Stablecoin: Casa Branca vê baixo impacto em bancos
A discussão sobre stablecoin nos Estados Unidos ganhou novo fôlego após a divulgação de um relatório do Conselho de Assessores Econômicos (CEA), em 9 de abril de 2026. O documento indica que permitir rendimentos nesses ativos tende a gerar impacto limitado no sistema bancário tradicional, contrariando parte das preocupações do setor.
Segundo a análise, a oferta de rendimento poderia elevar os empréstimos bancários em cerca de US$ 2,1 bilhões, o equivalente a aproximadamente 0,02% do crédito total. Assim, o número contrasta com projeções anteriores de instituições financeiras, que sugeriam uma possível migração relevante de depósitos.
“As recompensas em stablecoins não devem prejudicar os bancos. Apesar da controvérsia em torno do CLARITY Act, a leitura predominante agora aponta para um resultado amplamente positivo.”
Com efeito, o relatório enfraquece um dos principais argumentos usados por bancos para frear o avanço do CLARITY Act, proposta que busca estabelecer regras mais claras para ativos digitais. Ao mesmo tempo, o movimento sinaliza uma tentativa do governo de destravar negociações e acelerar o debate no Senado.
Disputa regulatória ganha intensidade
A regulação de stablecoins tornou-se um dos temas mais sensíveis do mercado cripto nos Estados Unidos. De um lado, bancos argumentam que o pagamento de rendimentos pode reduzir depósitos. Por outro, empresas de tecnologia e do setor cripto avaliam que o impacto tende a ser limitado.
Esse embate ganhou força após a aprovação do GENIUS Act, em julho de 2025. A lei exige que emissores mantenham reservas equivalentes a 100% dos tokens, lastreadas em dólar ou títulos do Tesouro dos EUA. Além disso, a norma proíbe o repasse direto desses rendimentos aos usuários.
No entanto, a legislação deixou espaço para interpretações. Corretoras podem oferecer recompensas vinculadas a saldos em stablecoins, o que abriu caminho para iniciativas como produtos baseados em USDC pela Coinbase.
Já o CLARITY Act busca estender essa restrição também às exchanges. Como resultado, a proposta enfrenta resistência e contribui para o atual impasse legislativo.
Impacto estimado sobre bancos
O relatório do CEA também questiona estimativas de entidades como a Independent Community Bankers of America (ICBA), que projetavam perdas de até US$ 1,3 trilhão em depósitos para bancos menores.
De acordo com o governo, mesmo em cenários mais amplos, o aumento no crédito bancário poderia chegar a cerca de US$ 531 bilhões. Desse total, aproximadamente 76% ficariam com grandes bancos, enquanto instituições menores absorveriam cerca de US$ 129 bilhões.
Assim, o argumento de proteção aos bancos regionais perde força, ainda que o relatório reconheça a existência de riscos. Nesse sentido, o documento sugere que esses riscos podem ser administrados com supervisão adequada.
Empresas de cripto e competitividade
Para empresas como Circle, Coinbase e Paxos, o desfecho regulatório pode redefinir a dinâmica competitiva do setor. Atualmente, os rendimentos gerados pelas reservas do USDC permanecem concentrados na Circle. Contudo, uma eventual liberação pode aproximar as stablecoins de produtos como fundos de mercado monetário.
Paul Grewal, diretor jurídico da Coinbase, afirmou que não há evidências de que recompensas em stablecoins provoquem fuga relevante de depósitos. Além disso, sugeriu que dados nesse sentido teriam sido pouco considerados no debate público.
“Um regulador que oferece transparência e abre espaço para comentários públicos está seguindo o devido processo regulatório.”
Embora o setor bancário ainda demonstre cautela, especialmente à luz de crises passadas, o relatório indica que os riscos podem ser menores do que o inicialmente projetado.
Negociações seguem no Senado
O avanço do CLARITY Act depende diretamente das negociações no Senado, lideradas pelos senadores Thom Tillis e Angela Alsobrooks. Em março de 2026, houve um acordo preliminar com a Casa Branca para dar continuidade às discussões.
No entanto, o texto final ainda não foi definido. Ele deve equilibrar demandas do sistema bancário e da indústria de ativos digitais. Enquanto isso, o projeto segue parado no Comitê Bancário desde janeiro.
Paralelamente, o GENIUS Act continua servindo como base regulatória. Portanto, qualquer mudança que permita rendimentos exigirá apoio político adicional.
Em resumo, o relatório do CEA reforça a leitura de que o impacto das stablecoins sobre bancos pode ser mais limitado do que se estimava. Como resultado, o documento tende a influenciar diretamente o ritmo e a direção da regulação nos Estados Unidos.