Stellar corta custo de ajuda da ONU a 2% na Síria

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUD, ou UNDP em inglês, firmou um novo acordo com a Stellar Development Foundation para usar a blockchain Stellar na distribuição de ajuda humanitária. Após mais de 16 meses de testes de campo, a agência decidiu transformar pagamentos em blockchain em uma ferramenta padrão para escritórios nacionais em diferentes regiões.

Durante esse período, as organizações testaram sistemas de pagamento em blockchain em 17 países. Os pilotos começaram no Haiti, na Síria, no Quênia, na Guatemala e na Gâmbia. Além disso, as equipes desenvolveram protótipos operacionais para Colômbia e Papua-Nova Guiné.

UNDP leva pagamentos em blockchain a 17 países

A Stellar Development Foundation, organização sem fins lucrativos, lidera o desenvolvimento da rede Stellar. A infraestrutura é de código aberto e tem foco em transações digitais rápidas e de baixo custo. Segundo o UNDP, os testes entregaram resultados concretos e mensuráveis. Assim, o projeto deixou a fase de prova de conceito.

Na prática, os experimentos trouxeram ganhos relevantes em custo e transparência. Em Aleppo, na Síria, as despesas de distribuição do programa Cash-for-Work caíram de 10% no sistema bancário tradicional para 2% com blockchain. Além disso, todos os participantes do programa receberam seus pagamentos.

No Haiti, os pagamentos-piloto registraram taxa de sucesso de 100%. Dessa forma, o UNDP reforçou a viabilidade operacional do uso de ativos digitais e infraestrutura distribuída em regiões onde a intermediação financeira tradicional pode ser mais cara, lenta ou limitada. Nesse contexto, o uso de stablecoin e trilhos digitais ganha força.

PaísProgramaResultado
Síria, AleppoCash-for-WorkCustos de distribuição caíram de 10% para 2%
HaitiTransações-piloto de pagamentoTaxa de sucesso de 100%

Ademais, os testes criaram registros permanentes para acompanhar o destino de cada dólar distribuído. O UNDP afirmou que esse nível de transparência tem valor especial em programas financiados por doadores, já que rastreabilidade e prestação de contas seguem como elementos centrais.

Estrutura permanente mira adoção global até 2027

A próxima fase prevê a transição dos pilotos para uma plataforma operacional duradoura, pronta para adoção em larga escala. O plano seguirá até 2027 e ficará sob coordenação do Alternative Finance Lab do UNDP, sediado no centro regional de Istambul.

Pelo novo acordo, o UNDP desenvolverá uma estrutura de governança e participação para orientar seus escritórios nacionais. Além disso, a agência pretende integrar ferramentas de pagamento já existentes aos programas locais. Já a Stellar Development Foundation fornecerá orientação técnica e coordenará a interação com o ecossistema de desenvolvedores. No entanto, a responsabilidade operacional dos programas continuará com o próprio UNDP.

Glossário rápido: stablecoin é um ativo digital normalmente atrelado a uma moeda fiduciária, como o dólar. Por permitir transações internacionais rápidas e baratas, esse tipo de ativo ganhou espaço sobretudo em regiões com acesso bancário limitado.

Blockchain e stablecoins avançam em regiões pouco bancarizadas

O movimento do UNDP ocorre em meio ao avanço do interesse por soluções baseadas em blockchain e stablecoins em áreas onde os serviços bancários são escassos e as taxas de transação são elevadas. Por exemplo, a Ripple investiu na fintech africana Flutterwave para ampliar o uso de sua stablecoin RLUSD e da rede XRP Ledger.

Além disso, países como Argentina, Bolívia, Colômbia e Venezuela surgem como mercados relevantes para emissores de stablecoins que tentam transformar os pagamentos locais. Assim, a Stellar passa a ocupar uma posição estratégica na infraestrutura escolhida por uma agência internacional para distribuir recursos em programas humanitários.

Vera Songwe, ex-subsecretária-geral da Organização das Nações Unidas, afirmou que, em alguns países em desenvolvimento, as stablecoins já superaram a ajuda em importância ao alcançar pessoas sem acesso a bancos.

Vera Songwe afirmou ao World Economic Forum que cerca de 650 milhões de pessoas na África seguem sem conta bancária. Ainda assim, muitas já possuem smartphones e conseguem acessar stablecoins com relativa facilidade. Ela observou que essa infraestrutura pode funcionar como alternativa de poupança em moedas mais estáveis, sobretudo em ambientes de inflação elevada.

Resultados reforçam eficiência, transparência e escala

No âmbito do acordo, as duas partes pretendem estabelecer uma estrutura sólida de governança, diretrizes operacionais e modelos de implementação para pagamentos em blockchain. Com isso, a meta é transformar esse modelo em padrão global nos programas do UNDP até 2027.

Como resultado, os testes em países como Síria e Haiti reduziram custos, elevaram a taxa de sucesso dos repasses e ampliaram a transparência sobre o destino de cada dólar. Portanto, a parceria com a Stellar Development Foundation entra agora em uma fase voltada à adoção permanente dessa infraestrutura.