Tesla: Robotaxi infla ação, diz Gordon Johnson

O debate sobre a segurança e a viabilidade comercial do Robotaxi da Tesla ganhou força após dados da National Highway Traffic Safety Administration, a NHTSA, indicarem quatro meses sem acidentes com culpa atribuída ao sistema. Ainda assim, Gordon Johnson, fundador e CEO da GLJ Research, contestou a leitura otimista. Para ele, o projeto funciona, na prática, como um motor de valorização da ação.

Em publicação no X, Johnson afirmou que os números têm baixo valor estatístico, já que a frota autônoma segue pequena. Segundo o analista, a operação reúne 31 carros ativos. Desse total, apenas 14 rodariam em modo realmente não supervisionado. Além disso, os veículos circulam em áreas com geofence e contam com suporte humano remoto. Assim, na avaliação dele, esses fatores reduzem a força da tese de autonomia plena.

Um ano depois de eu chamar isso de "movimento para inflar a ação", a Tesla ainda opera com números modestos: 31 carros ativos, 14 em modo realmente não supervisionado, dentro de geofence e com suporte humano remoto.

Ademais, Johnson afirmou que a frota encolheu em relação ao pico de 140 veículos no fim de 2025. Dessa forma, a GLJ Research mantém a avaliação de que o Robotaxi ainda não provou escala operacional suficiente para sustentar o entusiasmo do mercado. Ao mesmo tempo, o analista reconheceu que a Tesla pode alcançar direção totalmente autônoma no futuro. Ainda assim, ele questiona o cronograma, sobretudo porque concorrentes parecem avançar com mais rapidez.

Segurança do FSD amplia pressão sobre a Tesla

As críticas ao Full Self-Driving, ou FSD, não partem apenas da GLJ Research. Em 16 de junho, o Electrek argumentou que o menor número de acidentes dos Robotaxis da Tesla exige contexto. Afinal, a comparação com empresas como a Waymo precisa considerar a diferença no tamanho das frotas. Em outras palavras, uma operação muito menor tende a registrar menos ocorrências.

Além disso, uma investigação da Reuters, publicada no fim de maio, apontou que a montadora pode ter apresentado seus relatórios de segurança de forma enganosa. A apuração também mostrou ceticismo interno sobre a tecnologia e sobre as estatísticas divulgadas pela empresa. Posteriormente, a agência informou que senadores dos Estados Unidos pediram revisão dos dados de segurança do FSD, em reportagem de 16 de junho.

Em outra frente, a Reuters afirmou que a Tesla também teria fornecido informações enganosas a reguladores europeus sobre a segurança do sistema. Nesse caso, a apuração envolveu documentos apresentados na Europa. Nesse sentido, o debate deixou de ser apenas técnico e passou a envolver reguladores e agentes políticos, o que aumenta a pressão sobre a companhia.

Mercado reage a atrasos e expectativas elevadas

O comportamento da ação indica que parte dos investidores demonstra menor paciência com o histórico de promessas adiadas. No acumulado de 2026, os papéis da Tesla caíam 7,63% e eram negociados a US$ 404,66. Além disso, o ativo não conseguiu sustentar duas recuperações recentes de curto prazo. A primeira ocorreu no início de abril. A segunda, de 20%, veio após a divulgação do relatório trimestral e durou até 11 de maio.

Gráfico do desempenho das ações da Tesla no acumulado do ano
Gráfico do preço das ações da Tesla no acumulado do ano.

Fonte: Google.

Com efeito, boa parte dessa sensibilidade decorre da expectativa em torno da ampla disponibilidade comercial do FSD e do Robotaxi. Em contraste com isso, a Tesla vem promovendo novos adiamentos. O mais recente, citado pelo Electrek, empurrou o lançamento para o quarto trimestre de 2026, na melhor das hipóteses.

Esse cenário ajuda a explicar por que o tema segue central para Wall Street. Muitos investidores ainda atribuem parte importante do valor da Tesla ao potencial futuro de autonomia em larga escala. Portanto, a precificação não depende apenas do desempenho atual da montadora. Por isso, cada atraso no cronograma afeta a percepção sobre crescimento, execução e credibilidade.

Ceticismo em Wall Street cresce em 2026

A pressão sobre a Tesla também aumentou entre analistas e gestores. Em 12 de junho, a GLJ Research reconheceu que o negócio principal da montadora pode melhorar nos próximos meses. A casa também admitiu a possibilidade de crescimento nas entregas. No entanto, manteve o preço-alvo de US$ 24,86 para a ação, o que reforça a enorme distância entre sua visão e a cotação atual.

Ao mesmo tempo, David Giroux, investidor de destaque e gestor de fundos, afirmou em meados de junho que a Tesla já não deve integrar o grupo conhecido como Magnificent 7. Em seu lugar, ele passou a preferir a Broadcom, listada na Nasdaq sob o ticker AVGO. O comentário foi feito em texto do MarketWatch reproduzido pela Morningstar.

Em suma, o centro da discussão permanece claro. Segundo Gordon Johnson, a Tesla opera com apenas 31 Robotaxis ativos, dos quais 14 estariam em modo realmente não supervisionado. Além disso, a operação ocorre dentro de área delimitada e com apoio humano remoto. Enquanto isso, a ação recua 7,63% em 2026, a US$ 404,66, e a expansão comercial do FSD foi novamente adiada para o quarto trimestre de 2026, no cenário mais otimista.