Stablecoin supera reservas de 95 países a US$ 322 bi
O mercado global de stablecoin alcançou capitalização recorde de US$ 322 bilhões em 26 de maio, com dados da DefiLlama. Com isso, o segmento passou a valer mais do que as reservas internacionais de 95 países, incluindo Reino Unido, Canadá e México.
Por outra leitura, apenas 14 nações mantêm reservas cambiais superiores ao valor hoje concentrado em tokens pareados ao dólar em blockchains públicas. Entre elas estão China, Japão, Rússia, Índia e Alemanha. Dessa forma, o dado mostra a escala que esse mercado atingiu dentro da infraestrutura financeira digital.
USDT e USDC concentram a maior parte do setor
A liderança segue com o Tether USDt (USDT), que responde por cerca de 59% de todo o mercado. Isso equivale a aproximadamente US$ 189 bilhões em circulação. Em segundo lugar aparece o USD Coin (USDC), da Circle, com cerca de 24% de participação, ou algo próximo de US$ 76 bilhões.
Juntas, essas duas stablecoins concentram aproximadamente 83% de todo o setor. Enquanto isso, o restante do mercado, que inclui ativos como DAI, FDUSD e emissores mais novos, divide os 17% remanescentes. Portanto, o quadro revela forte concentração em apenas dois emissores, ponto observado de perto por investidores e reguladores.
Desde o início de 2023, o mercado praticamente dobrou de tamanho. Além disso, somente em 2026, dezenas de bilhões de dólares foram adicionados à capitalização total. Boa parte desse avanço veio das entradas em USDT, o que reforça o papel central do ativo na liquidez do mercado cripto.
Crescimento reforça papel na infraestrutura financeira
Atualmente, as stablecoins cumprem três funções centrais no mercado de criptomoedas. Em primeiro lugar, servem como moeda base para negociações em corretoras. Em segundo lugar, atuam como camada de liquidação para protocolos de finanças descentralizadas. Por fim, ganham espaço em pagamentos internacionais.
Os volumes anuais de transações com stablecoins já somam dezenas de trilhões de dólares. Ademais, os tokens atrelados ao dólar concentram a maior parte absoluta da oferta em circulação. Assim, esse segmento se consolidou como uma ponte prática entre o sistema financeiro tradicional e a infraestrutura em blockchain.
Na prática, a expansão desse mercado resulta da combinação entre liquidez, rapidez operacional e previsibilidade de valor. Em um ambiente de alta volatilidade para outros ativos digitais, a stablecoin se firmou como instrumento de reserva temporária de capital e de movimentação entre plataformas, carteiras e protocolos.
Bancos centrais veem risco de fuga de capital
O Bank for International Settlements alertou para um cenário de dois lados. De um lado, as stablecoins tornam transações internacionais mais rápidas e baratas. De outro, abrem um canal eficiente para a saída acelerada de capital de mercados emergentes.
Quando cidadãos de países com moeda enfraquecida conseguem converter sua poupança em USDT por meio de um aplicativo no celular, os instrumentos tradicionais usados por bancos centrais tendem a perder eficácia. Nesse sentido, o capital pode sair do sistema financeiro local em minutos, sem necessariamente passar por uma conta bancária regulada.
Essa possibilidade amplia a preocupação das autoridades monetárias, sobretudo em economias mais vulneráveis a choques cambiais. Portanto, o avanço das stablecoins não aparece apenas como inovação de pagamentos, mas também como possível fator de pressão sobre mecanismos convencionais de controle financeiro.
Recorde amplia debate regulatório e visão dos investidores
Para investidores, a marca de US$ 322 bilhões vai além de um número simbólico. Com efeito, a capitalização de stablecoin costuma funcionar como um dos indicadores mais úteis para medir quanto capital está à espera de migração para ativos de maior risco, como Bitcoin e Ethereum.
Ao mesmo tempo, a estrutura concentrada do setor exige atenção. Um duopólio de 83% nas mãos de USDT e USDC significa que qualquer ação regulatória relevante contra um desses emissores pode gerar impactos em todo o ecossistema de criptomoedas. Além disso, a legislação sobre stablecoins em discussão no Congresso dos Estados Unidos prevê exigências semelhantes às aplicadas a bancos, incluindo regras de reservas e divulgação de informações por parte dos emissores.
Em suma, o novo recorde ajuda a dimensionar a mudança de escala desse mercado. Com US$ 322 bilhões em valor total, participação de 59% para o USDT, 24% para o USDC e volume superior às reservas cambiais de 95 países, o segmento de stablecoin amplia seu peso no mercado cripto e no debate regulatório internacional.