Tokenização cresce 2.500% e atrai instituições
A tokenização de ativos ganhou força desde maio de 2025 e ampliou a participação institucional no mercado cripto. Pela primeira vez, o número de detentores de ativos tokenizados superou 3,5 milhões. Com isso, o segmento passou a ocupar mais espaço entre investidores e grandes empresas. Esse avanço também levanta a possibilidade de uma nova alta semelhante à observada em 2024.
Naquele ano, o mercado de criptomoedas viveu uma fase intensa de busca por risco. A capitalização total alcançou US$ 3,7 trilhões, enquanto o Bitcoin avançou mais de 120%. Além disso, o ativo superou US$ 100 mil pela primeira vez. Os ETFs spot de Bitcoin abriram espaço para a demanda institucional durante a redução da oferta.
Em abril de 2024, o halving reduziu a recompensa por bloco de 6,25 BTC para 3,125 BTC. Desde então, a emissão de novas unidades permanece menor. Contudo, essa restrição ainda não produziu o mesmo impulso observado no ciclo anterior. O preço enfrentou dificuldades ao longo de 2025 e no início de 2026.

Fonte: Kobeissi Letter
Ativos tokenizados ampliam presença institucional
Em apenas 30 dias, a base de detentores de ativos tokenizados cresceu 109%. Desde maio de 2025, o aumento acumulado supera 2.500%. Enquanto isso, o valor total dos ativos representados chegou a US$ 387 bilhões. Os números mostram uma aceleração expressiva da adoção no período analisado.
O movimento também atrai participantes maiores, incluindo Robinhood e outras instituições que entraram nesse mercado. Ao mesmo tempo, as negociações realizadas em blockchain continuam avançando. Na Jupiter, 63% do volume ocorre fora do horário regular dos mercados. Esse percentual destaca a procura por operações sem as limitações dos pregões tradicionais.
Assim, os dados indicam uma demanda crescente por mercados disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana. Os fluxos de capital também reforçam o apelo do segmento entre investidores institucionais. Paralelamente, a recuperação das entradas em ETFs amplia os sinais de maior procura. A continuidade desse movimento, porém, dependerá da manutenção do interesse institucional.
ETFs de Bitcoin retomam entradas
As razões para as entradas mais recentes nos ETFs de Bitcoin ainda não estão claras. Mesmo assim, os aportes ganharam velocidade após um período de fortes saídas. Dados da Glassnode mostram que esses fundos receberam US$ 643 milhões na última quinta-feira. Esse foi o maior fluxo líquido diário registrado desde janeiro.
Com a melhora do sentimento, a procura pelos ETFs sugere a retomada do apetite institucional por criptomoedas. Por sua vez, o IBIT, da BlackRock, apresenta um padrão semelhante. O fundo atraiu US$ 3,7 bilhões no trimestre até agora. Caso o ritmo continue, o produto poderá registrar seu maior fluxo trimestral desde o terceiro trimestre de 2025.
Em setembro, as entradas no IBIT somaram US$ 459,8 milhões, após US$ 3 bilhões em agosto. Desde julho, os ativos sob gestão do fundo cresceram US$ 19,6 bilhões. Dessa forma, o avanço corresponde a uma alta de 46% no período. Os números evidenciam a rapidez da recuperação da demanda institucional.

Fonte: Kobeissi Letter
Oferta menor pode fortalecer a demanda
A adoção da tokenização e o aumento dos fluxos para ETFs indicam maior envolvimento institucional com o mercado cripto. Uma publicação da Kobeissi Letter destacou no X que esse movimento ocorre apesar do FUD macroeconômico. Ainda assim, os indicadores não representam a mesma euforia registrada em 2024. A tendência, porém, mostra sinais de fortalecimento.
Nesse contexto, a emissão de 3,125 BTC por bloco após o halving reforça a restrição da oferta. Se a procura institucional crescer junto com a tokenização, essa dinâmica poderá favorecer uma nova valorização. Entretanto, o cenário depende da continuidade dos aportes e do interesse por ativos tokenizados. Portanto, uma alta semelhante à de 2024 permanece como possibilidade, e não como resultado garantido.