacionados à parceria.
Rede descentralizada distribui armazenamento e consultas
A SQD opera uma rede descentralizada voltada à coleta, verificação, armazenagem e distribuição de informações produzidas por aplicações Web3. Nesse modelo, provedores de dados, operadores independentes e gateways dividem as tarefas.
Conforme a documentação da SQD Network, os provedores enviam os registros antes da distribuição das cargas. Em seguida, um agendador encaminha partes dos conjuntos aos nós de trabalho.
Esses operadores fornecem armazenamento e capacidade computacional, mantêm cópias dos registros atribuídos e respondem às consultas dos gateways. Para ingressar na rede, cada operador precisa vincular 100 mil tokens SQD.
Depois do registro, os operadores recebem recompensas conforme o tempo de atividade, o volume de dados servido e os tokens delegados. Contudo, violações comprováveis das regras podem gerar penalidades.
Gateways conectam usuários aos operadores
Os gateways conectam os consumidores de dados à rede de operadores. Por sua vez, a quantidade de SQD bloqueada pelo operador do gateway determina o número de solicitações disponíveis.
A empresa afirma que seu serviço completo cobre mais de 130 redes, embora apenas 10 participem da integração inicial. O produto Portal reúne informações históricas e em tempo real dos ecossistemas Ethereum Virtual Machine, Solana, Substrate e Bitcoin.
Diferentemente de um nó convencional, o sistema transforma registros brutos em conjuntos estruturados. Esses conjuntos incluem blocos, transações, logs, rastros e mudanças no estado das redes.
Na prática, os analistas podem pesquisar períodos extensos e comparar atividades sem reprocessar arquivos brutos a cada consulta. Esse formato também reduz a necessidade de manter ferramentas específicas para diferentes protocolos.
Google Cloud amplia consultas de dados onchain
O Google Cloud define o Blockchain Analytics como um serviço que disponibiliza informações indexadas no BigQuery para consultas em SQL. A linguagem permite pesquisar, filtrar e organizar grandes bancos de dados.
O produto oferece acesso a blocos, transações, logs de eventos e rastros de chamadas sem exigir a operação de nós. Além disso, empresas podem combinar informações onchain com registros internos.
Um serviço de carteiras, por exemplo, pode comparar transações com atividades registradas em seu aplicativo. Já uma equipe de compliance pode buscar transferências que envolvam endereços específicos.
No entanto, a precisão dos relatórios também depende da configuração das consultas, dos rótulos de endereços e das informações adicionadas pelo usuário. A validação da SQD não elimina falhas nessas etapas posteriores.
BigQuery reúne dados de redes desde 2018
O Google Cloud começou a oferecer registros de blockchain no BigQuery em 2018, inicialmente com o Bitcoin. Posteriormente, a empresa acrescentou Ethereum e outras redes ao catálogo.
Em 2023, o Google Cloud incluiu 11 conjuntos de dados, entre eles Avalanche, Arbitrum, Optimism, Polygon, Polkadot e Tron. A parceria com a SQD amplia esse modelo com registros submetidos às seis verificações.
Em julho de 2025, a OORT também listou um conjunto no Google Cloud Analytics Hub e em outros marketplaces empresariais. A oferta reunia 100 mil pontos enviados por usuários, com contribuições registradas onchain para facilitar a verificação de origem.
Integração pode atender empresas e agentes de IA
O Google Cloud também oferece serviços para aplicações que precisam interagir diretamente com redes blockchain. Em setembro de 2024, a empresa lançou um RPC de Ethereum com suporte inicial à rede principal e às redes de teste.
A prévia oferecia uma camada gratuita com até 100 solicitações por segundo e um milhão de solicitações diárias. Entretanto, endpoints RPC e conjuntos indexados atendem a necessidades diferentes.
Os endpoints fornecem informações atuais e permitem o envio de transações. Em contrapartida, os conjuntos do BigQuery favorecem pesquisas em grandes volumes de dados históricos.
Custos, localização e novos recursos
Os usuários podem consultar os conjuntos públicos pelo console do Google Cloud, por ferramentas de linha de comando ou pela API do BigQuery. O Google cobre o armazenamento dos conjuntos incluídos no Public Dataset Program, enquanto os usuários pagam pelo processamento das consultas.
A estrutura de preços oferece gratuitamente o primeiro terabyte mensal de processamento. Ainda assim, políticas internas de segurança podem restringir o acesso dentro das organizações.
A localização dos conjuntos também pode afetar empresas sujeitas a regras sobre o processamento de informações. Cada conjunto público possui uma região atribuída, mas o anúncio da SQD não informou onde armazenará os dados da integração.
Em maio, a Solana Foundation e o Google Cloud lançaram o Pay.sh, ferramenta que permite a agentes de inteligência artificial pagar APIs com stablecoins. O serviço oferece suporte a recursos como BigQuery, Gemini e Vertex AI.
O roteiro da SQD prevê funções para softwares automatizados recuperarem e analisarem registros validados dentro do Google Cloud. Porém, a empresa não detalhou os recursos, os sistemas compatíveis ou as datas de lançamento.
A SQD também pretende adicionar outras redes à iniciativa. Até o momento, a companhia não divulgou as próximas blockchains, os critérios de seleção ou o calendário de expansão.