Stablecoins atraem VCs com volume de US$33 tri
O capital de risco no mercado de criptomoedas passa por uma mudança relevante em 2026. Em vez de priorizar projetos altamente especulativos, investidores direcionam recursos para infraestrutura de stablecoins, com foco em previsibilidade e utilidade prática. Assim, o setor começa a migrar de narrativas experimentais para soluções com aplicação direta no sistema financeiro.
Esse movimento ocorre, sobretudo, em virtude do crescimento expressivo dessas moedas estáveis. Em 2025, o volume de transações teria alcançado cerca de US$33 trilhões. Dessa forma, o mercado sinaliza uma demanda crescente por pagamentos eficientes e liquidação confiável, especialmente em operações globais.
Capital migra para infraestrutura financeira
Conforme aponta o setor, investidores vêm reduzindo exposição a iniciativas mais voláteis. Em contrapartida, priorizam plataformas que conectam ativos digitais ao sistema financeiro tradicional. Nesse sentido, soluções baseadas em stablecoins ganham espaço por oferecer pagamentos mais rápidos, custos menores e menor volatilidade.
Desde 2022, o financiamento para projetos cripto desacelerou de forma significativa. Em especial, áreas como Web3 e aplicações não financeiras perderam tração. Como resultado, fundos reavaliaram riscos e passaram a priorizar modelos com receita recorrente e maior previsibilidade.
Exemplos recentes reforçam essa tendência. A plataforma KAST levantou US$80 milhões em rodada Série A em março de 2026, atingindo avaliação de US$600 milhões. O investimento contou com Left Lane Capital, Peak XV Partners, HSG e DST Global Partners.
Além disso, outros aportes indicam o mesmo movimento. A Rain captou US$250 milhões em Série C e alcançou avaliação de US$1,95 bilhão. Ao mesmo tempo, a BVNK garantiu US$50 milhões em Série B, enquanto a Coinflow levantou US$25 milhões em Série A. Já a Stripe adquiriu a Bridge por US$1,1 bilhão, ampliando sua atuação em pagamentos com stablecoins.
Estratégia busca previsibilidade e escala
Esse redirecionamento ocorre porque investidores buscam maior previsibilidade operacional. Diferentemente de projetos experimentais, soluções baseadas em stablecoins apresentam casos de uso claros. Assim, facilitam a adoção institucional e ampliam o potencial de escala global.
Fatores que impulsionam o interesse institucional
O interesse crescente nas stablecoins está ligado à sua estabilidade e utilidade prática. Em outras palavras, esses ativos permitem liquidação previsível. Por isso, tornam-se adequados para pagamentos, remessas internacionais e gestão de caixa corporativa.
Outro fator relevante é o avanço regulatório. Nos Estados Unidos, discussões legislativas como o chamado GENIUS Act, em 2025, sinalizam maior clareza jurídica. Além disso, iniciativas na União Europeia e na Ásia ajudam a reduzir incertezas. Dessa maneira, instituições financeiras tradicionais passaram a observar o setor com mais confiança.
Como resultado, o volume de transações teria crescido cerca de 72% em relação ao ano anterior. Esse avanço aproxima as stablecoins de grandes redes globais de pagamento. Portanto, o setor deixa de ser apenas experimental e passa a ocupar um papel mais estrutural no sistema financeiro.
Crescimento sustentado por uso real
Ao contrário de ciclos anteriores, o crescimento atual se apoia em aplicações concretas. Ou seja, empresas utilizam stablecoins em operações reais. Assim, o mercado se fortalece com base em demanda efetiva, e não apenas em especulação.
Impacto no mercado global
A migração de capital de risco acelera a maturidade do setor cripto. Em vez de focar apenas em inovação conceitual, o mercado passa a priorizar infraestrutura funcional. Dessa forma, stablecoins se consolidam como base para pagamentos globais e liquidação internacional.
Projeções do Standard Chartered indicam que esse mercado pode alcançar até US$2 trilhões até o fim de 2028. O cenário reforça o potencial de crescimento e ajuda a explicar o interesse crescente dos investidores.
Atualmente, stablecoins já representam cerca de 30% do volume total de transações on-chain. Além disso, funcionam como porta de entrada para aplicações como finanças descentralizadas e ativos do mundo real tokenizados.
Base da nova infraestrutura financeira
Em conclusão, o avanço para trilhões em volume transacionado, aliado à participação institucional e à evolução regulatória, posiciona as stablecoins como elemento central da infraestrutura financeira baseada em blockchain. Assim, o setor entra em uma fase mais madura e orientada a resultados concretos.