Sui planeja zerar taxas de stablecoins
A Sui apresentou um plano para permitir transferências de stablecoins sem taxas, com o objetivo de ampliar sua presença em pagamentos globais. A iniciativa foi detalhada por Adeniyi Abiodun, cofundador da Mysten Labs, durante a conferência Consensus 2026, em entrevista. Assim, a proposta posiciona a rede como alternativa direta aos sistemas financeiros tradicionais.
Além disso, a rede já processou mais de US$ 1 trilhão em volume de stablecoins desde agosto. Segundo Abiodun, esse marco reforça a capacidade da Sui de operar em larga escala. Dessa forma, a infraestrutura se apresenta como candidata a padrão global para movimentação de dinheiro digital.
US$ 1 trilhão em volume de stablecoins desde agosto é um número que chama atenção. Agora imagine se o próximo trilhão fosse transferido sem taxas.
Estratégia combina eficiência e inclusão financeira
O plano de eliminar taxas em transferências de stablecoins retoma conceitos explorados por projetos como Libra e Diem, da Meta. Nesse sentido, parte da equipe da Mysten Labs traz experiência direta dessas iniciativas. Assim, a proposta busca criar um sistema financeiro mais acessível e eficiente.
Atualmente, enviar US$ 100 para países como a Nigéria pode gerar custos de até US$ 35 em taxas. O exemplo, citado por Abiodun, evidencia limitações das infraestruturas tradicionais. Além disso, mostra como usuários comuns são impactados por custos elevados. Portanto, a Sui pretende eliminar essa fricção.
Ao mesmo tempo, a rede propõe transferências praticamente instantâneas e sem custos. Ainda assim, a iniciativa vai além da redução de taxas. A plataforma também planeja lançar pagamentos privados ainda em 2026. Com isso, pretende evitar a exposição pública de transações financeiras, algo comum em muitas blockchains.
Segundo Abiodun, usuários não deveriam aceitar um sistema em que suas movimentações sejam visíveis como publicações em redes sociais. Em outras palavras, contas financeiras não devem funcionar como feeds públicos. Portanto, a privacidade se torna um pilar central da estratégia.
Escala e desafios operacionais
Com efeito, operar em larga escala é essencial para competir globalmente. Nesse sentido, a Sui já demonstra capacidade técnica relevante. Ademais, a combinação de velocidade, baixo custo e privacidade cria um diferencial competitivo claro.
Por outro lado, desafios técnicos recentes indicam que a evolução ainda está em andamento. Em janeiro de 2026, a rede sofreu uma paralisação causada por problemas de consenso entre validadores. Anteriormente, em novembro de 2024, uma falha no agendamento de transações provocou interrupção de cerca de três horas.
Mesmo assim, a Mysten Labs segue expandindo sua infraestrutura. Dessa maneira, mantém o foco em consolidar sua posição no mercado de criptomoedas.
IA e segurança ampliam o escopo da Sui
Além das transferências sem taxas, a Sui aposta em um futuro orientado por inteligência artificial. Segundo Abiodun, agentes autônomos devem executar grande parte das transações financeiras. De fato, ele compara esse cenário com a internet atual, onde mais de 80% do tráfego já é automatizado.
Assim, a tendência é que o mesmo ocorra com o dinheiro. Esse modelo, conhecido como workflows agentic, pode se tornar um dos principais casos de uso das criptomoedas. Nesse contexto, a interação entre humanos e agentes tende a se tornar cada vez mais integrada.
Para viabilizar essa visão, a arquitetura da Sui foi projetada para suportar operações automatizadas. A rede permite incluir intenções criptografadas nas transações. Com isso, abre espaço para mecanismos como estornos e resolução de fraudes, mesmo quando agentes automatizados cometem erros.
Além disso, a segurança segue como prioridade. A Sui já testa assinaturas resistentes a ataques quânticos em sua testnet. A iniciativa antecipa possíveis exigências regulatórias previstas na União Europeia para 2030. Portanto, a rede busca se posicionar à frente de futuras demandas do setor.
Colaboração e crescimento do ecossistema
Abiodun também destacou a disposição de colaborar com o ecossistema do Bitcoin. Segundo ele, a Mysten Labs pode tornar open source suas pesquisas em computação quântica. Ainda assim, avalia que o Bitcoin deve lidar com essa ameaça de forma mais gradual, apesar dos valores potencialmente expostos.
Enquanto isso, o crescimento da rede aparece na atividade de desenvolvedores. De acordo com o executivo, houve aumento de cerca de 200%. Esse avanço resulta, segundo ele, de funcionalidades ainda não disponíveis em outras blockchains.
Em conclusão, a Sui combina escala, inovação e ambição estratégica. O marco de US$ 1 trilhão em volume de stablecoins, aliado à proposta de eliminar taxas e integrar inteligência artificial, reforça a tentativa de transformar a infraestrutura global de pagamentos.