Stablecoins: Senado dos EUA cobra papel dos estados

Um grupo bipartidário de senadores dos Estados Unidos pressiona o Departamento do Tesouro para preservar a autoridade estadual na regulação de stablecoins. Segundo os parlamentares, emissores menores não devem migrar para um modelo totalmente centralizado de supervisão federal dentro do GENIUS Act.

A senadora Cynthia Lummis liderou a iniciativa, com apoio dos senadores Kirsten Gillibrand e Bill Hagerty. Em carta enviada em 16 de junho ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, os congressistas pediram mais clareza sobre os critérios para estados supervisionarem emissores de stablecoins de pagamento sob a nova legislação.

Carta do Senado dos EUA ao secretário do Tesouro Scott Bessent sobre a implementação do GENIUS Act.

Fonte: Senado dos EUA

Senadores pedem regras claras para supervisão estadual

O debate ganhou força em uma fase crítica para a implementação do GENIUS Act. A norma é uma das atualizações regulatórias mais relevantes de 2026 para o mercado de ativos digitais nos Estados Unidos.

De acordo com os senadores, o Congresso buscou preservar o sistema bancário dual do país. Assim, os estados manteriam papel relevante na supervisão de negócios ligados a ativos digitais.

Pelo texto da lei, emissores de stablecoins com menos de US$ 10 bilhões em ativos poderão operar sob supervisão estadual. No entanto, os marcos regulatórios locais precisam ser substancialmente semelhantes aos padrões federais.

Em contrapartida, emissores acima desse limite continuariam sob fiscalização direta do governo federal. Hoje, apenas algumas das principais stablecoins superam US$ 10 bilhões, incluindo USDT, da Tether, USDC, da Circle, e USDS.

Dessa forma, o desenho regulatório tende a afetar principalmente empresas menores que tentam entrar ou ampliar atuação no mercado americano. Para esse grupo, a forma de certificação estadual pode definir custos, prazos e acesso competitivo.

Na carta, os parlamentares pedem que o Tesouro estabeleça procedimentos claros de solicitação e certificação para os estados. Além disso, defendem prazos definidos de análise e um processo contínuo de certificação, em vez de uma janela única de aprovação.

Os senadores também pedem flexibilidade para estados com calendários legislativos diferentes. Para eles, a ausência dessas orientações pode desestimular a inovação e reduzir a participação estadual no setor de stablecoins.

Limite de US$ 10 bilhões concentra atenção do mercado

O corte regulatório em US$ 10 bilhões virou o ponto central da discussão. Afinal, ele define quando a supervisão estadual termina e quando o controle federal passa a prevalecer.

Por isso, a interpretação do Tesouro poderá influenciar a estrutura competitiva do segmento. Reguladores locais, segundo defensores do modelo estadual, tiveram papel histórico na supervisão financeira americana.

Além disso, esse grupo sustenta que os estados podem reagir com mais rapidez ao avanço de novas tecnologias. Agências centralizadas em Washington, por outro lado, tendem a impor processos mais uniformes.

Os defensores do modelo estadual também afirmam que um ambiente regulatório competitivo pode atrair novos participantes. Ao mesmo tempo, esse modelo não dispensaria proteções robustas ao consumidor.

Enquanto isso, o interesse institucional por stablecoins cresce. Empresas financeiras preparam produtos desenhados para cumprir o novo marco regulatório e disputar espaço em pagamentos digitais.

Disputa regulatória vai além do GENIUS Act

A discussão sobre stablecoins expõe uma questão mais ampla na regulação de ativos digitais nos Estados Unidos. Em outras palavras, o debate opõe supervisão federal concentrada e autoridade estadual para estimular concorrência e inovação.

Esse embate ocorre enquanto o Congresso também avança em outro projeto relevante. Trata-se do CLARITY Act, proposta que se cruza com os esforços por regras mais claras para o setor.

Cynthia Lummis tem sido uma das principais defensoras da medida. A senadora argumenta que a clareza regulatória ajuda tanto a inovação quanto a proteção do consumidor.

O CLARITY Act dividiria responsabilidades de supervisão entre a Securities and Exchange Commission e a Commodity Futures Trading Commission. Além disso, a proposta ofereceria maior segurança jurídica para desenvolvedores, emissores de stablecoins e projetos de finanças descentralizadas.

Declarações recentes de Lummis também destacaram que o CLARITY Act pretende introduzir padrões modernos de divulgação de informações. Bem como isso, o projeto busca apoiar direitos de autocustódia.

A proposta ainda direcionaria mais recursos para agências de aplicação da lei que investigam fraudes ligadas ao mercado de criptomoedas. Assim, o debate combina inovação, proteção do investidor e capacidade de fiscalização.

Resultado pode redefinir o mercado de ativos digitais

Com as negociações sobre o GENIUS Act e o CLARITY Act em andamento, o resultado pode influenciar a regulação de ativos digitais nos Estados Unidos. Por conseguinte, a forma como o Tesouro conduzir a certificação estadual terá impacto direto sobre concorrência, inovação e acesso ao mercado.

No caso específico das stablecoins, os senadores pediram regras claras de certificação, revisão com prazos definidos e flexibilidade para calendários estaduais diferentes. Enquanto isso, o limite de US$ 10 bilhões segue separando supervisão estadual e federal, mantendo aceso um debate decisivo para o setor em 2026.