Tensões no Oriente Médio podem pressionar o Bitcoin, disse David Solomon
O Bitcoin pode enfrentar novas pressões conforme as tensões no Oriente Médio avançam. O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou em um evento em Sydney que a reação moderada dos mercados globais o surpreendeu, já que conflitos geopolíticos costumam gerar fortes quedas nos ativos de risco.
Segundo o executivo, investidores tendem a reagir de forma mais controlada quando não enxergam uma ameaça direta ao crescimento econômico global. No entanto, ele alertou que os impactos completos podem surgir nos próximos dias ou semanas, elevando gradualmente a volatilidade do mercado de cripto.
Impactos do petróleo e do dólar no mercado cripto
O conflito ampliou os preços do petróleo devido a preocupações com oferta, reacendendo temores inflacionários. Além disso, bolsas globais registraram leve recuo e o dólar americano se fortaleceu, movimento que aumenta a busca por ativos considerados mais seguros.
O S&P 500 registrou perdas semanais inferiores a 1%, após diminuir quedas anteriores. Apesar disso, o ambiente permanece sensível. No mercado de cripto, o impacto pode ser maior, já que ativos digitais apresentam forte volatilidade e tendem a seguir o comportamento das bolsas quando estas reagem de forma retardada, mas cumulativa.
A valorização do dólar e expectativas de inflação mais alta podem prejudicar o Bitcoin, especialmente se as condições financeiras ficarem mais rígidas nos Estados Unidos. Assim, movimentos de fuga ao risco podem pressionar ainda mais o setor cripto.
Economia dos EUA ainda sustenta parte do mercado
Apesar do cenário global instável, Solomon destacou que a economia dos Estados Unidos segue resiliente. Entre os fatores que sustentam o crescimento, ele mencionou uma política monetária mais flexível e um ambiente regulatório menos rígido, o que pode manter o ritmo de expansão.
Porém, o executivo observou que a combinação entre crescimento acelerado e petróleo caro pode dificultar o controle da inflação pelo Federal Reserve. Portanto, mudanças na liquidez e nas condições de crédito podem atingir diretamente o Bitcoin e outros criptoativos, que reagem rapidamente a ajustes no sistema financeiro.
Solomon também comentou que padrões de concessão de crédito parecem ter se tornado mais brandos nos últimos meses, aumentando riscos caso o crescimento desacelere repentinamente.
Mercado cripto se destaca por operar 24 horas
Enquanto isso, o mercado cripto ganhou visibilidade durante os recentes conflitos. Matt Hougan, CIO da Bitwise, afirmou que os ataques ocorridos no domingo entre Israel e Irã evidenciaram uma limitação dos mercados tradicionais, já que eles fecham aos finais de semana. Assim, plataformas cripto continuaram operando sem interrupções, registrando forte aumento de volume.
Blockchain reforça relevância em momentos de tensão
Durante o período em que as bolsas estavam fechadas, plataformas como Hyperliquid, o token XAUT lastreado em ouro e mercados de previsão tiveram recordes de negociação. Para Hougan, esse momento reforçou o papel crescente da tecnologia blockchain como alternativa funcional quando mercados tradicionais estão inativos.
O executivo acredita que instituições devem acelerar a adoção de stablecoins e soluções DeFi. Além disso, a tokenização de ativos como ações, ouro e petróleo pode tornar transações mais eficientes, embora desafios como alta volatilidade, riscos cibernéticos e menor proteção regulatória permaneçam no radar.
No curto prazo, fatores como tensão geopolítica, petróleo mais caro e dólar forte podem pressionar o Bitcoin. Ao mesmo tempo, a operação contínua das redes blockchain reforça a importância do setor em momentos de instabilidade global.