Stablecoins superam Visa e Mastercard em volume bruto

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As stablecoins já movimentam mais recursos em blockchains do que Visa e Mastercard, considerando o volume bruto. Projeções da Artemis e da Visa Onchain Analytics apontam transferências entre US$ 40 trilhões e US$ 46 trilhões em 2026. Em comparação, Visa e Mastercard processaram juntas cerca de US$ 23 trilhões no ano fiscal de 2024.

Contudo, os números exigem cautela. Parte relevante do volume on-chain vem de bots, atividade de MEV e transferências entre carteiras de corretoras. Ainda assim, dados filtrados mostram trilhões de dólares em pagamentos, remessas e liquidações.

Comparação entre stablecoins e redes de cartões

As estimativas variam conforme o período e a metodologia. O Standard Chartered calculou US$ 27,6 trilhões em volume de stablecoins em 2024. Já a Forbes informou US$ 33 trilhões em 2025, ante US$ 25,5 trilhões de Visa e Mastercard.

A Eco estimou US$ 13,2 trilhões para a Visa e US$ 9,76 trilhões para a Mastercard no ano fiscal de 2024. Por isso, as comparações devem ser interpretadas como faixas. Afinal, as empresas adotam calendários fiscais e definições de volume diferentes.

Comparação entre volume de stablecoins, Visa e Mastercard

Fonte: dados compilados pela Artemis.

 

FonteNúmeroPeríodo
Standard CharteredUS$ 27,6 tri em stablecoins2024
ForbesUS$ 33 tri em stablecoins; US$ 25,5 tri em Visa e Mastercard2025
EcoVisa: US$ 13,2 tri; Mastercard: US$ 9,76 triAno fiscal de 2024
The Motley FoolUS$ 7,1 tri em Visa e Mastercard1º trimestre de 2026
Artemis e Visa Onchain AnalyticsUS$ 40 tri a US$ 46 tri em stablecoins, projeção2026

 

Volume bruto e atividade orgânica

O volume bruto registra todas as transferências realizadas em blockchain. Portanto, inclui negociações automatizadas, MEV e movimentações entre plataformas. A ferramenta on-chain da Visa exclui esses fluxos e calcula entre US$ 9 trilhões e US$ 11 trilhões anuais em atividade orgânica.

Essa parcela representa aproximadamente 25% a 30% do volume bruto. Mesmo após o filtro, o resultado se aproxima do volume anual da Mastercard, estimado em cerca de US$ 10 trilhões. Paralelamente, pagamentos internacionais, tesouraria corporativa e financiamento de corretoras continuam avançando.

Os pagamentos B2B com stablecoins passaram de menos de US$ 100 milhões mensais, em 2023, para mais de US$ 6 bilhões em 2025. Conforme a Forbes, esse segmento representa cerca de 60% da atividade econômica real. Entretanto, a metodologia varia entre os analistas.

Volume bruto e orgânico de stablecoins

Fonte: Visa Onchain Analytics.

 

Transferências mensais e custos de liquidação

Dados de abril da Artemis mostram média mensal de US$ 3,8 trilhões em stablecoins no primeiro trimestre de 2026. A Visa processou cerca de US$ 1,3 trilhão por mês, enquanto a Mastercard movimentou US$ 850 bilhões. Assim, as stablecoins responderam por 64% do volume bruto entre os três sistemas.

Em outra medição, Visa e Mastercard movimentaram juntas US$ 7,1 trilhões no trimestre, ou cerca de US$ 2,4 trilhões mensais. Apesar das diferenças metodológicas, ambas as bases colocam as stablecoins à frente no volume bruto. Porém, o volume orgânico mensal ficaria entre US$ 750 bilhões e US$ 920 bilhões.

RedeVolume mensal no 1º tri de 2026Participação
Stablecoins, brutoUS$ 3,8 tri64%
VisaUS$ 1,3 tri22%
MastercardUS$ 850 bi14%

 

As stablecoins somam cerca de 250 milhões de carteiras, número inferior aos 8,4 bilhões de cartões em circulação. Em contrapartida, transferências em blockchain costumam custar entre 0,01% e 0,10%. Pagamentos por cartão cobram de 1,5% a 3,5%, enquanto remessas tradicionais custam entre US$ 15 e US$ 50.

Uma compra de US$ 10 mil por cartão nos Estados Unidos envolve entre US$ 150 e US$ 250 em taxas. O mesmo valor enviado em USDC pela Base ou Solana custa alguns centavos em gas. Da mesma forma, transferências de US$ 1 milhão em Tron e Solana geralmente custam menos de US$ 1.

