THORChain concentra 63% da receita após hack da Bitget
A THORChain registrou US$ 3,01 milhões em receitas do sistema em setembro, o maior resultado desde março de 2025. O volume de swaps também alcançou US$ 2,40 bilhões, o patamar mais alto desde junho de 2025. Assim, as duas métricas avançaram de forma expressiva em relação ao mês anterior.
Contudo, a maior parte dessa atividade ocorreu em apenas cinco dias após o hack da Bitget. Entre 25 e 29 de setembro, cerca de US$ 1,37 bilhão passou pela rede. Esses fluxos corresponderam a 57% de todo o volume mensal de swaps. No mesmo intervalo, o protocolo gerou US$ 1,9 milhão, equivalente a 63% da receita de setembro.

Fonte: dados divulgados pela THORChain.
Fluxos ligados à Bitget impulsionaram a rede
Em seu relatório mensal, a THORChain informou que a alta coincidiu com a circulação dos recursos ligados ao ataque. Conforme o documento, o volume diário variou entre US$ 190 milhões e US$ 460 milhões no período. Dessa maneira, poucas operações de grande porte ampliaram significativamente a atividade da rede. Porém, os dados não identificam quanto das taxas veio diretamente dos recursos roubados.
“Entre 25 e 29 de setembro, o volume diário ficou entre aproximadamente US$ 190 milhões e US$ 460 milhões, enquanto fundos ligados à exploração da Bitget passaram pela rede.”
Apesar do aumento, o episódio destacou as consequências econômicas da posição adotada pela THORChain. Após o ataque, o protocolo reiterou no X sua rejeição a intervenções seletivas. A rede argumentou que opera de maneira descentralizada e sem permissões, como Bitcoin, Ethereum e BNB Chain. Portanto, a THORChain manteve sua posição contrária ao bloqueio direcionado de transações.
Protocolo rejeitou censura seletiva
A THORChain também diferenciou uma paralisação emergencial da censura contra endereços ou operações específicas. O primeiro mecanismo busca proteger o próprio protocolo diante de ameaças à infraestrutura. Em maio, invasores retiraram US$ 10,7 milhões dos pools de liquidez. Mesmo assim, a rede não impediu que os responsáveis realizassem swaps posteriormente.
A Bitget informou que os atacantes transferiram cerca de US$ 387,5 milhões para endereços sob seu controle durante a violação de setembro. Na sequência, a movimentação desses recursos coincidiu com o período de maior atividade da THORChain em mais de um ano. Ainda assim, os dados disponíveis não atribuem taxas específicas aos recursos roubados. Logo, a correlação temporal não comprova a origem de cada parcela da receita.
Crescimento de carteiras permaneceu limitado
Os dados de carteiras mostram que o salto nas receitas não acompanhou uma expansão equivalente da base de usuários. As carteiras ativas subiram de 23,5 mil em agosto para 25 mil em setembro. Enquanto isso, as novas carteiras avançaram de 21,8 mil para 22,4 mil. Portanto, o crescimento dessa métrica permaneceu moderado diante do aumento do volume.
A THORChain afirmou que a atividade das carteiras quase não reagiu ao pico registrado no fim do mês. Na prática, o movimento sugere operações concentradas entre um número relativamente pequeno de participantes. Essa diferença limita a interpretação de que a economia do protocolo melhorou de forma ampla. Com isso, o desempenho mensal ficou mais dependente de grandes transações pontuais.
As receitas de setembro ficaram quase cinco vezes acima dos US$ 615 mil registrados em agosto. Já o volume de swaps quase quadruplicou ante os US$ 613 milhões do mês anterior. Entretanto, a maior parte do avanço adicional ocorreu durante a passagem dos recursos ligados ao hack entre diferentes redes. Esse padrão reforça o caráter excepcional do resultado mensal.
Rendimentos subiram com as taxas elevadas
O pico também elevou as métricas de rendimento acumulado do protocolo. Em 29 de setembro, o retorno anualizado de sete dias do RUNE atingiu 69,03%. Por sua vez, o indicador do TCY chegou a 29,74%. A THORChain espera que ambos recuem quando os dias de taxas elevadas saírem da janela de cálculo.
Separadamente, afiliados de front-end receberam cerca de US$ 840,7 mil durante setembro. Desse total, afiliados não identificados ficaram com aproximadamente US$ 669 mil. Agora, provedores de liquidez e detentores observam se o trading regular substituirá a atividade excepcional. Contudo, a manutenção dos retornos dependerá de uma demanda mais recorrente.
Caso o volume retorne aos níveis anteriores ao hack, as receitas e os rendimentos acumulados poderão cair de forma acentuada. Por outro lado, uma melhora sustentável exigirá fluxos recorrentes de traders e integradores. Com uma atividade mais distribuída, a rede dependerá menos de picos causados por transações incomumente grandes.
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