Stablecoin: 46% na Ásia-Pacífico consideram uso até 2031
Quase metade dos consumidores da Ásia-Pacífico considera usar stablecoin nos próximos cinco anos, conforme uma pesquisa da Visa. O estudo apontou essa disposição entre 46% dos entrevistados. No entanto, somente 16% utilizaram esses recursos digitais nos 12 meses anteriores.
Assim, os dados revelam uma distância relevante entre interesse e adoção efetiva. A pesquisa Consumer 360 da Visa ouviu 14.250 pessoas entre 18 e 65 anos. O levantamento abrangeu 14 mercados da região entre junho e julho de 2026.
Entre eles estão China continental, Taiwan, Hong Kong, Japão, Coreia do Sul, Singapura e Malásia. O grupo inclui ainda Tailândia, Indonésia, Filipinas, Vietnã, Índia, Austrália e Nova Zelândia. Portanto, o levantamento reuniu consumidores de diferentes economias e mercados da região.
Quase metade dos consumidores da Ásia-Pacífico está aberta ao uso de stablecoins nos próximos cinco anos, aponta estudo da Visa.
Financial IT, no X.
Interesse por stablecoin cresce, mas uso continua limitado
Compras online, viagens, compras internacionais e transferências entre países aparecem entre os usos de maior interesse. Além disso, 49% acreditam que stablecoins podem se tornar uma forma comum de enviar dinheiro ao exterior em cinco anos. Nesse contexto, os consumidores associam esses recursos a atividades financeiras que já fazem parte da rotina.
Nischint Sanghavi, chefe de moedas digitais da Visa na Ásia-Pacífico, destacou possíveis aplicações em compras online, viagens e transferências internacionais. Já Vietnã e Índia lideraram a intenção de uso futuro, com 67% em cada mercado. Porém, o nível de conhecimento variou entre os países e territórios pesquisados.
Hong Kong apresentou a maior taxa de conhecimento, com 84%. Em seguida, a Índia registrou 80%, enquanto a Tailândia alcançou 77%. Apesar desses índices, poucos participantes demonstraram compreender corretamente o funcionamento desses recursos.
Compreensão sobre o funcionamento permanece baixa
Embora 66% dos participantes conhecessem stablecoins, apenas 6% demonstraram uma compreensão correta sobre seu funcionamento. Por outro lado, 41% acreditavam, incorretamente, que elas sempre se valorizam. Em geral, uma stablecoin busca manter um valor relativamente estável ao acompanhar uma referência, como o dólar americano.
Contudo, o preço pode se afastar do valor pretendido. As estruturas também variam conforme o emissor, as reservas disponíveis e o modelo de resgate. Entre os participantes que conheciam stablecoins, mas nunca as utilizaram, 38% citaram receios de fraudes ou golpes.
Enquanto isso, 36% apontaram a falta de entendimento como obstáculo. Esses consumidores também demonstraram preferência por provedores regulados. Organizações ligadas a governos ou bancos centrais lideraram, com 27%, seguidas por bancos e instituições financeiras reguladas, com 26%.
Visa amplia infraestrutura para pagamentos digitais
A Visa divulgou a pesquisa enquanto expande sua infraestrutura voltada a stablecoins. Em julho, a empresa lançou a Visa Stablecoin Platform. O serviço corporativo permite emitir, custodiar, transferir e resgatar stablecoins em um ambiente operacional.
Inicialmente, a plataforma começou com Open USD e entrou em testes beta com clientes selecionados. Os usuários podem conectar carteiras existentes ou utilizar a infraestrutura de carteiras da Visa. Paralelamente, empresas podem vincular contas bancárias e configurar controles para transferências e aprovações.
A estratégia mais ampla da companhia permanece aberta a diferentes unidades digitais e redes blockchain. Dessa forma, a empresa busca atender modelos variados de pagamentos e liquidações. A expansão também acompanha o crescimento dos programas vinculados a stablecoins.
Cartões e liquidações registram crescimento global
Em setembro, a Visa informou mais de 160 programas de cartões vinculados a stablecoins em operação global. O dado considera o segundo trimestre fiscal da companhia. Na comparação anual, o volume de pagamentos desses programas avançou quase 200%.
Por sua vez, o volume de liquidações com stablecoins superou um ritmo anualizado de US$ 20 bilhões em setembro. Em 1º de outubro, a Visa informou que programas empresariais e comerciais responderam por 17% do volume desses cartões. O percentual considera o ano fiscal de 2026.
Esses números têm alcance global e não devem ser confundidos com a pesquisa de consumidores da Ásia-Pacífico. Afinal, eles medem operações em andamento, enquanto o levantamento registra opiniões e comportamentos declarados. Na região, a Visa mantém projetos com parceiros como Crypto.com, Coinbase, StraitsX e Nium.
Hong Kong, Singapura e Japão estão entre os mercados que contribuem para a atividade de liquidação da companhia. Em abril, a Visa ampliou seu piloto de liquidação para nove blockchains. Naquele momento, o ritmo anualizado alcançava US$ 7 bilhões.
Investidores ricos mantêm maior exposição digital
Em uma pesquisa separada, a CoinShares identificou maior posse de recursos digitais entre investidores ricos dos Estados Unidos e de seis mercados europeus. A empresa reportou percentuais entre 54% e cerca de 70%, conforme o país. Nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, a posse chegou a 70%.
Entre os investidores que já possuíam esses recursos, 91% nos três países disseram que provavelmente elevariam sua exposição em 2026. A alocação média ficou próxima de 10% das carteiras nos sete mercados. Entretanto, as pesquisas avaliaram públicos distintos e não permitem uma comparação direta.
A Visa ouviu consumidores da Ásia-Pacífico. Em contraste, a CoinShares entrevistou 2.230 investidores com US$ 500 mil a mais de US$ 1 milhão em recursos investíveis. Dessa maneira, os dados indicam curiosidade crescente sobre stablecoin, mas também revelam obstáculos de compreensão e confiança.
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