Tesla mantém 11.509 Bitcoin mesmo após queda de 22%
A Tesla manteve sua exposição ao Bitcoin inalterada durante todo o primeiro trimestre de 2026, mesmo diante de uma forte queda no preço do ativo. A empresa encerrou o período com 11.509 BTC em caixa, sem realizar vendas, ainda que o início do ano tenha sido um dos mais negativos da última década.
O relatório financeiro da companhia mostra que o saldo permaneceu intacto. Assim, a Tesla reforça uma estratégia de longo prazo, mesmo em um ambiente de elevada volatilidade. No período, o Bitcoin recuou cerca de 22%, saindo de aproximadamente US$ 90.000 no início de janeiro para cerca de US$ 68.000 no fim de março.
Queda do Bitcoin reduz valor das reservas
A desvalorização impactou diretamente o valor contábil das reservas digitais da empresa. Como resultado, os ativos caíram de cerca de US$ 1 bilhão para aproximadamente US$ 786 milhões até 31 de março, conforme dados de plataformas on-chain.
Além disso, a Tesla registrou uma perda após impostos de cerca de US$ 173 milhões ligada à sua exposição ao ativo. Em paralelo, estimativas com base em marcação a mercado indicam que a perda em valor justo pode ter alcançado aproximadamente US$ 222 milhões.
Esse desempenho ocorreu em um contexto mais amplo de aversão ao risco. Entre os fatores, destacam-se tensões geopolíticas, política monetária mais rígida do Federal Reserve e saídas relevantes de capital de produtos de investimento em criptomoedas ao longo de janeiro e fevereiro.
Ainda assim, a empresa optou por não liquidar suas posições. Em outras palavras, absorveu a volatilidade com foco no longo prazo. Posteriormente, essa decisão se mostrou parcialmente acertada, já que o ativo apresentou recuperação ao longo de abril.
Com efeito, o Bitcoin voltou a operar na faixa entre US$ 77.700 e US$ 78.000 no fim do mês. Nesse cenário, a posição de 11.509 BTC passou a valer cerca de US$ 900 milhões, recuperando parte relevante das perdas do trimestre.
Recuperação parcial e influência macroeconômica
Apesar da recuperação, o valor ainda permanece abaixo do pico observado em setembro de 2025, quando o Bitcoin superou US$ 126.000. Ainda assim, a Tesla mantém exatamente o mesmo volume de ativos desde janeiro de 2025, evidenciando consistência em sua estratégia.
Enquanto isso, o mercado cripto segue fortemente influenciado por fatores macroeconômicos. Decisões sobre juros e liquidez global continuam impactando diretamente o apetite por risco. Assim, ativos como o Bitcoin reagem rapidamente a mudanças no cenário econômico.
Além do ambiente externo, o posicionamento institucional também exerce influência. Grandes empresas, como a Tesla, afetam a percepção do mercado. Portanto, a manutenção das reservas pode ser interpretada como um sinal de confiança no longo prazo.
Histórico da Tesla com o Bitcoin
A relação da Tesla com o Bitcoin começou em fevereiro de 2021, quando a empresa adquiriu 43.200 BTC por aproximadamente US$ 1,5 bilhão. Pouco depois, em março do mesmo ano, vendeu cerca de 10% dessa posição, equivalente a 4.320 BTC, para testar a liquidez do mercado.
Posteriormente, durante o mercado de baixa de 2022, a companhia reduziu significativamente sua exposição. Naquele período, vendeu cerca de 75% de suas reservas restantes em níveis próximos ao fundo do ciclo, reduzindo o saldo para 9.720 BTC.
No início de 2025, a Tesla voltou a ampliar levemente sua posição. Desde então, mantém o volume atual de 11.509 BTC. Entre empresas de capital aberto, a companhia ocupa aproximadamente a 11ª posição em volume de reservas, ficando bem atrás da Strategy, que reportou 815.061 BTC.
Resultados financeiros do trimestre
Além da exposição ao Bitcoin, a Tesla apresentou resultados mistos no primeiro trimestre de 2026. A receita ficou entre US$ 22,39 bilhões e US$ 22,71 bilhões, levemente abaixo da expectativa média do mercado.
Por outro lado, o lucro por ação ajustado atingiu US$ 0,41, superando a projeção de US$ 0,37. Ademais, a receita automotiva alcançou cerca de US$ 16,2 bilhões, enquanto as assinaturas do sistema Full Self-Driving cresceram para 1,28 milhão.

Fonte: WuBlockchain
O fluxo de caixa livre subiu para US$ 1,4 bilhão, enquanto o lucro líquido atingiu US$ 477 milhões. As entregas de veículos totalizaram 358.023 unidades, abaixo das projeções. Em contrapartida, a produção superou 408.000 unidades no período.
Nesse contexto, o crescimento da Tesla passa a depender cada vez mais de preços, software e serviços, já que a demanda por veículos mostra sinais de moderação. Ainda assim, a empresa continua diversificando suas fontes de receita.
Em suma, mesmo diante da queda expressiva no preço do Bitcoin no início de 2026, a Tesla manteve sua posição inalterada. Com a recuperação parcial do ativo em abril, o valor das reservas voltou a se aproximar de US$ 900 milhões, reduzindo parte das perdas registradas anteriormente.