Token burns e recompras em Uniswap e Solana
O mercado de criptomoedas segue sob pressão baixista, apesar do avanço de token burns e recompras. Hyperliquid, Pump, Uniswap e outros protocolos tentam vincular receitas ao desempenho de seus respectivos tokens.
Contudo, muitos investidores de varejo ainda têm dificuldade para avaliar os efeitos dessas medidas. A Hyperliquid direciona mais de 97% das taxas para recompras, enquanto a Pump queimou 36% da oferta. Já a Uniswap retirou 107 milhões de UNI de circulação.
Ao mesmo tempo, as recompras automatizadas da Aave e a oferta limitada da Aptos exigem uma análise cuidadosa. A proposta da Solana para ampliar a queima de taxas também reforça esse debate.
“Os tokens não capturam valor. A Hyperliquid direciona mais de 97% das taxas para recompras, que já somam US$ 2 bilhões. A Pump queimou 36% da oferta e reservou 50% da receita para queimas. A Uniswap queimou 107 milhões de UNI e ativou o fee switch. A Aave tem recompras automatizadas, enquanto a Aptos possui oferta rigidamente limitada e multiplicou suas taxas por dez.”
Matt Hougan, no X
Como queimas e recompras afetam a oferta
Queimas e recompras podem transferir valor aos detentores por meio de mudanças na oferta. Entretanto, os dois mecanismos não produzem necessariamente o mesmo resultado.
Quando um protocolo queima unidades, ele as remove permanentemente da oferta. Por outro lado, uma recompra só reduz a oferta circulante quando o projeto retira os tokens adquiridos do mercado.
Na prática, uma oferta menor aumenta a participação proporcional de cada unidade restante. Isso, porém, não garante valorização, pois o preço também depende da demanda e da atividade econômica da rede.
Esses mecanismos podem gerar um efeito deflacionário quando as retiradas superam as novas emissões. Dessa maneira, a escassez tende a crescer, desde que a procura permaneça estável ou avance.
Os usuários pagam taxas para executar contratos inteligentes ou utilizar espaço em blocos. Quando o protocolo destrói parte dessas taxas, ele conecta a atividade da rede à redução da oferta.
Portanto, a análise de token burns deve considerar tanto a quantidade retirada quanto o uso efetivo do protocolo.
Riscos de decisões baseadas apenas na escassez
Uma oferta menor não sustenta um projeto quando a demanda orgânica desaparece. Por isso, investidores precisam acompanhar usuários ativos, receitas, utilidade e volume de transações.
Recompras também exigem recursos financeiros. Caso a tesouraria concentre receitas nessa estratégia, poderá reduzir investimentos em desenvolvimento, segurança, infraestrutura e expansão.
Como consequência, o protocolo corre o risco de comprometer a adoção futura. O benefício imediato da recompra pode não compensar uma eventual perda de competitividade.
Além do mais, investidores devem diferenciar mecanismos automáticos de decisões discricionárias. Queimas programadas seguem regras previsíveis, enquanto ações pontuais dependem das escolhas da equipe ou da governança.
Em alguns casos, anúncios de queima podem estimular o preço temporariamente. Ainda assim, eles não corrigem problemas como baixa utilidade, queda de receitas ou perda de usuários.
Também importa verificar a origem dos recursos usados nas recompras. Receitas recorrentes indicam uma estrutura diferente daquela baseada apenas nas reservas acumuladas pela tesouraria.
Proposta da Solana muda a economia do SOL
A governança da Solana avalia uma atualização capaz de alterar o modelo econômico do SOL. Se aprovada, a rede cobrará transações conforme os recursos computacionais efetivamente solicitados.
Nesse modelo, o protocolo queimará integralmente as taxas relacionadas ao uso desses recursos. A mudança acompanha outra proposta que dobra a taxa anual de desinflação da Solana.
Mesmo assim, a alteração não tornaria o SOL deflacionário imediatamente. Na maior projeção apresentada, a rede queimaria cerca de 9.000 SOL por dia.
Em contrapartida, a Solana continuaria emitindo aproximadamente 60.000 SOL diários como recompensas de staking. Com isso, a oferta registraria um aumento líquido próximo de 51.000 SOL por dia.
O cálculo mostra que uma queima elevada pode reduzir a inflação sem eliminá-la. Logo, investidores precisam comparar o volume destruído com as novas emissões do protocolo.
Assim, queimas e recompras podem fortalecer a economia de um projeto, mas não substituem demanda, utilidade e receitas sustentáveis. A atividade da rede continua decisiva para o desempenho de longo prazo.