Suspeito de golpe com Bitcoin é preso em Goiás
A Polícia Civil de Goiás prendeu um homem acusado de liderar um esquema de falsos investimentos com Bitcoin, que gerou um prejuízo estimado de R$ 360 mil. A ação integrou a Operação Chave Mestra, conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), que cumpriu também mandado de busca em sua residência. A investigação reforça a preocupação crescente com fraudes financeiras envolvendo cripto.
Esquema de investimentos falsos e consultoria fraudulenta
Segundo a Dercc, o suspeito se apresentava como consultor financeiro especializado na B3. Além disso, prometia rendimentos mensais por meio de operações de day trade e oferecia algo que chamava de “renda fixa em Bitcoin”. No entanto, esse tipo de rendimento garantido não existe, pois o ativo é altamente volátil. O que existe no Brasil é a Renda Fixa Digital, que não possui relação com retornos previsíveis em cripto.
A estratégia envolvia discursos técnicos e promessas de ganhos constantes. Assim, o consultor convenceu a vítima a firmar dois contratos. O primeiro previa uma consultoria básica, que levou à transferência de R$ 50 mil. O segundo, mais amplo, custou R$ 132 mil e incluía administração temporária dos recursos com supostos retornos ao fim do período.
Segundo a delegada Bárbara Natal Buttini, que concedeu entrevista ao Jornal Anhanguera, os relatórios enviados pelo suspeito eram unilaterais e impossíveis de confirmar. Portanto, serviam apenas para manter a vítima acreditando em rendimentos fictícios.
Etapa final do golpe e ocultação das transações
A terceira fase do golpe ocorreu quando o investigado criou um endereço de Bitcoin em nome da vítima. Confiando no falso consultor, a vítima transferiu cerca de R$ 175 mil em BTC para essa carteira. No entanto, as chaves privadas estavam exclusivamente com o suspeito, garantindo a ele controle total dos fundos.
Após receber os valores, o homem iniciou um processo de ocultação. Ele criou novos endereços e movimentou os ativos em várias transações, com o objetivo de dificultar o rastreamento. Mesmo assim, a Dercc conseguiu mapear as movimentações e identificou que os Bitcoins desviados foram concentrados em uma conta associada a uma corretora que atua no Brasil. Essa descoberta permitiu avançar na investigação e resultou na prisão do acusado.
A Polícia Civil segue analisando o caso para identificar outras possíveis vítimas e verificar se mais pessoas participavam do esquema. Além disso, a confirmação de que os valores convergiram para uma conta específica ajudou a compreender a dinâmica das operações e acelerou a ação policial.