Texas troca ETF IBIT por custódia direta de Bitcoin

O Texas avança na criação de sua reserva estratégica de Bitcoin e prepara a troca da exposição via ETF à vista por custódia direta do ativo. A mudança envolve cerca de US$ 10 milhões hoje alocados no iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, usado como posição temporária enquanto o estado estruturava um modelo próprio de gestão.

Além disso, o Texas Comptroller of Public Accounts publicou, em 28 de maio, a exigência de um site público com atualização em tempo real das reservas e de suas avaliações. A medida acompanhou a criação de um novo comitê consultivo para orientar a operação da reserva.

Estado prepara migração do IBIT para custódia própria

Documentos públicos indicam que o Texas quer converter sua posição no IBIT em Bitcoin mantido diretamente em nome do estado. Para isso, a instituição emitiu, em 7 de maio, um pedido de propostas para selecionar a empresa responsável pela custódia e pela liquidez dos ativos.

Assim, a vencedora terá 60 dias após a assinatura do contrato para concluir a migração da atual participação no ETF para Bitcoin sob custódia direta. O escopo, no entanto, vai além do armazenamento. A empresa também deverá executar compras, vendas, gestão contínua e relatórios, reunindo as funções necessárias para operar uma reserva estadual de Bitcoin.

A iniciativa chama atenção porque exige transparência pública em tempo real. Em outras palavras, o estado quer manter um registro acessível a qualquer pessoa, com as participações em criptomoedas e seus valores atualizados.

Gráfico do Bitcoin

Bitcoin em US$ 73.513. Gráfico: TradingView

Comitê consultivo vai tratar de risco e estratégia

A controladora estadual interina Kelly Hancock nomeou quatro integrantes para o comitê consultivo da Strategic Bitcoin Reserve do Texas. Foram escolhidos Laurie Dotter, executiva veterana de investimentos, Jamie McAvity, fundador e CEO da Cormint Data Systems, Carla Reyes, professora de direito de ativos digitais da Southern Methodist University, e Gary Vecchiarelli, presidente e CFO da CleanSpark.

Segundo o governo estadual, esse grupo ajudará a definir os modelos de custódia, a avaliação de riscos e a forma de reporte do desempenho da reserva aos legisladores. Além disso, o comitê deverá opinar sobre a estratégia de investimento da reserva nos próximos passos.

Embora o foco atual esteja no Bitcoin, autoridades afirmaram que a estrutura poderá, no futuro, abrigar ativos digitais além da criptomoeda. Nesse sentido, a linguagem usada no pedido de propostas deixa aberta a possibilidade de incluir outras criptomoedas de grande capitalização, ainda sem especificar quais seriam.

Reserva estadual nasceu por lei e começou com US$ 10 milhões

A legislação estadual criou a reserva com apoio de defensores da tese de que o Bitcoin pode funcionar, ao longo do tempo, como proteção contra inflação e oscilações econômicas. Para colocá-la em prática, o Texas destinou US$ 10 milhões e utilizou o IBIT desde o início como posição de transição.

Agora, ao buscar uma estrutura própria de custódia e gestão, o estado troca a simplicidade operacional de um ETF por uma exposição direta ao ativo. Ainda assim, essa decisão também aumenta a complexidade da operação, já que o modelo envolverá compras, vendas, gestão contínua e prestação de contas aos legisladores.

Por fim, um dos pontos mais incomuns do projeto está no site público exigido em contrato, que deverá mostrar em tempo real as reservas e suas avaliações. Dessa forma, a transição dos cerca de US$ 10 milhões mantidos em IBIT para Bitcoin sob custódia direta ocorrerá sob um padrão de transparência raro entre investidores institucionais.