Strategy segue nos índices MSCI apesar das críticas

A presença da empresa Strategy nos índices MSCI reacendeu debates no mercado financeiro. Analistas e investidores discutem a relevância do modelo adotado pela companhia, que mantém Bitcoin como principal ativo de tesouraria. A seguir, o texto analisa por que, mesmo com críticas, a empresa continua enquadrada nos critérios do índice.

A MSCI considera fatores como tamanho de mercado, liquidez, volume de negociação e interesse institucional. No caso da Strategy, esses pontos permanecem sólidos. A ação é amplamente negociada nos Estados Unidos e conta com participação de grandes fundos, mantendo capitalização compatível com as exigências do índice.

No entanto, a estratégia de reter grandes quantidades de Bitcoin gera divergências na interpretação dos resultados financeiros. Apesar disso, a MSCI não exclui companhias apenas por adotarem modelos de gestão de ativos considerados não convencionais. Assim, manter Bitcoin no caixa não impede a permanência nos índices enquanto os requisitos formais estiverem atendidos.

Debate sobre critérios e modelo financeiro da empresa

O investidor Andy Constan reacendeu críticas ao afirmar que a Strategy se comporta de forma semelhante a um fundo negociado em bolsa. Segundo ele, o papel funciona como “um ETF alavancado 1,27 vez, negociando em seu valor patrimonial e pagando 10 por cento por sua alavancagem”.

Constan argumenta que análises tradicionais, como múltiplos de lucro, não se aplicam ao caso. Para ele, métricas como P/E não refletem o desempenho real da empresa, já que o balanço responde diretamente à volatilidade do Bitcoin. Portanto, o uso de indicadores clássicos resulta em leituras distorcidas sobre o valor da ação.

Além disso, o investidor afirma que, devido à natureza do negócio, a Strategy dificilmente atenderia às exigências do S&P 500, que demanda histórico sólido de lucros. Segundo ele, a dependência do comportamento do Bitcoin torna improvável que a empresa registre estabilidade suficiente para atender a esses requisitos.

Analistas discordam sobre classificação dos ativos

Outro debatedor, o analista Novacula Occami, rebateu interpretações sobre as ações preferenciais da Strategy, como o ticker STRC. Ele destacou que esses papéis representam participação societária e não configuram crédito digital. Assim, não garantem acesso direto ao Bitcoin detido pela empresa e oferecem menos proteção do que ações preferenciais tradicionais do mercado financeiro.

Occami ressalta que investidores precisam entender a exposição real ao adquirir esses títulos. Como não há direitos específicos sobre o principal ativo da empresa, a análise deve considerar o risco adicional associado a esse modelo societário.

No curto prazo, as observações de Constan e Occami intensificam discussões sobre a melhor forma de analisar a Strategy. Ainda assim, a permanência nos índices MSCI reforça que, tecnicamente, a companhia segue dentro dos parâmetros exigidos, mesmo que seu modelo continue gerando questionamentos regulatórios e metodológicos.