Strive amplia reservas de Bitcoin e registra prejuízo
A Strive Inc., empresa de tesouraria corporativa fundada por Vivek Ramaswamy, ampliou sua exposição ao Bitcoin e atingiu 13.628 unidades até 17 de março de 2026. Com isso, a companhia passou a figurar entre as maiores detentoras corporativas do ativo.
O avanço ocorreu cerca de seis meses após o IPO, realizado em setembro de 2025. No entanto, apesar da rápida expansão, a empresa reportou prejuízo líquido de US$ 393,6 milhões no período encerrado em 31 de dezembro de 2025, conforme padrões GAAP.
Parte relevante da aquisição veio de investimentos privados e operações no mercado de ações, que somaram 5.886 Bitcoins. Além disso, a compra da Semler Scientific adicionou cerca de 5.048 unidades ao caixa.
Por outro lado, outros 2.694 Bitcoins vieram de operações estruturadas no mercado de capitais. Dessa forma, a estratégia combinou múltiplas fontes de financiamento para acelerar a acumulação.
Estratégia pressiona resultados no curto prazo
Os resultados refletem a volatilidade do mercado. Do prejuízo total, US$ 194,5 milhões correspondem a perdas não realizadas com o Bitcoin. Ou seja, quase metade do resultado negativo veio da oscilação do ativo.
Além disso, a empresa registrou US$ 140,8 milhões em impairment ligados à aquisição da Semler, bem como US$ 12,4 milhões em custos de transação. Consequentemente, esses fatores ampliaram o impacto negativo no balanço.
Quando ajustados esses itens, o prejuízo não-GAAP cai para US$ 208,2 milhões, equivalente a US$ 4,73 por ação diluída. Ainda assim, o resultado permanece relevante e evidencia o custo da estratégia adotada.
Métrica interna tenta destacar desempenho
A Strive criou uma métrica chamada “Bitcoin Yield” para medir o desempenho da sua carteira digital. Segundo a empresa, o rendimento foi de 22,2% no quarto trimestre de 2025. Já no início de 2026, o indicador marcou 13,8% até meados de março.
Esses percentuais equivalem a ganhos de 1.305 e 1.050 Bitcoins, respectivamente. Em termos financeiros, isso representa US$ 114,3 milhões e US$ 78,2 milhões. Assim, a companhia busca evidenciar crescimento operacional mesmo diante do prejuízo contábil.
Para sustentar a estratégia, a empresa recorreu a instrumentos financeiros estruturados. Em novembro de 2025, levantou US$ 148,4 milhões com ações preferenciais SATA. Em seguida, em janeiro de 2026, captou mais US$ 109,2 milhões.
Os recursos foram utilizados para quitar um empréstimo de US$ 20 milhões com a Coinbase Credit Inc. Além disso, viabilizaram a troca de ações por cerca de US$ 90 milhões em dívida conversível da Semler, conforme comunicado oficial.
Diversificação e visão de longo prazo
Apesar do foco em ativos digitais, a aquisição da Semler trouxe um novo segmento de atuação. A operação de saúde preventiva passou a ser controlada pela subsidiária Clinivanta. Em fevereiro de 2026, Michelle Fox assumiu como CEO da unidade.
Nesse contexto, a empresa busca diversificar suas operações enquanto mantém o Bitcoin no centro da estratégia. Segundo o CEO Matthew Cole, os primeiros meses como companhia aberta ajudaram a estruturar a base do negócio.
Ele também destacou que o instrumento SATA pode oferecer liquidez e escala, com potencial de retornos de dois dígitos e menor volatilidade relativa, o que tende a atrair investidores institucionais.
Até 17 de março de 2026, a Strive mantinha US$ 83,7 milhões em caixa e US$ 50,4 milhões em valor justo de ações preferenciais STRC. Em síntese, mesmo com prejuízo elevado, a empresa segue focada em expandir sua posição em Bitcoin, apoiada em engenharia financeira e expectativa de valorização do ativo.