Tether congela US$ 45 milhões ligados à Xinbi

A Tether congelou mais de US$ 45 milhões em USDT ligados à Xinbi Guarantee, marketplace associado a golpes no Sudeste Asiático. Segundo a empresa de análise blockchain Bitrace, a medida atingiu ao menos 22 endereços operacionais. Além disso, a ação alcançou carteiras usadas para depósitos, transferências e saques. Com isso, a Xinbi começou a migrar sua estrutura de pagamentos para a stablecoin descentralizada USDD.

O Reino Unido sancionou a Xinbi Guarantee em março e classificou a plataforma como um importante marketplace de criptomoedas em língua chinesa. Na ocasião, as autoridades também identificaram a Xinbi como um centro de lavagem de dinheiro ligado a complexos de golpes no Sudeste Asiático. Portanto, o bloqueio ampliou a pressão sobre uma rede que já enfrentava escrutínio governamental. A iniciativa buscou interromper a circulação dos recursos, em vez de apenas imobilizar saldos conhecidos.

Endereços de USDT da Xinbi afetados pelos congelamentos
Endereços de USDT da Xinbi afetados pelos congelamentos. Fonte: Bitrace

 

Bloqueios atingem a infraestrutura de USDT da Xinbi

Nesse contexto, a Bitrace informou que a Tether bloqueou endereços recentes de depósito, intermediação e saque. A ofensiva também atingiu carteiras de saída operadas pela Xpay, serviço de pagamentos da Xinbi. Além disso, a Tether incluiu endereços de terceiros com vínculos financeiros estreitos com o marketplace. Assim, a medida comprometeu diferentes partes da infraestrutura usada para processar pagamentos.

Em comparação, uma ação contra o Huione Group congelou cerca de US$ 29,6 milhões em um único endereço durante 2024. Naquele caso, outras carteiras operacionais permaneceram disponíveis. Já na operação contra a Xinbi, a Tether restringiu canais de depósito, roteamento e retirada. Como resultado, o marketplace perdeu parte considerável de sua capacidade de movimentar recursos em USDT.

Tether bloqueia novos endereços em poucas horas

A Xinbi ativou novos endereços operacionais após o primeiro congelamento. No entanto, a Tether voltou a bloquear essas carteiras na noite de 8 de setembro, conforme relatou a Bitrace. Pouco depois, a segunda intervenção ocorreu menos de 12 horas após a ação inicial. Um endereço substituto movimentou 1,8 milhão de USDT antes da restrição, que reteve aproximadamente 37.839 USDT.

Enquanto isso, o alcance dos congelamentos incluiu operadores externos ligados financeiramente à Xinbi. Um serviço de balcão, conhecido como OTC, processou mais de US$ 72 milhões no ano anterior e entrou no perímetro da ação. Por outro lado, outro operador havia recebido menos de US$ 850 mil em depósitos por meio da Xinbi. Assim, as restrições mostram o uso crescente de congelamentos pela Tether em cooperação com autoridades.

Em abril, a empresa declarou que trabalhava com mais de 340 órgãos de 65 países. Enquanto isso, Tether, Tron e TRM Labs formaram a Unidade de Crimes Financeiros T3. Até maio, o grupo havia congelado mais de US$ 450 milhões em recursos ilícitos. De acordo com dados da Stable.rip, a Tether já incluiu mais de US$ 4 bilhões em USDT em sua lista de bloqueio. Portanto, a intervenção contra a Xinbi integra uma estrutura mais ampla de fiscalização.

USDD vira alternativa aos congelamentos diretos

Como a Tether bloqueava os novos endereços em poucas horas, a Xinbi decidiu trocar de stablecoin. A Bitrace relatou no X que o marketplace anunciou suporte exclusivo a transações em USDD. Diante disso, a Xinbi direcionou os depósitos à USDD, em vez de abrir novos canais baseados em USDT. A mudança busca contornar o mecanismo usado para interromper suas operações.

A USDD mantém paridade com o dólar americano e possui cerca de US$ 1,5 bilhão em circulação nas redes Tron e Ethereum. Conforme sua documentação, o projeto define a USDD como uma stablecoin descentralizada e sobrecolateralizada. O documento também afirma que nenhuma entidade central consegue congelar saldos de detentores individuais. Na prática, a estrutura difere do controle que a Tether exerce sobre os endereços de USDT.

Fiscalização passa a depender de intermediários

Análises ligadas à Bitrace identificaram recursos associados à Xinbi circulando pelo protocolo JustLend, da Tron, e pelo jUSDT. Outros fluxos passaram por exchanges descentralizadas e estruturas entre diferentes blockchains antes de acumular USDD. Dessa forma, a rede já testava rotas alternativas antes de anunciar a migração. A resistência a congelamentos deixou de ser apenas uma característica técnica e ganhou valor operacional para a Xinbi.

A Tether consegue bloquear USDT quando a Xinbi transfere recursos entre carteiras identificadas. Contudo, a empresa não pode aplicar diretamente a mesma restrição à USDD. Agora, a fiscalização depende de intervenções em exchanges centralizadas, pontes, mesas OTC e outros serviços usados na conversão dos recursos. O próximo estágio mostrará se investigadores conseguem atingir esses intermediários antes que a Xinbi reconstrua sua rede de pagamentos.