Swan tenta intimar secretário dos EUA em disputa
A Swan Bitcoin protocolou um pedido em um tribunal dos Estados Unidos com o objetivo de obter autorização para intimar a Cantor Fitzgerald e seu ex-CEO, Howard Lutnick, atual secretário de Comércio do país. A iniciativa ocorre em meio a uma disputa mais ampla que envolve a Tether, além de alegações de conduta coordenada relacionadas a uma joint venture de mineração.
Segundo documentos judiciais, a empresa busca coletar provas para reforçar processos em andamento no exterior. Dessa forma, a estratégia amplia o escopo investigativo envolvendo executivos ligados à Tether na joint venture 2040 Energy.
Disputa envolve executivos e estrutura da joint venture
O pedido foi apresentado no Distrito Sul de Nova York com a finalidade de obter evidências consideradas relevantes. Nesse sentido, os dados seriam utilizados em ações internacionais contra figuras-chave do ecossistema da Tether.
O CEO da Swan, Cory Klippsten, afirma que os processos estrangeiros têm como alvo o CEO da Tether, Paolo Ardoino, o acionista controlador Giancarlo Devasini e o CEO da Bitfinex, Jean-Louis van der Velde. Além disso, a empresa sustenta que houve uma articulação coordenada para enfraquecer sua operação.
De acordo com a ação, os eventos teriam começado em meados de 2024. A Swan alega que um grupo de funcionários, liderado pelo então CIO Raphael Zagury, atuou em conjunto com membros ligados à Tether, incluindo o CIO Zachary Lyons. Assim, a empresa afirma que a operação da joint venture foi comprometida internamente.
Com efeito, registros internos indicariam um plano estruturado de desligamentos. Segundo a denúncia, o movimento teria contado com suporte jurídico associado à Tether. Em 8 de agosto de 2024, treze funcionários deixaram a empresa em poucas horas, enquanto documentos confidenciais teriam sido extraídos.
Nova empresa e venda de ativos entram no centro da disputa
Posteriormente, os ex-funcionários teriam criado uma nova entidade chamada Proton. Assim sendo, a empresa passou a operar, na prática, como substituta da joint venture original, mantendo parte da equipe anterior.
Além disso, a ação aponta que, em dezembro de 2024, diretores indicados pela Tether aprovaram a venda de ativos de mineração da 2040 Energy. Segundo a Swan, esses ativos foram transferidos para uma subsidiária ligada à própria Tether por valores abaixo do mercado, o que levanta questionamentos sobre governança e possíveis conflitos de interesse.
Relação com Cantor Fitzgerald amplia alcance do caso
A Cantor Fitzgerald e Howard Lutnick aparecem no centro do pedido judicial devido à sua possível ligação com os acontecimentos. Conforme o processo, Giancarlo Devasini apresentou Cory Klippsten a Lutnick semanas antes das demissões. O objetivo, à época, seria discutir um possível IPO da Swan Bitcoin.
Na ocasião, a empresa afirma que compartilhou dados confidenciais sobre mineração e materiais estratégicos relacionados à oferta pública. No entanto, após os eventos internos, a Cantor Fitzgerald teria interrompido o contato de forma repentina.
Além disso, anotações atribuídas a Klippsten indicam conversas com Devasini. Segundo o registro, Lutnick, ainda como cidadão privado, teria afirmado influência sobre discussões legislativas envolvendo stablecoins no Congresso dos EUA. A mesma anotação sugere que ele teria mantido relação próxima com a Tether naquele período, embora essas alegações não tenham confirmação independente no processo.
Pedido busca reforçar ações internacionais
Diante desse cenário, a Swan solicita autorização judicial para emitir intimações e coletar documentos e depoimentos tanto da Cantor Fitzgerald quanto de Howard Lutnick. O objetivo é fortalecer processos internacionais contra executivos ligados à Tether.
O gráfico diário mostra o valor total do mercado de criptomoedas em US$ 2,4 trilhões. Fonte: TradingView
Em suma, o caso reúne alegações relevantes, incluindo possível uso indevido de informações, disputas societárias e decisões corporativas controversas. Ao mesmo tempo, a tentativa de intimar uma autoridade de alto escalão indica a amplitude da disputa e pode ampliar a pressão jurídica sobre os envolvidos.