Strategy tem short em ações no pico de 10 dias

A pressão vendedora sobre as ações da Strategy, negociadas na Nasdaq sob o ticker MSTR, subiu na quinta-feira, 18 de junho. Dados da Fintel mostram que o índice diário de volume short avançou para 46,74, o maior nível em 10 dias. O movimento ocorreu após uma sequência de eventos negativos ligados à companhia associada a Michael Saylor.

Nos dias anteriores, a métrica orbitava a região de 40 por mais de uma semana. Ainda assim, ela caiu para 29,48 em 15 de junho, quando negociações entre Estados Unidos e Irã ajudavam o Bitcoin a subir mais de 7% em direção a US$ 67.000. Depois disso, porém, o ambiente mudou rapidamente. Afinal, cresceram as dúvidas sobre a estrutura de financiamento usada pela Strategy para ampliar sua exposição ao BTC.

Índice diário de volume short das ações da Strategy
Índice diário de volume short das ações da Strategy. Fonte: Fintel

Fonte: Fintel

STRC cai e amplia dúvidas sobre a estrutura da empresa

Na sexta-feira, 19 de junho, boa parte da atenção do mercado se voltou ao STRC. A ação preferencial é usada pela Strategy para ajudar a financiar compras de Bitcoin. O papel, divulgado com dividendo efetivo de 12,9%, recuou 11,4% em relação ao valor-alvo de US$ 100. Assim, passou a ser negociado a US$ 88,59.

Além disso, esse movimento forçou a Strategy a interromper o programa pouco depois de um episódio sensível no fim de maio. Na ocasião, o rendimento elevado havia levado a uma venda pequena em volume, mas danosa para a percepção do mercado. Por isso, Michael Saylor precisou contrariar a narrativa de compra e manutenção permanente do ativo digital. Ele vendeu 32 BTC em uma operação avaliada em cerca de US$ 2,5 milhões.

Essa alienação contribuiu para uma queda acelerada de 17% no preço do Bitcoin, segundo a narrativa apresentada ao mercado. Dessa forma, a sensibilidade dos investidores aumentou, sobretudo em relação à maneira como a Strategy financia sua exposição ao ativo.

Gráfico mensal do preço do Bitcoin
Gráfico mensal do preço do Bitcoin. Fonte: Google

Fonte: Google

Fala sobre inteligência artificial reacende críticas

Outro fator pesou sobre a confiança pública no STRC e no programa relacionado. Um trecho de entrevista concedida por Michael Saylor à CoinDesk em dezembro voltou a circular na rede X. Nele, o executivo disse que usou inteligência artificial em um brainstorming que ajudou a desenhar a estrutura do produto.

O trecho republicado pela CoinDesk afirma que Michael Saylor utilizou IA na concepção do STRC. A fala voltou a ganhar atenção justamente quando o papel preferencial passou a negociar perto de US$ 87, cerca de 13% abaixo do valor pretendido de US$ 100.

Fonte: CoinDesk no X

Embora a declaração tenha passado quase despercebida quando foi feita, a reação negativa ganhou escala apenas em junho de 2026. Ao mesmo tempo, o contexto em torno da inteligência artificial também mudou. Nos últimos meses, a narrativa de entusiasmo passou a enfrentar mais questionamentos, à medida que surgiram informações sobre custos elevados e casos de uso problemáticos.

Além disso, episódios recentes ampliaram esse desgaste. Um deles envolve a KPMG, que precisou retirar um relatório sobre IA. Segundo as referências mencionadas, o documento teve ajuda substancial de uma ferramenta de inteligência artificial e continha alucinações, como relataram o Financial Times e a GPTZero.

Ações MSTR acumulam queda de 74% em 11 meses

Enquanto o debate sobre o STRC e a atuação de Michael Saylor se intensifica, a própria ação da Strategy já vinha mostrando deterioração desde as máximas registradas em meados de 2025. Depois de disparar mais de 2.500% entre 2023 e 2025, o papel MSTR tombou 74% nos 11 meses mais recentes.

No momento citado, a ação era negociada a US$ 112,53, com baixa acumulada de 28,40% em 2026. Em contrapartida, o movimento também reforçou a percepção de que a correção da Strategy ocorreu de forma mais severa do que a do próprio Bitcoin.

Gráfico anual das ações da Strategy
Gráfico anual das ações da Strategy. Fonte: Google

Fonte: Google

Bitcoin sob pressão após Saylor comentar sobre a venda de ações da STRC.

Cerca de 20% dos mineradores agora não são lucrativos, e os mineradores de capital aberto venderam mais de 32.000 bitcoins no primeiro trimestre para cobrir custos operacionais, mais do que venderam em todo o ano de 2025.

Após cair abaixo de US$ 83 na quinta-feira, as ações da Strategy (MSTR) STRC se recuperaram e fecharam em torno de US$ 88. A forte queda havia gerado preocupação entre os investidores, e na manhã de sexta-feira, o presidente executivo da Strategy (MSTR), Michael Saylor, pareceu abordar a volatilidade com uma publicação no X :

“Os mercados estão fechados hoje. A volatilidade nunca é fácil. O Bitcoin continua funcionando. Nós também. Obrigado pelo seu apoio.”

A publicação representou o único comentário público da empresa após a venda das ações.

Mercado monitora exposição ao Bitcoin

A trajetória da Strategy guarda semelhança com a do Bitcoin, mas em ritmo mais extremo. A valorização das ações da empresa ocorreu de forma ainda mais acelerada do que a alta do BTC no ciclo anterior. No entanto, a correção do papel começou meses antes de o Bitcoin entrar em tendência de baixa.

Com isso, o avanço do volume short para 46,74, a queda do STRC para US$ 88,59, a venda de 32 BTC por cerca de US$ 2,5 milhões e o recuo de 74% das ações MSTR em 11 meses formam o conjunto de fatores que colocou a Strategy sob pressão. Agora, investidores acompanham tanto a estrutura de captação da companhia quanto os reflexos dessa estratégia sobre sua exposição ao mercado de criptomoedas.