Tom Lee: IPO da SpaceX pode liberar US$ 2 tri

A abertura de capital da SpaceX desponta como um dos eventos mais relevantes dos mercados financeiros em 2026. Segundo Tom Lee, cofundador da Fundstrat Global Advisors, até US$ 2 trilhões em ações podem se tornar negociáveis cerca de 90 dias após o IPO. Nesse sentido, o movimento tende a criar um evento de liquidez de grande escala.

A empresa protocolou seu registro S-1 junto à SEC em meados de maio, mirando uma avaliação entre US$ 1,75 trilhão e US$ 2 trilhões. Caso esse intervalo se confirme, será o maior IPO da história dos Estados Unidos. Além disso, a operação pode levantar até US$ 75 bilhões, superando os US$ 25,6 bilhões arrecadados pela Saudi Aramco em 2019.

Liquidez e redistribuição de capital

IPOs dessa magnitude seguem uma dinâmica conhecida. Em primeiro lugar, acionistas iniciais e executivos ficam sujeitos a períodos de lockup, geralmente entre 90 e 180 dias, durante os quais não podem vender suas ações. Contudo, assim que o prazo termina, vendas relevantes tendem a ocorrer.

Tom Lee avalia que o mercado pode não estar precificando adequadamente esse fator. Com até US$ 2 trilhões em ações antes ilíquidas passando a circular, a pressão vendedora pode aumentar. Além disso, investidores iniciais acumulam ganhos expressivos desde as primeiras rodadas, o que eleva o incentivo para realização de lucros.

Ao mesmo tempo, outras empresas de tecnologia avançada também se preparam para abrir capital, incluindo OpenAI e Anthropic. Juntas, podem elevar o volume total de novas ações para cerca de US$ 4 trilhões. Esse montante representa aproximadamente 5% a 7% da capitalização do S&P 500.

Na prática, isso indica que o mercado global terá de absorver uma quantidade significativa de ativos em um intervalo relativamente curto. Como resultado, pode ocorrer uma redistribuição relevante de capital entre diferentes setores.

Pressão de oferta e efeitos no mercado

Estudos acadêmicos indicam que ações frequentemente apresentam desempenho inferior próximo ao fim dos períodos de lockup, devido ao aumento repentino da oferta. No entanto, o diferencial atual está na escala envolvida.

Embora mega IPOs anteriores tenham gerado volatilidade setorial, uma sequência de listagens trilionárias pode afetar múltiplos segmentos simultaneamente. Dessa forma, investidores precisam considerar não apenas o ativo específico, mas também o contexto macroeconômico.

Lee mantém uma visão construtiva para os mercados em 2026. Ainda assim, ressalta que o timing e o posicionamento serão decisivos. Em outras palavras, a nova liquidez pode gerar oportunidades, mas também riscos relevantes.

Exposição ao Bitcoin chama atenção

Outro ponto relevante no registro da SpaceX é sua exposição ao Bitcoin. A empresa declarou possuir 18.712 BTC, avaliados em cerca de US$ 1,29 bilhão em 31 de março. Com a valorização recente, esse valor já se aproxima de US$ 1,45 bilhão.

Esse volume posiciona a SpaceX entre empresas com reservas relevantes do ativo, ao lado de Strategy e Tesla. Além disso, trata-se de um movimento significativo para uma companhia focada em lançamentos espaciais e infraestrutura de internet via satélite.

A revelação tem implicações diretas para o mercado de criptomoedas. Investidores que comprarem ações da SpaceX estarão, indiretamente, expostos ao Bitcoin. Assim, ocorre uma integração ainda maior entre ativos digitais e o sistema financeiro tradicional.

Riscos e oportunidades no mercado cripto

Por outro lado, existe uma preocupação relevante. Caso a SpaceX decida vender parte de suas reservas de Bitcoin no futuro, o impacto pode ser significativo, dado o volume sob sua custódia.

Ao mesmo tempo, essa exposição pode atrair investidores institucionais. Afinal, muitos ainda buscam formas indiretas de acesso ao mercado cripto. Dessa maneira, a empresa pode funcionar como uma ponte entre dois universos financeiros.

No entanto, o cenário exige cautela. Qualquer movimento estratégico envolvendo essas reservas pode influenciar o sentimento do mercado. Portanto, acompanhar esses desdobramentos será essencial.

O que observar após o IPO

O principal risco imediato está relacionado à dinâmica de oferta e demanda. Com até US$ 4 trilhões em novas ações entrando no mercado, o capital disponível precisará ser redistribuído. Como consequência, ativos já existentes podem sofrer pressão.

Investidores devem monitorar atentamente os calendários de lockup. No caso da SpaceX, o período de cerca de 90 dias após o IPO tende a ser decisivo. Nesse contexto, um aumento nas vendas por insiders pode gerar impactos amplos.

Além disso, o cenário reforça a importância da diversificação. Em um ambiente de elevada liquidez e possível volatilidade, estratégias bem estruturadas tendem a se destacar.

Em suma, o IPO da SpaceX reúne elementos capazes de influenciar tanto o mercado acionário quanto o de criptomoedas, combinando escala inédita, potencial de liquidez e exposição relevante ao Bitcoin.