Standard Chartered projeta Uniswap a US$ 100 até 2030

O Standard Chartered traçou uma projeção agressiva para o token Uniswap. O banco estabeleceu preço-alvo de US$ 100 para o UNI até o fim de 2030. A tese parte da expansão da tokenização de ativos e, além disso, da possibilidade de a infraestrutura de finanças descentralizadas, ou DeFi, transformar instrumentos fragmentados em liquidez utilizável.

Na tese apresentada, o banco assume que os ativos tokenizados podem atingir US$ 4 trilhões até 2028. Nesse cenário, a fatia efetivamente ativa em DeFi sairia de cerca de 3,5% hoje para 30% até 2030. Como resultado, as finanças descentralizadas poderiam concentrar mais de US$ 2 trilhões até o fim da década.

Em 16 de junho, os dados de mercado mostravam o UNI perto de US$ 3,02. O valor de mercado girava em torno de US$ 1,88 bilhão, com volume de negociação em 24 horas de aproximadamente US$ 353,9 milhões. Ao mesmo tempo, o mercado de criptomoedas somava cerca de US$ 2,27 trilhões, com volume diário na faixa de US$ 89,8 bilhões.

Infográfico comparando a liquidez aberta da DeFi com trilhos institucionais controlados para ativos tokenizados

Imagem: infográfico sobre liquidez aberta em DeFi e trilhos institucionais controlados para ativos tokenizados.

Tokenização pode ampliar o papel da DeFi

A leitura do Standard Chartered não depende apenas do crescimento da tokenização. Para que a projeção faça sentido, esses ativos precisam se tornar negociáveis em ambientes abertos. Além disso, precisam circular além de plataformas reguladas e fechadas. Em 2024, o banco afirmou, em estudo com a Synpulse, que os ativos reais tokenizados poderiam alcançar US$ 30,1 trilhões até 2034. O financiamento ao comércio exterior aparecia entre as principais categorias.

Essa mesma linha aparece no relatório de tokenização do Citigroup, publicado em junho de 2026. O banco projetou um mercado base de US$ 5,5 trilhões em ativos tokenizados até 2030. Em cenário otimista, a estimativa chegava a US$ 8,2 trilhões. Ainda assim, o Citigroup ponderou que modelos híbridos podem prevalecer, com instituições controlando emissão, distribuição e liquidação.

É justamente aí que surge a oportunidade para a Uniswap. Se o valor criado pela tokenização ficar restrito a plataformas bancárias, redes de corretoras, sistemas de agentes de transferência ou marketplaces aprovados, a DeFi aberta tende a ter papel menor. Por outro lado, se esses ativos precisarem circular entre stablecoins, colaterais e outros instrumentos tokenizados, protocolos como a Uniswap podem ganhar centralidade.

Liquidez aberta segue como ponto central

Os dados da DefiLlama reforçam que a Uniswap já opera como infraestrutura de liquidez, e não apenas como emissora de um token de governança. No momento citado, o protocolo tinha cerca de US$ 2,89 bilhões em valor total bloqueado em várias redes. Além disso, acumulava mais de US$ 50 milhões em taxas em 30 dias.

Na prática, essa distinção importa para o mercado institucional. Emitir um fundo tokenizado é uma etapa. Em seguida, criar um ambiente em que ele possa ser negociado contra stablecoins, colateral e outros ativos digitais é outra. Portanto, o ponto central da tese do Standard Chartered é que essa camada de liquidez pode valer mais do que a simples emissão.

BUIDL mostra a ponte e a barreira

Um exemplo concreto dessa dinâmica é o fundo BUIDL, da BlackRock. Em fevereiro, a Uniswap Labs e a Securitize anunciaram que o BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund passou a ser negociável no UniswapX. A integração usa um modelo de RFQ, participantes pré-qualificados e assinantes em whitelist.

