Strategy pausa compras de Bitcoin e recompra STRC
A Strategy não comprou nem vendeu Bitcoin entre 19 e 25 de outubro. A companhia manteve 848.517 BTC em sua tesouraria durante o período. Ao todo, ela investiu US$ 64,02 bilhões nesses Bitcoins. Assim, o preço médio de aquisição ficou em US$ 75.446 por unidade.
Em vez de ampliar a posição, a Strategy destinou US$ 204,9 milhões à recompra de ações preferenciais STRC. Ao mesmo tempo, a companhia preservou uma reserva de caixa de US$ 4,83 bilhões. Esse montante ajuda a cobrir dividendos preferenciais e juros da dívida. Os números constam em comunicado divulgado pela empresa.
Bitcoin permanece como principal reserva da Strategy
A empresa de Michael Saylor construiu a maior reserva corporativa de Bitcoin do mundo com recursos captados no mercado. Para isso, recorreu a vendas de ações e emissões de dívida conversível para financiar as aquisições. No entanto, esse padrão mudou parcialmente ao longo deste ano, com pausas recorrentes nas compras. Mesmo nesses intervalos, o Bitcoin continuou como principal componente da tesouraria.
Em alguns casos, a interrupção durou somente uma semana. Depois de cinco semanas sem novas aquisições, porém, a companhia chegou a vender parte de seus Bitcoins. Portanto, a pausa mais recente não representa o primeiro intervalo sem compras. A Strategy também não informou quando retomará as aquisições.
Já em setembro, a Strategy recomprou US$ 176 milhões em STRC durante uma semana. Na mesma ocasião, ampliou seu programa de recompra de títulos de crédito digital. Com isso, o limite do programa passou de US$ 1 bilhão para US$ 2 bilhões. A operação atual mantém a prioridade sobre a recompra das ações preferenciais.
Recompra de STRC reduz obrigações preferenciais
A STRC é uma ação preferencial com dividendo variável, estruturada para negociar perto do valor nominal de US$ 100. Contudo, o papel ficou abaixo desse patamar durante as oscilações recentes do mercado. Nesse cenário, a recompra permite reduzir as obrigações vinculadas às ações preferenciais. Dessa forma, a companhia aproveita o desconto registrado no mercado.
Quando a Strategy retira US$ 100 de valor declarado por US$ 86,52, a redução da obrigação supera o caixa desembolsado. Como resultado, o Bitcoin líquido por ação aumenta. Essa relação ajuda a explicar a decisão de priorizar a STRC durante a pausa nas compras de Bitcoin. Porém, o benefício depende da negociação do papel abaixo do valor nominal.
Cotação mantém reservas acima do custo médio
Na segunda-feira, 26 de outubro, o Bitcoin era negociado perto de US$ 80 mil. Antes disso, a cotação caiu abaixo desse nível nas primeiras horas do mercado asiático. Uma liquidação durante o fim de semana levou o preço à faixa de US$ 79 mil. Assim, o Bitcoin atingiu o menor nível em mais de um mês.
Ainda assim, a cotação permanecia acima do custo médio de US$ 75.446 registrado pela Strategy. Com base nessa diferença, as reservas apresentavam ganho contábil de aproximadamente US$ 3,9 bilhões. Além disso, a reserva de US$ 4,83 bilhões reforçava a capacidade de cumprir compromissos financeiros. O cálculo considerava o preço do Bitcoin próximo de US$ 80 mil.
A capacidade de recomprar STRC depende do desconto em relação ao valor nominal. Ela também depende do caixa obtido com vendas de ações ordinárias. Neste ano, a Strategy concentrou mais fortemente seu financiamento nas emissões de ações. Por enquanto, a companhia não apresentou um cronograma para voltar a comprar Bitcoin.
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