Strive passa Coinbase e vira 7ª em reservas de Bitcoin
Compra de 1.109 BTC amplia caixa da Strive
A Strive, empresa de tesouraria em Bitcoin fundada por Vivek Ramaswamy, comprou mais 1.109 BTC entre 19 e 22 de maio. O formulário 8-K informa que a operação somou cerca de US$ 85,4 milhões, a um preço médio ligeiramente abaixo de US$ 77 mil por unidade.
Com a aquisição, a companhia passou a deter 16.500 Bitcoins em caixa. Além disso, alcançou a sétima posição entre as empresas de capital aberto com maiores reservas do ativo no mundo.
O avanço ganhou relevância porque colocou a Strive à frente da Coinbase Global, maior exchange de criptomoedas dos Estados Unidos em volume de negociação. A Coinbase aparece com 16.492 BTC em balanço.
A diferença é pequena em termos absolutos. Ainda assim, carrega peso estratégico. A Coinbase mantém ligação direta com a infraestrutura do mercado cripto. Já a Strive concentra sua proposta em acumular Bitcoin como eixo central do negócio.
Dessa forma, o contraste reforça como as tesourarias corporativas em BTC passaram a formar uma categoria própria. Elas já não dependem apenas de mineração, corretagem ou serviços financeiros ligados a criptomoedas.
A Strive também superou a Riot Platforms nesse recorte. No entanto, a dinâmica da Riot seguiu direção oposta. A companhia vem vendendo parte de suas reservas de Bitcoin para financiar operações ligadas a inteligência artificial e data centers, incluindo uma parceria com a AMD.
Em contrapartida, a Strive mantém foco direto na expansão de sua reserva em BTC. O documento protocolado na terça-feira detalha datas, preço médio e valor total da compra. Com efeito, a divulgação reforça o padrão de transparência esperado de companhias listadas.
Ranking de empresas públicas com Bitcoin fica mais disputado
A ascensão da Strive vai além de uma curiosidade estatística. Em primeiro lugar, o movimento reflete uma mudança estrutural no perfil das companhias que concentram parte relevante da oferta fixa do ativo.
Quando a então MicroStrategy, hoje Strategy, iniciou sua política de tesouraria em Bitcoin em agosto de 2020, a ideia ainda parecia incomum. A empresa ficou associada à liderança de Michael Saylor nessa tese. Hoje, porém, a prática se consolidou como estratégia corporativa reconhecida.
A diferença agora está na diversificação dos participantes. Empresas como MARA Holdings, antiga Marathon Digital, Galaxy Digital e Tesla ocupam posições importantes nesse universo. Além disso, a Strive introduz com mais clareza uma categoria voltada quase exclusivamente para acumulação de Bitcoin.
Essa distinção muda a forma como investidores avaliam cada negócio. Por exemplo, uma mineradora como a Riot Platforms precisa equilibrar reservas de Bitcoin com custos operacionais, investimento em equipamentos e despesas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial.
Já a Coinbase precisa manter Bitcoin por razões de liquidez operacional, custódia e fortalecimento de balanço. Contudo, sua receita principal vem de taxas de negociação e serviços institucionais.
No caso da Strive, a leitura tende a ser mais direta. Seu desempenho fica fortemente atrelado à capacidade de comprar e manter Bitcoin ao longo do tempo. Portanto, a estratégia de tesouraria se torna o principal vetor de avaliação da companhia.
Essa escolha implica maior concentração de risco. Ao mesmo tempo, oferece uma exposição mais intensa à valorização do ativo, caso o Bitcoin mantenha ciclos de alta no longo prazo.
Estratégia reforça tese institucional em BTC
O fato de a Strive ter superado a Coinbase em volume de Bitcoin chama atenção pelo reposicionamento. Afinal, a Coinbase é uma empresa pública de grande porte, com valor de mercado na casa de dezenas de bilhões de dólares em diferentes momentos.
Suas reservas de BTC representam apenas uma parte de sua estrutura de ativos. Já a Strive, sendo menor e mais nova, concentrou uma fatia proporcionalmente maior de capital em Bitcoin.
Por outro lado, a decisão da Riot Platforms de vender BTC para sustentar sua expansão em inteligência artificial revela uma tese distinta. A empresa parece apostar que retornos de longo prazo ligados a IA e data centers podem superar os ganhos de simplesmente manter Bitcoin em reserva.
Contudo, essa estratégia exige abrir mão de parte de um ativo escasso e potencialmente apreciável. Além disso, projetos de data centers e IA exigem capital intensivo, prazos longos e execução operacional consistente.
A compra da Strive também traz implicações mais amplas para o mercado de criptomoedas. Em segundo lugar, mostra que a demanda corporativa por Bitcoin continua firme mesmo em níveis próximos de US$ 77 mil por moeda.
Esse dado é relevante porque indica disposição institucional para acumular o ativo em patamares elevados. Como resultado, compras desse tipo podem ajudar a sustentar preços em momentos de pressão, embora não eliminem a volatilidade do mercado.
Além disso, a operação reforça a leitura de que algumas empresas tratam o Bitcoin como ativo principal de tesouraria. Nesse caso, ele não funciona apenas como uma posição especulativa de curto prazo.
Uma posição especulativa tende a ser reduzida quando o preço sobe ou quando a empresa precisa realocar capital. Já um ativo central de tesouraria costuma ser mantido como reserva estratégica de longo prazo.
Mercado acompanha efeitos contábeis e regulatórios
A estratégia da Strive se aproxima do modelo adotado pela Strategy. Assim, ela ajuda a consolidar uma narrativa dentro do mercado cripto: empresas criadas ou reorganizadas para oferecer exposição direta ao Bitcoin por meio do mercado acionário.
Esse modelo evita algumas complexidades operacionais de uma mineradora ou de uma exchange. Ainda assim, ele transfere para o acionista uma exposição mais concentrada ao preço do BTC.
Há também uma leitura importante sobre o perfil dos novos participantes. A Strive foi fundada por Vivek Ramaswamy, nome mais conhecido por sua trajetória política do que por atuação histórica no setor financeiro.
Nesse sentido, o fato de uma companhia associada a esse perfil ultrapassar empresas nativas do setor, como a Coinbase, sugere que as barreiras para adoção corporativa de Bitcoin podem ser menores do que muitos agentes imaginavam.
Do ponto de vista regulatório, o caso merece atenção. O formulário 8-K mostra conformidade com exigências de divulgação da Securities and Exchange Commission. À medida que mais empresas adotam tesourarias em Bitcoin, cresce a necessidade de regras claras sobre avaliação, reporte contábil e tratamento tributário dessas posições em balanço.
Como esses ativos podem refletir marcação a mercado, oscilações relevantes no preço tendem a gerar volatilidade nos resultados reportados. Por conseguinte, investidores passam a observar não apenas o volume de BTC acumulado.
O mercado também acompanha a capacidade de cada empresa sustentar essa exposição em ciclos de alta e de queda. Para a Strive, a nova compra reforça uma estratégia direta: ampliar reservas e disputar espaço entre as maiores detentoras corporativas de Bitcoin.