Trump abandona memecoins e amplia exposição ao Bitcoin
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajustou sua estratégia no mercado de criptomoedas em 2026. A princípio, reduziu a exposição a memecoins e, ao mesmo tempo, ampliou o posicionamento indireto em Bitcoin. Apesar de sua memecoin oficial, Official Trump (TRUMP), ainda circular após queda superior a 80%, registros federais indicam uma mudança relevante na alocação de capital.
Documentos públicos mostram que Trump e sua família passaram a investir em empresas diretamente ligadas ao Bitcoin. Assim, a estratégia sugere uma abordagem mais estruturada e alinhada ao amadurecimento do setor. Além disso, o movimento ocorre em um ambiente de maior clareza regulatória nos Estados Unidos, o que tende a favorecer investidores institucionais e figuras públicas.
Investimentos incluem empresas centrais do setor
Registros divulgados pelo Escritório de Ética do Governo dos EUA detalham operações realizadas entre janeiro e março de 2026. Os documentos, conhecidos como formulário OGE 278-T, revelam milhares de negociações no período, indicando uma atuação ativa e recorrente.
Entre os principais ativos adquiridos estão ações da MARA Holdings (MARA), considerada a maior mineradora de Bitcoin listada em bolsa. Além disso, aparecem participações na Coinbase (COIN), principal exchange de criptomoedas dos Estados Unidos, bem como na Strategy (MSTR), empresa reconhecida por manter grandes reservas de Bitcoin em seu balanço.
No caso da Coinbase, foram registradas nove operações distintas. A maior ocorreu em 10 de fevereiro, com valor estimado entre US$ 100.001 e US$ 250.000. Por outro lado, as compras de ações da MARA Holdings foram menores, com cada transação abaixo de US$ 50.000, ainda que consistentes ao longo do período.
As ações da Strategy concentraram a maior atividade. Foram oito negociações envolvendo compra e venda. A maior aquisição ocorreu em 12 de fevereiro, entre US$ 50.001 e US$ 100.000. Já a maior venda foi registrada em 12 de janeiro, variando entre US$ 15.001 e US$ 50.000. Dessa forma, a movimentação indica ajustes frequentes conforme as condições de mercado.
Diversificação segue como base da estratégia
Embora o foco em empresas ligadas ao Bitcoin tenha crescido, esses ativos representam apenas parte do portfólio. Ao todo, mais de 2.000 transações foram realizadas no primeiro trimestre de 2026, com valores estimados entre US$ 220 milhões e US$ 750 milhões, evidenciando uma gestão altamente ativa.
Além disso, o portfólio inclui ações de empresas financeiras e tecnológicas relevantes, como Robinhood (HOOD), Block Inc. (XYZ), PayPal (PYPL) e SoFi Technologies (SOFI). Paralelamente, há posições em gigantes da tecnologia, como Nvidia (NVDA), Microsoft (MSFT), Oracle (ORCL) e Boeing (BA), com algumas operações variando entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões.
Os ativos estão organizados em um fundo familiar administrado pelos filhos de Trump. Parte das negociações também foi executada por empresas terceirizadas. Os documentos apresentam apenas intervalos estimados, sem detalhar valores exatos ou resultados financeiros, mas ainda assim oferecem uma visão clara da magnitude das operações.
Exposição indireta ao Bitcoin ganha força
BTC sendo negociado em torno de US$ 76.791 no gráfico diário. Fonte: TradingView
Os registros indicam que, apesar da diversificação, houve aumento consistente no interesse por empresas diretamente ligadas ao Bitcoin. Nesse sentido, a estratégia aponta para uma preferência por exposição indireta ao ativo, em vez de investimentos mais especulativos, como memecoins.
Assim, o posicionamento acompanha a evolução do mercado cripto. À medida que o ambiente regulatório se torna mais previsível, investidores de grande porte tendem a priorizar ativos e empresas com fundamentos mais sólidos. Como resultado, o movimento da família Trump reflete uma tendência mais ampla entre participantes institucionais.
Em conclusão, as movimentações do primeiro trimestre de 2026 revelam não apenas o volume expressivo de capital envolvido, mas também uma mudança estratégica relevante. O Bitcoin, nesse cenário, consolida seu papel como ativo central em portfólios diversificados, inclusive entre figuras políticas de alto perfil.