THORChain pausa swaps após erro de reembolso em ETH
A THORChain suspendeu swaps de criptomoedas em dez redes após um erro de reembolso de 10 ETH. Uma reorganização de bloco na Ethereum provocou a falha. Além disso, a interrupção atrasou temporariamente transferências ligadas ao ataque de US$ 6,3 bilhões contra a Binance.
Inicialmente, o protocolo identificou uma diferença entre os fundos registrados e o saldo disponível em um cofre. Assim, o verificador automático de solvência interrompeu os swaps de Ethereum antes da suspensão das demais redes. O destinatário devolveu os 10 ETH recebidos em excesso, e a equipe restaurou o saldo do cofre afetado.
Em 31 de outubro, a THORChain interrompeu negociações em várias blockchains. Uma reorganização de bloco na Ethereum fez a THORChain pagar 10 ETH que um cofre nunca recebeu. O verificador automático de solvência detectou a diferença e suspendeu os swaps de ETH.
THORChain, no X
Falha de 10 ETH aciona pausa emergencial
O incidente começou às 11h34 UTC de 31 de outubro, quando a Ethereum passou por uma reorganização de um bloco. Esse processo retirou uma transação recente do histórico aceito pela rede. A transação envolvia um depósito de 10 ETH destinado a um cofre da THORChain. No entanto, o protocolo reconheceu a entrada antes que a Ethereum removesse o depósito.
O swap associado não atingiu o limite de preço definido pelo remetente. Por isso, o protocolo iniciou um reembolso. Entretanto, o depósito original já não constava na cadeia aceita da Ethereum. Como resultado, a THORChain enviou 10 ETH de um cofre que não havia recebido os fundos correspondentes.
O depósito real do remetente recebeu um reembolso separado, o que gerou um pagamento adicional de 10 ETH. Logo, o verificador de solvência identificou a divergência e suspendeu os swaps de Ethereum. Cerca de dois minutos depois, operadores de nós interromperam as assinaturas de transações de saída.
Dez blockchains entram na pausa emergencial
Em seguida, a equipe pausou outras redes enquanto os desenvolvedores analisavam a falha. A resposta afetou Bitcoin, Ethereum, Solana, Tron, BNB Smart Chain, Cosmos, Bitcoin Cash, Dogecoin, Litecoin e Zcash. Por outro lado, Avalanche, Base, XRP Ledger e a rede nativa da THORChain continuaram disponíveis. O painel de rede mostra o status operacional das blockchains suportadas.
Uma reorganização ocorre quando uma rede substitui um bloco recente por outra versão do histórico de transações. Nesse caso, o processo de reembolso reconheceu recursos que já não existiam no registro aceito da Ethereum. A equipe alertou que reorganizações em outras blockchains poderiam causar um problema semelhante. Segundo o protocolo, um invasor poderia explorar a falha com uma nova transação de mesmo nonce após o desaparecimento do depósito anterior.
Agora, os desenvolvedores preparam mudanças para impedir reembolsos de transações descartadas pela rede. Enquanto isso, os operadores de nós decidirão quando cada blockchain poderá reabrir com segurança. O protocolo não informou um cronograma único para a retomada.
Pausa atrasa movimentações ligadas à Binance
A interrupção ocorreu enquanto investigadores rastreavam fundos roubados da Binance no ataque de 29 de outubro. Naquele momento, a Chainalysis afirmou que a falha técnica atrasou involuntariamente a movimentação dos recursos. A pausa impediu usuários comuns e suspeitos de lavagem de dinheiro de acessar grande parte das rotas entre redes. Entre os suspeitos estavam operadores com possíveis ligações com a Coreia do Norte.
O FBI atribuiu o ataque à Binance ao grupo TraderTraitor, patrocinado pelo Estado norte-coreano. Em seu alerta sobre o ataque, a agência informou que os responsáveis convertiam as criptomoedas roubadas principalmente em Ethereum. Depois, os invasores buscavam novas transferências por serviços de finanças descentralizadas e swaps instantâneos. Portanto, o FBI pediu que operadores da THORChain, exchanges e provedores de infraestrutura bloqueassem transações ligadas aos endereços identificados.
A agência também publicou uma lista de carteiras associadas aos fundos roubados. Ainda assim, a paralisação de 31 de outubro resultou das proteções técnicas do protocolo. A THORChain não tomou a medida para bloquear seletivamente os invasores da Binance.
Protocolo já enfrentou disputas sobre fundos roubados
Antes disso, a THORChain enfrentou debates sobre restrições a transações com criptomoedas furtadas. Em setembro, a Bitget pediu o bloqueio de endereços de hackers após uma violação de segurança de US$ 387,5 milhões. Na ocasião, a THORChain recusou o pedido e afirmou que seus mecanismos emergenciais protegem a operação da rede. Esses recursos, segundo o protocolo, não servem para congelar transações individuais.
Depois disso, a empresa de segurança GoPlus questionou o grau de descentralização do protocolo. A crítica citou a capacidade dos validadores de pausar negociações e controlar assinaturas de saída durante emergências. Mais tarde, o pesquisador independente Andrey Sergeenkov rastreou taxas envolvendo recursos roubados da Bitget. A análise indicou que provedores de liquidez da THORChain receberam US$ 573.226 em taxas dessas operações.
Pagamentos adicionais de afiliados chegaram a endereços com diferentes níveis de conexão com os fluxos roubados. Além disso, a THORChain sofreu outro incidente em maio, quando um cofre comprometido perdeu cerca de US$ 10,7 milhões. Após o ataque, o protocolo adotou mudanças de segurança e um plano de reinício de 11 etapas. As negociações retornaram em junho.
O fundador John-Paul Thorbjornsen defendeu no X o modelo sem permissão da rede. Ele também alertou que um encerramento permanente violaria os princípios operacionais do protocolo. Dessa forma, a defesa reforçou a posição da THORChain contra bloqueios seletivos de transações.
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