Tensão política domina regulação cripto nos EUA
A regulação dos Estados Unidos voltou ao centro dos debates após uma semana marcada por choques entre autoridades e pressões políticas crescentes. O tema regulação cripto ganhou força, principalmente porque decisões judiciais, disputas institucionais e revisões legislativas elevaram a tensão no setor. Além disso, o ambiente eleitoral intensificou a disputa por controle sobre produtos financeiros digitais.
Pressão sobre o Federal Reserve gera alerta institucional
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que o Departamento de Justiça usou intimações para pressionar o banco central a rever políticas de juros. A declaração surpreendeu analistas, já que apontou possível interferência política direta em decisões econômicas consideradas fundamentais. Em seguida, Powell explicou que as intimações estavam ligadas ao depoimento de 2025, que abordou uma ampla reforma na sede da instituição.
O episódio ganhou repercussão porque sinaliza riscos à autonomia do Fed. Além disso, o setor cripto reage com cautela sempre que há indícios de instabilidade regulatória, já que oscilações políticas costumam afetar liquidez e confiança. Assim, o alerta de Powell ampliou preocupações sobre a influência de agendas partidárias na formulação de políticas financeiras.
Judiciário intervém em disputa envolvendo a Kalshi
A semana também trouxe uma decisão importante no Tennessee. Uma juíza federal suspendeu ações regulatórias estaduais contra a plataforma de mercados de previsão Kalshi. A magistrada afirmou que a empresa poderia sofrer prejuízos significativos sem essa proteção temporária. Além disso, destacou que o caso envolve questões complexas sobre limites de atuação entre reguladores estaduais e federais.
Esse movimento chamou atenção porque indica resistência crescente do Judiciário a tentativas de expansão de jurisdição por parte dos estados. Portanto, o desfecho pode influenciar discussões futuras sobre mercados derivativos e produtos vinculados ao ecossistema cripto.
Senado adia votação e amplia revisões no CLARITY Act
O Senado dos EUA adiou novamente a análise do Digital Asset Market Clarity Act, principal proposta federal para estruturar a regulamentação de ativos digitais. Em negociações recentes, senadores debateram temas sensíveis como a divisão de poderes entre SEC e CFTC, regras para stablecoins, critérios de classificação de tokens e proteção para protocolos DeFi. Além disso, analistas afirmam que a proximidade das eleições pode empurrar a votação final para 2027.
O senador John Boozman anunciou que a versão revisada será divulgada em 21 de janeiro, com votação prevista para 27 de janeiro. No entanto, o Comitê Bancário recebeu mais de cem emendas ao texto, o que revela divergências profundas dentro do Senado.
Críticas aumentam após riscos de ampliação de vigilância
No mesmo período, a Galaxy Digital afirmou que o texto preliminar poderia conceder ao Departamento do Tesouro poderes semelhantes ao Patriot Act. A empresa alertou que tais medidas permitiriam classificar categorias inteiras de transações digitais como riscos de lavagem de dinheiro. Assim, a liquidez do mercado poderia se fragmentar, prejudicando operações legítimas. A Galaxy fez essas observações ao destacar preocupações sobre excesso de vigilância.
A tensão aumentou após a Coinbase retirar seu apoio ao texto do Comitê Bancário. Brian Armstrong afirmou que a empresa não poderia apoiar uma proposta que ampliaria o alcance de fiscalização sem critérios claros. Portanto, o comitê decidiu adiar a votação.
Nova York busca ampliar criminalização de operações
No âmbito estadual, o promotor Alvin Bragg defendeu que operações sem licença sejam criminalizadas. Além disso, ele afirmou que plataformas não regulamentadas movimentam bilhões de dólares ligados a atividades ilícitas. Embora Nova York já possua regras rígidas, o estado quer reforçar o combate a crimes financeiros envolvendo ativos digitais.
Os acontecimentos da semana mostram que a regulação cripto continua dominada por tensões políticas, disputas institucionais e pressões entre governos federal e estaduais. Assim, decisões judiciais, discordâncias legislativas e reações de empresas moldam o ritmo da regulamentação, que segue longe de um consenso.