Tether congela US$182 mi em USDT na rede Tron

A Tether realizou um dos maiores bloqueios recentes na rede Tron ao congelar mais de US$182 milhões em USDT distribuídos por cinco carteiras. A operação foi confirmada após o episódio ter sido divulgado por dados on-chain do Whale Alert. Os endereços envolvidos continham valores que variavam de cerca de US$12 milhões a US$50 milhões.

As restrições foram aplicadas no mesmo dia, o que destaca uma ação coordenada. Assim, todas as carteiras foram incluídas na lista de bloqueio no nível do protocolo, impedindo qualquer movimentação dos tokens armazenados nesses endereços.

Um porta-voz da Tether afirmou que o congelamento ocorreu após solicitação formal de autoridades policiais que investigavam o caso havia meses. Segundo a empresa, esse tipo de cooperação faz parte de seus procedimentos, especialmente quando há indícios de uso ilícito de stablecoins ou violações de sanções internacionais.

Política de congelamento e estrutura regulatória

A medida está alinhada à política voluntária de congelamento de carteiras implementada pela Tether em dezembro de 2023. Desde então, a empresa passou a apoiar normas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA. Além disso, o programa reforça ações vinculadas à lista de Cidadãos Especialmente Designados.

Os termos de uso permitem que a empresa congele endereços ou compartilhe dados de usuários quando houver ordem de autoridades ou sempre que considerar a medida necessária. Portanto, esse mecanismo ampliou significativamente o número de congelamentos nos últimos anos.

Informações públicas mostram que a Tether já bloqueou mais de US$3 bilhões em USDT em apoio a investigações internacionais. A empresa afirmou colaborar com mais de 310 agências em 62 jurisdições, o que reforça seu papel dentro da supervisão global de ativos digitais.

Volume crescente e impacto internacional

A companhia também informou que, até julho de 2025, colaborou com agências dos Estados Unidos, como o Serviço Secreto e o FBI, no bloqueio de mais de 2.380 carteiras que continham cerca de US$1,14 bilhão em USDT. Além disso, procedimentos semelhantes ocorreram em investigações de outros países.

Esse volume supera amplamente o observado em outros emissores de stablecoins. Um relatório publicado pela AMLBot em dezembro de 2025 indica que, desde 2023, o total congelado pela Tether é quase 30 vezes maior que os US$109 milhões em USDC bloqueados pela Circle no mesmo período.

O USDT permanece como a maior stablecoin em circulação, com mais de US$187 bilhões emitidos. Assim, isso representa aproximadamente 64 por cento do mercado de stablecoins, estimado em US$292 bilhões. A USDC mantém a segunda posição, com oferta próxima de US$75 bilhões.

No curto prazo, as ações reforçam a força do protocolo de conformidade da Tether. Além disso, evidenciam seu impacto em investigações globais e o papel dominante do USDT no mercado. Portanto, o volume de fundos congelados permanece muito superior ao de concorrentes diretos, o que amplia a responsabilidade regulatória da empresa e seu poder dentro do setor.