Tectonic: cofundador da RedStone descarta falha de oráculo

A Tectonic sofreu um ataque estimado em cerca de US$ 75 milhões. O incidente ocorreu após o preço reportado do TONIC subir aproximadamente 100 vezes em 20 minutos. Para Marcin Kazmierczak, cofundador da RedStone, controles frágeis sobre garantias causaram o problema, não uma falha do oráculo.

Em 30 de agosto, validadores da Cronos interromperam a produção de blocos após a Tectonic comunicar o incidente. O pesquisador independente Weilin Li estimou o valor afetado em aproximadamente US$ 75 milhões. No entanto, Tectonic e Cronos ainda não confirmaram a perda final.

Alta do TONIC ampliou o risco das garantias

Segundo a análise inicial de Li, o invasor elevou o preço do TONIC cerca de 100 vezes em aproximadamente 20 minutos. Em seguida, depositou os recursos inflados como garantia na Tectonic. Depois, tomou emprestados itens com liquidez mais consolidada.

O TONIC teria um fator de garantia de 20%. Assim, o protocolo permitia empréstimos equivalentes a até um quinto do valor reportado. Li identificou cerca de 364,6 trilhões de TONIC na posição analisada.

Para sustentar empréstimos próximos de US$ 75 milhões, a garantia precisaria valer aproximadamente US$ 375 milhões. Nesse contexto, a valorização temporária permitiu ampliar de forma significativa a capacidade de empréstimo.

Kazmierczak afirmou que o oráculo reportou corretamente o preço observado no pool monitorado. Contudo, a Tectonic teria aceitado a cotação sem avaliar a possibilidade de vender aquele volume pelo mesmo valor.

“O oráculo não estava errado. Ele reportou com precisão o preço do TONIC no pool que estava lendo naquele momento.”

Na prática, poucas operações podem elevar o preço à vista de um item com baixa negociação. Ainda assim, isso não significa que existam compradores suficientes para absorver grandes vendas naquele patamar.

“Reportar um preço e validar que um preço é seguro para empréstimos são dois trabalhos diferentes, e o desenho da Tectonic os confundiu.”

Recursos permaneceram em endereços identificados

A interrupção da rede manteve a maior parte dos recursos identificados na Cronos. Li calculou que cerca de US$ 6 milhões chegaram ao Ethereum. Enquanto isso, aproximadamente US$ 60 milhões permaneceram em um endereço na Cronos.

Também havia um segundo endereço com quase US$ 8 milhões. Com isso, a estimativa combinada do pesquisador chegou a cerca de US$ 75 milhões. Porém, a presença dos recursos nesses endereços não significa que os responsáveis já os recuperaram.

Cronos e Tectonic não confirmaram a atribuição dos endereços nem os cálculos apresentados por Li. Além do mais, a Tectonic pediu que os usuários não interagissem com o protocolo durante a investigação.

Limites de empréstimo poderiam reduzir as perdas

Kazmierczak defendeu limites de empréstimo vinculados à liquidez executável. Esse mecanismo restringe o total disponível conforme o volume de garantia que o mercado consegue absorver sem uma queda acentuada.

Dessa forma, uma alta repentina no preço reportado não elevaria automaticamente a capacidade de empréstimo. O limite consideraria quanto o protocolo poderia realmente vender em condições normais de mercado.

Fatores de garantia dinâmicos também poderiam reduzir a exposição. Da mesma maneira, limites de impacto no preço e exigências mínimas de profundidade ajudariam a conter o risco.

Apesar disso, Kazmierczak considera um limite de empréstimo bem definido a proteção mais robusta. Esse controle pode conter perdas mesmo quando outros parâmetros falham.

Na avaliação do executivo, a Tectonic aparentemente não utilizava essas proteções. Por isso, o protocolo aceitou uma garantia com liquidez limitada com base em uma valorização temporária.

Tectonic e Cronos não publicaram uma análise técnica posterior que confirme os controles ativos durante o incidente. Ao mesmo tempo, Kazmierczak alertou que uma janela maior de preço médio ponderado pelo tempo não resolveria o problema sozinha.

Janela TWAP não elimina o risco de liquidez

O TWAP calcula uma média de preços durante determinado período. Portanto, o mecanismo reduz a influência de oscilações muito breves. Entretanto, os protocolos precisam ajustar cada janela à liquidez e ao histórico de negociação.

Para Kazmierczak, uma alta de 100 vezes em 20 minutos representa um alerta sobre a própria garantia. Nesse caso, ampliar a janela apenas suavizaria o movimento sem solucionar a falta de liquidez.

Em outras palavras, uma cotação tecnicamente correta pode continuar inadequada para operações de empréstimo. Logo, protocolos precisam separar o reporte de preços da avaliação de segurança econômica.

Outros protocolos DeFi enfrentaram ataques semelhantes

O caso da Tectonic ocorreu após um ataque de US$ 8,7 milhões contra a Moonwell, na Base, em 27 de agosto. Empresas de segurança afirmaram que o invasor manipulou o valor de garantia do MAMO, que tinha liquidez relativamente baixa.

Posteriormente, o invasor tomou cbBTC emprestado no mercado mBTC do protocolo. Após o incidente, a Moonwell reduziu os limites de empréstimo em seus Base Core Markets para 1 wei.

A medida impediu novos empréstimos durante a investigação. Também houve uma redução dos limites de fornecimento de MAMO e WELL para 1 wei.

Kazmierczak comparou o episódio aos ataques contra Mango Markets e Moola Market, em outubro de 2022. A Mango Markets perdeu mais de US$ 100 milhões após Avraham Eisenberg elevar o valor de posições ligadas ao MNGO.

Em seguida, Eisenberg tomou outros recursos emprestados. Em 2024, um júri de Manhattan o condenou por fraude de commodities, manipulação de commodities e fraude eletrônica.

Por outro lado, um juiz federal anulou as condenações em maio de 2025. O magistrado citou problemas de jurisdição e provas insuficientes na acusação de fraude eletrônica.

Parâmetros de risco exigem avaliação especializada

De acordo com Kazmierczak, protocolos repetem esse tipo de exposição ao listar seus próprios itens de governança como garantia. A prática pode ampliar o uso do projeto e atrair depósitos.

No entanto, a listagem também exige controles compatíveis com a liquidez disponível. O executivo atribuiu a responsabilidade principal aos curadores de risco e prestadores que mantêm os parâmetros das garantias.

Participantes da governança podem aprovar a inclusão de uma garantia. Ainda assim, muitos votantes não dominam estrutura de mercado, risco de liquidez ou impacto no preço.

Cronos restaurou estado anterior ao ataque

A Cronos retomou as operações depois que os validadores restauraram a blockchain a um ponto anterior ao incidente. A rede classificou a paralisação como uma medida emergencial. Os validadores aprovaram a decisão por consenso para proteger os usuários.

A restauração removeu, da versão reiniciada da Cronos, as transações posteriores ao ponto escolhido. Enquanto isso, o aplicativo centralizado e a exchange da Crypto.com continuaram operando durante a paralisação.

Kris Marszalek, CEO da Crypto.com, afirmou que os fundos mantidos nesses serviços permaneceram intactos. Contudo, a Cronos ainda não explicou o processo técnico usado para selecionar e aprovar o estado restaurado.

A análise posterior prometida deverá abordar o ataque, a interrupção e o reinício. Até sua publicação, permanecem pendentes a confirmação da perda final e os detalhes sobre os controles da Tectonic.