Strategy perde US$ 8,22 bi com queda do Bitcoin
A Strategy, empresa de tesouraria em Bitcoin listada na Nasdaq e anteriormente conhecida como MicroStrategy, registrou prejuízo de US$ 8,22 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado refletiu a forte queda do Bitcoin no período, ainda que a companhia tenha seguido com captações de capital, ampliado sua posição no ativo e realizado pagamentos de dívida.
A empresa manteve sua estratégia de longo prazo centrada em Bitcoin, mesmo em um ambiente mais pressionado para o mercado de criptomoedas. Ainda assim, a correção do ativo reduziu o valor de mercado das reservas e atingiu diretamente o balanço trimestral.
Queda do ativo pressiona o balanço trimestral
A administração da Strategy citou enfraquecimento no sentimento dos investidores e aumento da volatilidade durante o trimestre. Nesse contexto, o CEO e presidente Phong Le afirmou que a companhia adotou medidas para reforçar sua estrutura financeira.
Durante o segundo trimestre de 2026, a Strategy fortaleceu seu balanço patrimonial enquanto enfrentava uma queda expressiva nos preços do Bitcoin.
Michael Saylor, presidente do conselho da companhia e principal defensor da estratégia centrada em Bitcoin, também indicou ajustes no modelo de negócios. Segundo ele, a empresa continua tentando consolidar o crédito digital como uma classe de ativos, ao passo que o ceticismo em torno do Bitcoin aumentou nos últimos meses.
Conforme os dados do período, o Bitcoin recuou com força desde a máxima histórica de US$ 126.080 registrada em outubro de 2025. Mais recentemente, o ativo era negociado a US$ 64.745. Dessa forma, acumulava queda de 26% no ano e desvalorização próxima de 50% em relação ao topo.
Reservas cresceram, mas valor de mercado caiu
Apesar da baixa, a Strategy ampliou suas reservas de Bitcoin em 11% durante o trimestre. A companhia passou a deter 843.775 Bitcoins, avaliados em cerca de US$ 54,6 bilhões com base nos preços mais recentes.
No entanto, a empresa interrompeu novas compras por cinco semanas e priorizou uma posição de caixa mais robusta. Assim, o contraste entre o aumento da reserva e o prejuízo contábil ficou mais evidente. Em outras palavras, a Strategy terminou o período com mais Bitcoins em custódia, mas sofreu com a queda do ativo no mercado.
A pausa temporária nas aquisições também sugere uma postura mais defensiva no curto prazo. Embora preserve sua tese de acumulação, a companhia buscou reforçar a liquidez em meio à deterioração das condições de mercado.
Ações MSTR seguem a direção do Bitcoin
As ações MSTR funcionam, na prática, como um veículo para investidores que buscam exposição alavancada ao Bitcoin. Por isso, os papéis também sofreram com a correção. Agora, são negociados mais de 80% abaixo do pico registrado em 2024, quando superaram US$ 500 por ação.
Quando o valor do Bitcoin cai, as ações da MSTR tendem a recuar. Esse comportamento reflete uma estratégia corporativa estreitamente vinculada ao desempenho da criptomoeda.
Ao mesmo tempo, a Strategy continuou ampliando seu leque de produtos. Um dos destaques é o STRC, estrutura voltada ao pagamento de dividendos e pensada para atrair investidores além do público interessado apenas em posições ligadas ao Bitcoin.
Convicção em Bitcoin exige mais liquidez
A fotografia do trimestre mostra uma Strategy ainda comprometida com sua política de acumulação de Bitcoin, mas sob forte pressão da queda do ativo sobre o balanço. A companhia encerrou o período com 843.775 Bitcoins avaliados em US$ 54,6 bilhões, reportou prejuízo de US$ 8,22 bilhões e suspendeu compras por cinco semanas para reforçar sua liquidez.
Como resultado, o desempenho da empresa em 2026 reforça a ligação direta entre sua estratégia corporativa e os ciclos do Bitcoin. Enquanto o ativo seguir volátil e distante da máxima histórica, os resultados da Strategy tendem a continuar sensíveis às oscilações do mercado cripto.