Na prática, isso significa que a tecnologia de DeFi está presente, mas o acesso continua controlado. Os detentores do BUIDL podem trocar o ativo por USDC por meio do UniswapX. Contudo, essa operação ocorre dentro de um sistema com barreiras de entrada. A estrutura original de lançamento do fundo, divulgada pela BlackRock, deixava isso claro: oferta para investidores qualificados, aporte mínimo inicial de US$ 5 milhões, transferências apenas para investidores pré-aprovados e ausência de listagem em bolsa.

Em 16 de junho, a plataforma RWA.xyz mostrava o BUIDL com cerca de US$ 2,37 bilhões em valor total de ativos e 108 detentores. Em outras palavras, os números sugerem que produtos tokenizados já podem ganhar escala on-chain sem se tornarem abertos ou amplamente componíveis dentro da DeFi.

A apresentação a investidores do próprio Standard Chartered, em maio de 2026, também citou a integração do BUIDL com a Uniswap para permitir distribuição e negociação. Assim, a Uniswap aparece dentro da infraestrutura institucional de ativos digitais que sustenta a tese para o UNI. Ainda assim, a nota exata de cobertura não foi divulgada publicamente.

Controle de acesso ainda limita a tese

Hoje, o caso BUIDL ocupa um meio-termo. Ele usa trilhos de DeFi para execução e liquidação, mas preserva restrições de identidade, transferibilidade e contraparte. Dessa forma, o desenho cria uma ponte para a infraestrutura descentralizada, sem liberar totalmente os ativos tokenizados para a liquidez aberta.

UNI ainda precisa capturar valor de forma clara

Mesmo que a atividade com ativos do mundo real cresça na Uniswap, isso não garante automaticamente valorização para os detentores de UNI. O token ainda depende de um mecanismo efetivo de captura de valor. A proposta executada UNIfication, registrada na Tally, descreve mecânicas de taxa de protocolo e queima de UNI. Além disso, afirma que a Uniswap busca se tornar a bolsa padrão para valor tokenizado.

Isso cria um caminho teórico para justificar valuations mais altos, mas também deixa claro que há condições a cumprir. Decisões de governança, configuração de taxas, integrações comerciais e volume real negociado precisam convergir. Por isso, o alvo de US$ 100 fica muito acima dos níveis atuais do mercado e também do topo histórico do UNI em 2021.

O debate institucional sobre tokenização fica mais concreto nesse ponto. Bancos e gestoras podem querer liquidação em blockchain, transferências 24 horas por dia, colateral programável e uso de stablecoins como trilho de pagamento. Ao mesmo tempo, esses agentes tendem a exigir KYC, restrições de transferência, contrapartes aprovadas e controle sobre os mercados secundários.

O Financial Stability Board descreve esse mercado como ainda pequeno em escala. O órgão também destaca desafios como estruturas de acesso limitado, falhas de interoperabilidade, restrições quanto aos ativos de liquidação e fragmentação entre plataformas. Nesse sentido, esses obstáculos podem impedir que ativos tokenizados virem inventário líquido e componível dentro da DeFi.

Se essas fricções continuarem predominando, a Uniswap pode permanecer como ponto de integração na borda da tokenização institucional. Por outro lado, se elas forem reduzidas, o protocolo poderá ganhar espaço como um dos ambientes onde fundos tokenizados, stablecoins e ativos nativos de blockchain se encontram.

O quadro final mostra uma tese ambiciosa, mas ainda condicionada à abertura real dos mercados tokenizados. O Standard Chartered projeta US$ 100 para o UNI até 2030, parte da premissa de US$ 4 trilhões em ativos tokenizados até 2028 e vê a participação da DeFi nesse mercado subindo de 3,5% para 30%. Enquanto isso, casos como o BUIDL, com US$ 2,37 bilhões em ativos e apenas 108 detentores em 16 de junho, indicam que a tokenização institucional avança sob forte controle de acesso e distribuição.