Velocidade, alcance e proteção ao consumidor

As redes de cartões liquidam pagamentos aos lojistas em um ou dois dias, por meio de bancos. Por outro lado, stablecoins podem liquidar transferências entre dois e 15 segundos, sem interrupções. Uma remessa B2B tradicional pode levar de três a cinco dias úteis.

Um pagamento em USDC via CCTP ou LayerZero pode terminar em menos de 15 minutos. No entanto, as taxas dos cartões financiam recompensas, proteção contra fraude e reservas para contestações. Uma transferência direta de stablecoin não oferece automaticamente esses serviços.

Cartões de débito reduzem parte da diferença de custos. Isso ocorre porque a Regulation II limita a taxa de intercâmbio a cerca de US$ 0,22 a US$ 0,24 por operação. Logo, os custos dependem do tipo de cartão e da infraestrutura usada.

MétricaStablecoinsVisaMastercard
Liquidação média2 a 15 segundos1 a 3 dias1 a 3 dias
Taxa média0,01% a 0,10%1,5% a 3,5%1,5% a 3,5%
Aceitação por lojistasLimitada, mas em crescimentoMais de 130 milhõesMais de 100 milhões

 

Mercado e concentração das stablecoins

Dados da DeFiLlama indicam um mercado de US$ 315,3 bilhões em 5 de junho de 2026. O USDT tinha oferta de US$ 187,2 bilhões, enquanto o USDC somava US$ 75,6 bilhões. A CryptoQuant apontou que ambos respondiam por cerca de 88% do volume em abril.

O USDT domina mercados emergentes, especialmente na Tron, onde as taxas ficam abaixo de um centavo. Enquanto isso, o USDC lidera fluxos regulados e institucionais. A Circle abriu capital na NYSE em 2025 e possui conformidade integral com o MiCA na União Europeia.

O Citi calculou US$ 2,4 trilhões em pagamentos B2B liquidados com stablecoins em 2025. A instituição espera que esse número dobre em 2026. Na América Latina, transferências de varejo abaixo de US$ 10 mil cresceram 78% em março, conforme a Chainalysis.

Oferta de stablecoins por token

Fonte: CoinGecko e DeFiLlama.

 

Empresas ampliam integração com stablecoins

A Visa informou crescimento anual de quase 200% no volume de cartões vinculados a stablecoins. A empresa mantém mais de 160 programas e conduzia um piloto de liquidação em nove blockchains. Adicionalmente, cartões corporativos responderam por cerca de 17% do volume no ano fiscal de 2026.

A Stripe concluiu a compra da Bridge por US$ 1,1 bilhão em fevereiro de 2025. Depois, a Mastercard acertou a aquisição da BVNK por até US$ 1,8 bilhão, em março de 2026. A BVNK movimenta recursos em mais de 130 países e atende empresas como Worldpay, Deel e Flywire.

Visa, Mastercard e Stripe também discutiam uma plataforma conjunta, com possível participação da Coinbase, segundo a CoinDesk. Contudo, as conversas não representavam acordos finais. Os emissores ainda detinham US$ 155 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Regulação, riscos e projeções

Os cartões preservam ampla vantagem em distribuição e proteção ao consumidor. A Visa tem mais de 4,5 bilhões de cartões, enquanto a Mastercard supera 3,4 bilhões. Além do alcance, ambas oferecem chargeback, cobertura contra fraude e regras definidas de responsabilidade.

Nos Estados Unidos, o GENIUS Act virou a Lei Pública 119-27 em 18 de julho de 2025. A norma exige reservas de um para um, divulgação mensal e medidas contra lavagem de dinheiro. Na Europa, o MiCA está em vigor, enquanto os mercados asiáticos adotam modelos variados.

A concentração também representa risco, pois USDT e USDC respondem por quase 90% do volume. Falhas técnicas, sanções ou perda de confiança poderiam afetar corretoras e protocolos DeFi. Tether e Circle também podem congelar unidades para cumprir sanções.

As projeções divergem de forma expressiva. A Bernstein prevê entre US$ 80 trilhões e US$ 100 trilhões anuais em 2028. A Bloomberg Intelligence estima US$ 56 trilhões em 2030, enquanto a Morph prevê mais de US$ 50 trilhões em 2026.

Essa diferença decorre dos critérios adotados, pois algumas projeções incluem todo o volume on-chain. Outras consideram somente pagamentos. Nesse cenário, cartões tendem a preservar o varejo, enquanto stablecoins avançam em fluxos B2B, internacionais e programáveis.

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