TRM alerta para golpes cripto na Copa do Mundo 2026
A TRM Labs alertou que golpistas do mercado de criptomoedas já estruturam fraudes ligadas à Copa do Mundo de 2026. Segundo a empresa, os primeiros esquemas envolvem portais falsos de ingressos e apostas com resultados supostamente garantidos. Também aparecem tokens temáticos sem vínculo oficial com a FIFA.
Em relatório publicado em 11 de junho, a TRM identificou quatro endereços associados a três operações ativas contra torcedores de futebol. Embora os valores recebidos ainda sejam baixos, a empresa vê sinais de infraestrutura em estágio inicial. Na avaliação da TRM, os criminosos testam fluxos antes de ampliar campanhas.
Além disso, o alerta chega antes da fase de maior atenção pública ao torneio. Assim, pequenos sinais agora podem anteceder uma escalada rápida. O risco tende a crescer com buscas por ingressos, apostas e memecoins relacionadas ao evento.
Ingressos falsos e apostas entram no radar da TRM
Em primeiro lugar, a TRM apontou os golpes com ingressos falsos como o risco mais imediato ao consumidor. Segundo a empresa, criminosos criam páginas de pagamento que imitam plataformas legítimas de eventos. No entanto, esses ambientes direcionam o usuário para pagamentos em criptomoedas enviados a carteiras dos fraudadores.
Na prática, o visual pode parecer autêntico. Ainda assim, os valores pagos terminam em processadores fraudulentos. Por isso, a TRM recomenda verificar a origem do site e desconfiar de pedidos de pagamento direto em ativos digitais.
Valores baixos não eliminam o risco
Um dos endereços na rede Polygon citados pela TRM recebeu US$ 1.562. A maior parte dos depósitos ocorreu em 1 de abril de 2026. Somando os endereços inicialmente associados aos golpes da Copa do Mundo, o total arrecadado ficou abaixo de US$ 1.700.
Esse volume reduzido, contudo, não enfraquece o alerta. Pelo contrário, ele sugere que os esquemas ainda passam por testes. Conforme a TRM, operações desse tipo costumam ganhar escala quando grandes eventos esportivos entram no pico de atenção pública.
O relatório também destacou fraudes com apostas em partidas supostamente manipuladas. Nesses casos, os criminosos prometem informação privilegiada ou resultados garantidos em troca de pagamentos antecipados em criptomoedas. Depois disso, os recursos podem seguir para contas custodiais em corretoras, repetindo um fluxo comum em outras fraudes digitais.
Tokens temáticos sem ligação com a FIFA ampliam risco
Além dos golpes com ingressos e apostas, a TRM chamou atenção para tokens comemorativos e ativos altamente especulativos. A análise citou, por exemplo, um token chamado $WORLDCUP listado na LBank. Segundo a empresa, esse ativo não possui afiliação oficial com a FIFA e pode expor investidores a esquemas de pump and dump.
Esse comportamento, aliás, costuma se repetir em grandes eventos culturais e esportivos. Frequentemente, surgem ativos que exploram marcas, slogans e o entusiasmo dos torcedores, mesmo sem conexão formal com organizadores ou patrocinadores. Em alguns casos, há apenas especulação oportunista. Em outros, o desenho do projeto atrai compradores de varejo antes da saída dos primeiros promotores.
Cautela deve aumentar com a aproximação do torneio
Por isso, a orientação central da TRM é direta. O investidor não deve presumir legitimidade apenas porque um token faz referência a um torneio relevante, a uma seleção nacional ou a um tema popular. Antes de qualquer pagamento ou investimento, a checagem de vínculo oficial em canais institucionais continua essencial.
Ao mesmo tempo, a empresa observou que operadores dessas fraudes usam trocas entre blockchains e contas em corretoras custodiais para dificultar o rastreamento. Em um dos exemplos citados, houve movimentação de fundos da Polygon para a Tron. Esse percurso pode complicar a análise para usuários comuns.
De forma mais ampla, a TRM afirmou que golpistas movimentaram US$ 1,9 bilhão por meio de pontes entre redes para dificultar a rastreabilidade das transações. Ademais, a empresa mencionou cerca de US$ 35 bilhões enviados a carteiras ligadas a fraudes em 2025. No mesmo ano, a atividade ilícita total com criptomoedas teria atingido o recorde de US$ 158 bilhões.
Alerta mira o ciclo de euforia da Copa
Esses números mais amplos não se referem especificamente aos golpes ligados à Copa do Mundo de 2026. Ainda assim, eles ajudam a contextualizar a relevância do aviso. Na visão da TRM, a infraestrutura usada em operações pequenas também aparece em redes fraudulentas de maior escala.
Embora o torneio ainda não tenha começado, sua relação com o mercado cripto já ganha visibilidade. Patrocínios, mercados de apostas, tokens especulativos e pagamentos transfronteiriços ampliam essa exposição. Dessa forma, também cresce a superfície de ataque para criminosos que buscam explorar torcedores, apostadores e traders.
Em suma, o ponto central do relatório não envolve uma explosão imediata desses golpes. A TRM destaca o surgimento de sinais concretos antes da intensificação da euforia em torno do evento. Portanto, pedidos de pagamento em criptomoedas ligados a ingressos, dicas de apostas e tokens temáticos não oficiais exigem cautela redobrada.