Strategy cai com MSTR a US$ 85 e pressão no caixa
As ações da Strategy Inc. ampliaram as perdas nesta quinta-feira e chegaram a cair mais de 9%, no menor nível desde março de 2024. O movimento elevou para quase 30% a queda acumulada em cinco dias. Ao mesmo tempo, o Bitcoin recuou para abaixo de US$ 60.000, enquanto investidores reagiram à apuração sobre possíveis violações de valores mobiliários envolvendo a companhia.
Os papéis da empresa liderada por Michael Saylor recuaram para US$ 85 no meio do pregão, após abrirem a semana acima de US$ 117. Em um mês, a baixa soma cerca de 36%, ao passo que o Bitcoin cai 18,5% no mesmo intervalo.
A pressão aumentou depois que o Rosen Law Firm, em comunicado na BusinessWire, informou que apura potenciais alegações de fraude em valores mobiliários contra a Strategy. Segundo o escritório, a empresa pode ter divulgado ao mercado informações de negócios materialmente enganosas. A apuração envolve os cinco ativos negociados em bolsa ligados à companhia: MSTR, STRF, STRC, STRK e STRD.
Estrutura de capital amplia a tensão
Além da frente jurídica, analistas apontam que a Strategy enfrenta um aperto financeiro ligado à própria estrutura de capital. A companhia detém 847.363 Bitcoin, a maior reserva corporativa do mundo. Portanto, seu balanço fica altamente sensível à volatilidade do mercado cripto.
Com o recuo do Bitcoin, todas as aquisições feitas em 2024, 2025 e 2026 ficaram no vermelho. Como resultado, as perdas não realizadas da carteira chegam a aproximadamente US$ 10,6 bilhões.
A principal preocupação do mercado está no papel preferencial STRC. O ativo caiu para sua mínima histórica e passou a negociar na faixa de US$ 76, cerca de 24% abaixo do valor de face de US$ 100. Esse patamar importa porque a Strategy vinha usando a venda de ações preferenciais para financiar novas compras de Bitcoin.
Quando esse tipo de papel negocia abaixo do valor de face, a capacidade de levantar capital por esse canal perde força. Além disso, à medida que a empresa emitiu mais STRC nos últimos seis meses, suas obrigações anuais com dividendos saltaram de US$ 300 milhões no início de 2026 para US$ 1,2 bilhão. A alta foi de quatro vezes. No mesmo período, as reservas de caixa encolheram 38%.
Caixa e dividendos entram no radar
Em nota publicada em 23 de junho, a empresa de análise on-chain CryptoQuant recomendou que a Strategy suspenda as compras de Bitcoin. A firma também defendeu que a companhia recomponha sua posição de caixa para cerca de US$ 2,8 bilhões antes de retomar a acumulação. Segundo a avaliação, a cobertura dos dividendos despencou de mais de sete anos para aproximadamente 14 meses.
Os sinais indicam que a empresa já vinha desacelerando antes mesmo desse alerta. Na semana de 22 de junho, a Strategy comprou apenas 520 Bitcoin por cerca de US$ 35 milhões, uma fração do ritmo anterior. Ao mesmo tempo, direcionou US$ 300 milhões de uma oferta de ações ordinárias de US$ 335,5 milhões para reforçar o caixa, que passou a US$ 1,4 bilhão.
Até o momento, Michael Saylor não comentou publicamente a apuração do Rosen Law Firm nem o aviso da CryptoQuant. Ainda assim, os números mostram o centro da pressão atual sobre a Strategy: Bitcoin em queda, MSTR a US$ 85, STRC abaixo de US$ 100, perdas não realizadas de US$ 10,6 bilhões e obrigações com dividendos em US$ 1,2 bilhão.
MSTR expõe risco de financiamento da Strategy
A reação do mercado reflete dois focos de preocupação ao mesmo tempo. Por um lado, investidores monitoram o efeito da desvalorização do Bitcoin sobre o balanço da Strategy. Por outro, acompanham o impacto potencial da apuração jurídica e a dificuldade crescente de financiar novas compras sem elevar o custo de capital.
Na prática, a queda acelerada de MSTR e a fraqueza do STRC colocam a estratégia financeira da companhia sob escrutínio. O modelo da Strategy depende de acesso contínuo ao mercado para captar recursos, enquanto o caixa e a cobertura de dividendos perdem folga.