Stablecoins viram infraestrutura de pagamentos, diz Fireblocks

As stablecoins ampliam rapidamente seu papel dentro do sistema financeiro global. Antes usadas principalmente como ponte entre moedas tradicionais e criptoativos, essas moedas digitais começam a operar como infraestrutura para movimentação de dinheiro em redes blockchain.

Segundo Jorge Borges, head de vendas e desenvolvimento estratégico de negócios da Fireblocks, o mercado já avançou além da fase inicial dessas moedas. Empresas e instituições financeiras passaram a utilizar stablecoins para liquidação de transações, pagamentos e distribuição de produtos financeiros digitais.

No início, essas moedas serviam sobretudo como representação digital de moedas fiduciárias dentro de exchanges, facilitando a compra de Bitcoin e outros ativos. Com o amadurecimento da infraestrutura blockchain, contudo, o uso começou a se expandir para aplicações financeiras mais amplas.

Hoje, organizações utilizam stablecoins para movimentar capital diretamente em redes descentralizadas. Além disso, empresas do setor financeiro exploram novas aplicações baseadas em dinheiro tokenizado.

Dados da plataforma RWA.xyz indicam que o valor total das stablecoins gira em torno de US$ 300 bilhões. Já o mercado de ativos do mundo real tokenizados soma cerca de US$ 26,78 bilhões.

A Fireblocks afirma ter presença relevante nesse ecossistema. Segundo a empresa, sua infraestrutura processa cerca de 15% do volume global envolvendo stablecoins, além de movimentar mais de 35 milhões de transações mensais e conectar mais de 300 bancos e provedores de pagamento.

Blockchain ganha espaço como infraestrutura financeira

Na avaliação de Borges, a evolução das stablecoins indica uma mudança estrutural na forma como o dinheiro pode circular digitalmente. Em vez de atuar apenas como instrumento auxiliar para negociação de criptoativos, esses ativos começam a servir como base para transferências financeiras em ambientes on-chain.

Nesse contexto, a blockchain passa a funcionar como uma nova interface para operações financeiras. A estrutura pode reduzir custos operacionais e acelerar liquidações internacionais. Além disso, empresas tendem a ganhar eficiência e escalabilidade nas transações.

“Antes elas representavam dinheiro fiduciário dentro do ambiente cripto. Agora estão sendo usadas para movimentar recursos e abrir caminho para novos produtos financeiros no ambiente on-chain”, afirmou Borges.

Ao mesmo tempo, o avanço das stablecoins levanta uma nova questão entre instituições financeiras: qual será o próximo passo dessa infraestrutura baseada em blockchain.

Tokenização amplia novas aplicações financeiras

Para o executivo da Fireblocks, a resposta pode estar na tokenização de instrumentos financeiros tradicionais. Nesse modelo, ativos como ações, títulos e outros produtos passam a ser representados digitalmente em redes blockchain.

Além disso, mercados preditivos e plataformas de negociação tokenizadas começam a surgir nesse ambiente. Essas estruturas utilizam dinheiro tokenizado como base para novas aplicações financeiras.

Borges avalia que um dos desafios atuais está na comunicação com investidores. O termo técnico “tokenização” ainda é pouco familiar para parte do público. No entanto, o interesse costuma aumentar quando as vantagens práticas da tecnologia são apresentadas.

Entre os possíveis benefícios estão maior diversidade de produtos financeiros, flexibilidade nas negociações e acesso ampliado a oportunidades antes restritas a grandes instituições.

Ambientes tokenizados também permitem maior agilidade diante de eventos de mercado. Em alguns casos, investidores podem movimentar recursos fora do horário tradicional das bolsas.

Regulação brasileira acompanha evolução do setor

O avanço regulatório também influencia o desenvolvimento desse mercado. No Brasil, o Banco Central vem estruturando regras para prestadores de serviços de ativos virtuais e para empresas que operam com infraestrutura financeira baseada em criptoativos.

Segundo Borges, processos regulatórios mais rigorosos costumam gerar reações iniciais no setor. Ainda assim, eles tendem a estabelecer padrões mais claros de governança, segurança e controle de riscos.

Nesse cenário, algumas empresas podem rever estratégias ou buscar consolidação para cumprir exigências regulatórias e fortalecer suas operações.

Mesmo com regras mais exigentes, o executivo avalia que o Brasil permanece bem posicionado no cenário internacional. Investidores e empresas de outras regiões, segundo ele, demonstram interesse crescente no desenvolvimento do mercado local.

Na avaliação da Fireblocks, a combinação entre regulação, infraestrutura tecnológica e interesse institucional pode acelerar a adoção de stablecoins e de ativos tokenizados nos próximos anos.