Sui adota assinaturas pós-quânticas para proteger chaves

A Sui anunciou a inclusão opcional de dois esquemas de assinatura pós-quântica para reforçar a segurança de contas e cofres financeiros.

Com a atualização, usuários poderão derivar chaves resistentes à computação quântica a partir das frases de recuperação que já utilizam. Assim, não precisarão mudar de endereço nem transferir fundos durante a migração.

A iniciativa busca antecipar ameaças que futuros computadores quânticos poderão representar para os sistemas atuais de assinatura digital. Para isso, a rede prepara mecanismos específicos para diferentes necessidades operacionais.

Como a Sui prepara as chaves para a computação quântica

Em um comunicado técnico, a Sui detalhou o uso do algoritmo ML-DSA-65 em contas nativas utilizadas no cotidiano da rede.

Ao mesmo tempo, contratos inteligentes Move voltados a cofres financeiros receberão o esquema SLH-DSA-SHA2-128s. O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, conhecido pela sigla NIST, padronizou os dois métodos.

Portanto, a equipe adotará padrões reconhecidos internacionalmente para ampliar a proteção da infraestrutura. O projeto também separa os esquemas conforme o perfil e o valor das operações.

Os desenvolvedores alertam que chaves públicas expostas podem enfrentar riscos futuros relacionados ao algoritmo de Shor. Esse algoritmo permitiria que computadores quânticos suficientemente avançados quebrassem métodos criptográficos usados atualmente.

Nesse cenário, criminosos poderiam armazenar chaves públicas agora e tentar decifrá-las quando equipamentos mais potentes estiverem disponíveis. A estratégia recebe o nome de “coletar agora e decifrar depois”.

Por isso, a Sui pretende implantar as defesas antes que exista capacidade computacional suficiente para executar esses ataques em escala.

“Preparando a Sui para a era quântica: a Sui está adicionando dois esquemas de assinatura resistentes à computação quântica e aprovados pelo NIST. Um será destinado às contas cotidianas, e o outro, aos cofres Move de alto valor.

As contas existentes podem migrar para uma chave segura contra computação quântica derivada de sua frase de recuperação. O endereço permanece o mesmo, e os fundos não são movidos.”

Sui, no X, em 6 de agosto de 2026.

Arquitetura permite atualização gradual

A arquitetura da Sui permite incluir essas assinaturas sem alterar as bases operacionais do mecanismo de consenso. Dessa forma, a equipe não precisará reconstruir a infraestrutura principal durante a transição.

O ecossistema tratará a implantação como uma atualização padrão de software. Com isso, a rede poderá incorporar os novos recursos sem impor mudanças estruturais imediatas aos aplicativos descentralizados.

Além do consenso, o modelo de contas da Sui admite a atualização das credenciais de autorização por meio de aliases. Logo, usuários poderão manter os endereços existentes enquanto adotam novas chaves.

Esquemas atendem a riscos operacionais diferentes

O ML-DSA-65 fornecerá uma margem de segurança maior que variantes mais leves da mesma família. A equipe priorizou a proteção de longo prazo, apesar do aumento no consumo de recursos computacionais.

Já o SLH-DSA-SHA2-128s funcionará em contratos Move responsáveis por proteger patrimônios de alto valor. Sua estrutura também mantém independência criptográfica em relação ao ML-DSA-65.

Desse modo, uma eventual vulnerabilidade em um dos esquemas não comprometeria automaticamente o outro. A combinação reduz a dependência de uma única abordagem de assinatura pós-quântica.

Os usuários não precisarão gerar novas frases de recuperação durante a migração. Em vez disso, poderão derivar as novas chaves das credenciais atuais e atualizar a autorização da conta.

Entretanto, chaves e assinaturas pós-quânticas ocupam mais espaço que os mecanismos atuais baseados em Ed25519. Como resultado, as transações que utilizarem essas ferramentas processarão um volume maior de dados.

Ainda assim, a implantação opcional permitirá que cada usuário ou aplicação avalie o momento adequado para adotar os novos padrões.

Cronograma prevê implantação até 2027

O cronograma prevê a chegada dos cofres pós-quânticos à rede principal da Sui em 2026. Enquanto isso, os testes do ML-DSA-65 para contas nativas devem começar na rede de testes no fim de 2026.

Depois, a equipe planeja ativar esse padrão na rede principal durante o primeiro trimestre de 2027. A implantação seguirá um modelo gradual, semelhante ao adotado anteriormente com zkLogin e passkeys.

Com essa abordagem, os componentes atuais do protocolo continuarão funcionando sem exigir adaptações imediatas. Os desenvolvedores poderão ajustar seus serviços conforme as necessidades de cada aplicação.

A adoção antecipada dos padrões reforça a preparação da Sui para vulnerabilidades futuras. Também amplia a capacidade da blockchain de responder aos avanços da computação quântica.