Strategy defende venda de Bitcoin para reforçar balanço

O CEO da Strategy, Phong Le, defendeu a venda de uma pequena parcela de Bitcoin pela empresa. Segundo ele, a medida ajudou a fortalecer o balanço patrimonial, apesar das preocupações dos investidores. A operação envolveu uma fração das reservas mantidas pela companhia.

Em entrevista divulgada na terça-feira, Le afirmou que a Strategy agora possui um “balanço à prova de balas”. Além disso, classificou a venda como a “operação certa naquele momento”. O executivo também destacou que a gestão de capital não depende apenas da cotação do Bitcoin.

Venda de Bitcoin integra estratégia de reservas

A Strategy continua como a maior detentora corporativa de Bitcoin. Na segunda-feira, a companhia retomou as compras após interromper as aquisições por 10 semanas. Antes disso, a empresa havia suspendido as compras em junho.

Depois da suspensão, a Strategy vendeu pequenas quantidades de Bitcoin e formou duas reservas de caixa. Nesse intervalo, a empresa buscou ampliar sua proteção financeira. Dessa forma, a administração reforçou a liquidez disponível no balanço.

“Nós realmente não tomamos decisões especificamente com base no preço do Bitcoin”, disse Le.

De acordo com o executivo, a Strategy permanece como acumuladora líquida de Bitcoin. Portanto, a empresa não define eventuais vendas apenas pela intenção de realizar lucros. Em vez disso, a administração considera uma equação de gestão de capital.

“Somos acumuladores líquidos. Por isso, não fico pensando: ‘Bem, quando vou vender Bitcoin novamente?’ A decisão se resume a uma equação matemática de gestão de capital”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Le afirmou que não prevê novas vendas durante o que considera um mercado de alta bastante forte. Contudo, ele não detalhou quais condições poderiam justificar outras operações. A decisão dependeria das necessidades de capital da companhia.

Strategy mantém 845.050 Bitcoins

Anteriormente chamada MicroStrategy, a Strategy atua no setor de software corporativo. Em 2020, a empresa começou a comprar e manter Bitcoin. Inicialmente, a estratégia buscava proteger os acionistas dos efeitos da inflação.

Desde então, a companhia intensificou as aquisições e passou a funcionar como uma tesouraria de Bitcoin. Atualmente, a Strategy detém 845.050 Bitcoins, avaliados em US$ 65,1 bilhões aos preços citados. Assim, permanece como a maior detentora corporativa da criptomoeda.

Investidores podem comprar ações da Strategy para obter exposição ampliada ao desempenho do Bitcoin. Os papéis são negociados na Nasdaq sob o código MSTR. Enquanto isso, a companhia também adota outras medidas para administrar seu capital.

Neste ano, a Strategy recomprou parte de suas ações preferenciais STRC, negociadas com desconto. A empresa também ampliou sua reserva em dólares. Com isso, buscou reforçar o balanço diante das oscilações do mercado.

Nos resultados trimestrais de julho, a companhia registrou prejuízo de US$ 8,22 bilhões. Ainda assim, Le minimizou a perda contábil atual. O CEO afirmou que os papéis da empresa voltarão a subir no próximo ano.

“Somos o J.P. Morgan da economia de criptomoedas. Para mim, vender 1.000 Bitcoins de um total de 840.000 é irrelevante para a discussão”, afirmou Le.

Na quarta-feira, as ações da Strategy recuavam 2%. Já no acumulado do ano, os papéis registravam queda de 22%.